Deep Purple: um bom disco, mas um tanto preguiçoso
Resenha - Now What?! - Deep Purple
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 03 de junho de 2013
Um grande amigo, e leitor habitual das minhas resenhas, brincou recentemente comigo: "Se para você o título do disco novo do Bon Jovi [What About Now] serviria também como um questionamento a respeito de seu próprio futuro, talvez o mesmo possa ser dito de ‘Now What?!’, o novo do Deep Purple, certo?". Se formos fazer uma graça com a tradução literal, claro. Mas acho que a veterana banda inglesa definiu os seus próprios rumos futuros muito antes – para ser honesto, em 2003, quando entraram no novo milênio com o divertido "Bananas", depois de cinco anos sem gravar nada inédito. Este "Now What?!", primeiro disco de estúdio do quinteto em sete anos, tem o mesmo espírito de "Bananas" e de seu antecessor direto, "Rapture of the Deep" (2005). Sem qualquer dúvida, é um disco do Deep Purple – mas, leia-se bem, deste Deep Purple dos anos 2000. Uma banda do mais alto quilate, fato, mas que não se vê mais na necessidade de provar nada para ninguém, que está disposta apenas a se divertir e que joga o jogo já garantido, sem ousar, preservando as canelas para a próxima partida. Se você apertar o play com isso em mente, tenho certeza que pode até se divertir.
Não se engane, portanto, achando que estamos diante de um Deep Purple sequer próximo de joias raras como "In Rock" (1970), "Machine Head" (1972) ou mesmo "Burn" e "Stormbringer", de uma certa formação diferente e igualmente brilhante. E, aliás, sou um daqueles opositores ferrenhos da teoria de que as bandas devam passar a vida correndo atrás dos próprios rabos, tentando reconstruir seus clássicos para satisfazer a fúria dos fãs. Não quero o Metallica tentando gravar um novo "Master of Puppets" e nem o Iron Maiden insistentemente em busca de um novo "Powerslave". Desta forma, obviamente, quero mais é que o Purple tenha liberdade criativa o suficiente para não ser o tempo todo cobrado a gravar um "Machine Head – Part II". Ninguém é genial o tempo todo. Mas, como fã, entendo bem que é difícil aceitar que um dos três pilares que ajudaram a forjar o heavy metal (ao lado de Black Sabbath e Led Zeppelin) não se exija mais, não ouse, não tente algo com um pouco mais daquele brilho especial e único com os qual seus integrantes outrora nos brindaram. O resultado de "Now What?!" é um disco que dá para chamar de preguiçoso, por mais que a palavra seja dolorosa.

"Uncommon Man" é uma peça soberba, longa, de ares épicos, com diversos solos e que poderia até indicar, caso ouvida fora de contexto, que estamos diante de um disco diferenciado. Não é o caso. A faixa é uma exceção, caminhando entre flertes simpáticos com o blues ("Body Line", "All The Time in The World"), refrãos para ouvir numa moto em alta velocidade ("Hell to Pay") e até uma sutil levada sombria ("Vincent Price", outro ponto alto do disco). Tudo com qualidade, não dá para dizer o contrário. Mas nada que dê para chamar de incrível. Nada, mas nada mesmo, capaz de derrubar o seu queixo. Longe disso.
É importante ainda fazer duas ressalvas, que ficam bastante nítidas. A primeira delas é que a voz dourada de Ian Gillan já demonstra sinais claríssimos de cansaço. Assim como seus companheiros de grupo, ele evita se arriscar e, embora demonstre estilo e aquela característica elegante limpeza de timbre, dá para perceber que aqueles agudos surpreendentes são coisa do passado. Outra coisa que chama bastante a atenção é a performance apagada do guitarrista Steve Morse. Não, nunca fui daquelas viúvas de Ritchie Blackmore, que passaram (e, honestamente, AINDA passam) a vida reclamando do Purple depois da saída do guitarrista. Sempre achei Morse um excelente músico, estiloso, com groove, mas, em "Now What?!", ele não entrega um único riff memorável. Acomodado, faz o que qualquer outro guitarrista mediano faria – a ponto de ter sua performance eclipsada pelas camadas de teclados entregues por Don Airey. Aliás, dá até para dizer que Eirey é um dos grandes destaques da bolacha. Para "Uncommon Man", uma das faixas dedicadas ao falecido Jon Lord, que no passado ocupou sua posição, ele compôs uma espécie de fanfarra, via sintetizador, inspirada em "Fanfare for the Common Man", uma espécie de medalhão da música clássica norte-americana no século 20.
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Tracklist:
A Simple Song
Weirdistan
Out of Hand
Hell to Pay
Bodyline
Above and Beyond
Blood from a Stone
Uncommon Man
Après Vous
All the Time in the World
Vincent Price
Line-Up:
Ian Gillan – Vocal
Steve Morse – Guitarra
Roger Glover – Baixo
Ian Paice – Bateria
Don Airey – Teclado

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