Deep Purple: Uma verdadeira aula de hard rock setentista
Resenha - Machine Head - Deep Purple
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 13 de junho de 2012
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Definir os rumos musicais de uma banda costuma ser uma tarefa pra lá de inglória. No início dos anos 70, o DEEP PURPLE enfrentou esse amargo dilema. Após lançarem um disco acompanhado de orquestra ("Concert for Music Group and Orchestra"), outro de rock visceral (" In Rock"), e ainda uma mescla de classic rock com tendências mais suingadas ("Fireball"),o chamado "MARK II" procurava a fórmula azeitada para definir a personalidade musical do grupo.
"Machine Head" foi gravado em dezembro de 1971 em Montreux na Suíça no interior do Grand Hotel, um hotel de luxo abandonado. O hotel foi a terceira opção da banda; convidados pelo produtor CLAUDE NOBS para a realização da gravação no Cassino de Montreux, o local foi alvo de um incêndio acidental durante um show de FRANK ZAPPA (fato que originou a letra de "Smoke on the water" ).
O álbum é uma verdadeira aula de hard rock setentista, contando com todos os elementos que caracterizariam o estilo a partir daí. "Highway Star", a faixa que abre o disco surge de um fato prosaico: perguntado por um jornalista a respeito do processo de composição, RITCHIE BLACKMORE respondeu: " Assim"- com um banjo nas mãos passou a palhetar para baixo uma única nota no instrumento. Surge assim o riff incial da canção que foi completa pela banda naquela mesma noite.
O solo de guitarra da música é outro caso a parte. O próprio BLACKMORE em entrevista admite que, até então, a maioria de seus solos era improvisado por sobre a penta blues. Nesse canção, entretanto, o guitarrista se vale da alternância entre motivos blues e nos últimos compassos do trecho traz a famosa sequência de arpejos em uma corda, influenciando, a partir dali, a base do chamado metal neoclássico dos anos 80.
"Maybe I´m a Leo" surge a partir de um riff criado por ROGER GLOVER (durante as gravações o título provisório da faixa era "Blues riff") e traz uma idéia simples mas eficiente: a substituição da seqüência (até então) lógica de riff, partindo da tônica (no caso, C). Ainda, segundo o própria baixista, inspirado em" How do you sleep" (faixa de JOHN LENNON) o riff inicia-se no tempo fraco do compasso o que confere uma característica melódica diferenciada para essa excelente canção.
A faixa seguinte " Pictures of Home" põe em destaque a inacreditável bateria de IAN PAICE trabalhando em contrapontos inacreditáveis. Destaque também para o solo de JON LORD explorando cromatismos além de suas habituais passagens pelo modo frígio. "Never before" e a faixa mais comercial do disco (foi produzida para ser o single do PURPLE na época, mas não colou). Essa faixa apresenta uma incrível mudança tonal e de andamento no meio da canção, com os vocais de GILIAN gravados em double-tracking (técnica de sobreposição de vozes). Show!
Em seqüência vem "Smoke on the water". Não vou aqui repetir pela enésima vez a história sobre sua composição! O fato é que a música e, principalmente seu riff, estão entre os mais conhecidos da estrada do rock. Um fato interessante, contado no vídeo "Machine Head - Classic Albuns" é o detalhe semi-oculto no áudio em que GILLAN diz "Break a leg, Frank".
Por falar em riff, a faixa seguinte traz um dos mais brilhantes já criado pelo Purple: "Lazy". Em pouco mais de sete minutos a banda dispara um clássico no formato blues menor, conduzida pelo petardo pentatônico (alegria de todo guitarrista novato quando desvenda) acrescentado das dissonâncias espertamente espalhadas pela harmonia.
Fechando o disco a paródia do caminhoneiro espacial, cuja criação também merece destaque. Para aqueles que já ouviram "Space Trucking" 132.000 vezes como eu (se ainda não o fez, faça) a introdução (ao contrário do que muita gente pensa) saturada não é feita pela guitarra e sim com o órgão Hammond de LORD plugado em um amplificador Marshall ("a besta" nas palavras do próprio músico). Logo depois o sensacional riff cromático de BLACKMORE (que segundo o próprio foi inspirado na música tema da série Batman).
Track list:
1. "Highway Star"
2. "Maybe I'm a Leo"
3. "Pictures of Home"
4. "Never Before"
5. "Smoke on the Water"
6. "Lazy"
7. "Space Truckin'"
Outras resenhas de Machine Head - Deep Purple
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 10 melhores álbuns dos anos 1980, segundo Regis Tadeu
TMZ divulga novos detalhes sobre a expulsão de Sid Wilson do Slipknot
Steve Harris defende o criticado álbum do Iron Maiden que foi gravado num celeiro
Tarja Turunen já participou de evento na Rússia que definiu como "humilhante"
11 bandas que nunca fizeram um disco tão bom quanto o primeiro
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show
Hypocrisy cancela turnê na América do Norte por conta de problemas com vistos
Marty Friedman volta ao Brasil em novembro para dois shows
19 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de agosto
A expectativa de Derrick Green para uma banda pesada depois do Sepultura
Mick Jagger não volta atrás após crítica aos Beatles: "Às vezes eu digo a verdade"
Megadeth anuncia turnê europeia com Black Label Society e Testament para 2027
O dia em que Steve Harris foi a um show do Metallica e elogiou Dave Mustaine
Dave Grohl pagou internação de baterista do Corrosion of Conformity em rehab
Austrália: da terra do AC/DC, 3 bandas que você precisa ouvir
Ozzy Osbourne revela sua banda favorita de Heavy Metal
Renato Russo não gostou de "Nevermind" e sentiu vergonha por ter ouvido o disco
O álbum dos Rolling Stones "superior ao Sgt. Pepper's", segundo Frank Zappa



15 coisas que você não imagina que coexistiram com bandas famosas
A bebedeira que virou um dos maiores clássicos do Deep Purple
Para Roger Glover (Deep Purple), anos 1960 e 70 foram o auge da criatividade musical
O guitarrista selvagem que Brian May colocou entre os pilares do rock
O que diabos significa "SPLAT!", título do novo álbum do Deep Purple, segundo Roger Glover
O lendário guitarrista que Ritchie Blackmore disse que tocava de forma estranha
Os cinco guitarristas favoritos de Dave Mustaine e o motivo de cada escolha
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos



