Deep Purple: Uma verdadeira aula de hard rock setentista

Resenha - Machine Head - Deep Purple

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Paulo Severo da Costa
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Definir os rumos musicais de uma banda costuma ser uma tarefa pra lá de inglória. No início dos anos 70, o DEEP PURPLE enfrentou esse amargo dilema. Após lançarem um disco acompanhado de orquestra (“Concert for Music Group and Orchestra”), outro de rock visceral (“ In Rock”), e ainda uma mescla de classic rock com tendências mais suingadas (“Fireball”),o chamado “MARK II” procurava a fórmula azeitada para definir a personalidade musical do grupo.
1003 acessosDeep Purple: Anunciada uma nova coletânea da banda5000 acessosCristina Scabbia: "Símbolo sexual? Fico surpresa com isto!"

"Machine Head” foi gravado em dezembro de 1971 em Montreux na Suíça no interior do Grand Hotel, um hotel de luxo abandonado. O hotel foi a terceira opção da banda; convidados pelo produtor CLAUDE NOBS para a realização da gravação no Cassino de Montreux, o local foi alvo de um incêndio acidental durante um show de FRANK ZAPPA (fato que originou a letra de “Smoke on the water” ).

O álbum é uma verdadeira aula de hard rock setentista, contando com todos os elementos que caracterizariam o estilo a partir daí. “Highway Star”, a faixa que abre o disco surge de um fato prosaico: perguntado por um jornalista a respeito do processo de composição, RITCHIE BLACKMORE respondeu: “ Assim”- com um banjo nas mãos passou a palhetar para baixo uma única nota no instrumento. Surge assim o riff incial da canção que foi completa pela banda naquela mesma noite.

O solo de guitarra da música é outro caso a parte. O próprio BLACKMORE em entrevista admite que, até então, a maioria de seus solos era improvisado por sobre a penta blues. Nesse canção, entretanto, o guitarrista se vale da alternância entre motivos blues e nos últimos compassos do trecho traz a famosa sequência de arpejos em uma corda, influenciando, a partir dali, a base do chamado metal neoclássico dos anos 80.

“Maybe I´m a Leo” surge a partir de um riff criado por ROGER GLOVER (durante as gravações o título provisório da faixa era “Blues riff”) e traz uma idéia simples mas eficiente: a substituição da seqüência (até então) lógica de riff, partindo da tônica (no caso, C). Ainda, segundo o própria baixista, inspirado em” How do you sleep” (faixa de JOHN LENNON) o riff inicia-se no tempo fraco do compasso o que confere uma característica melódica diferenciada para essa excelente canção.

A faixa seguinte “ Pictures of Home” põe em destaque a inacreditável bateria de IAN PAICE trabalhando em contrapontos inacreditáveis. Destaque também para o solo de JON LORD explorando cromatismos além de suas habituais passagens pelo modo frígio. “Never before” e a faixa mais comercial do disco (foi produzida para ser o single do PURPLE na época, mas não colou). Essa faixa apresenta uma incrível mudança tonal e de andamento no meio da canção, com os vocais de GILIAN gravados em double-tracking (técnica de sobreposição de vozes). Show!

Em seqüência vem “Smoke on the water”. Não vou aqui repetir pela enésima vez a história sobre sua composição! O fato é que a música e, principalmente seu riff, estão entre os mais conhecidos da estrada do rock. Um fato interessante, contado no vídeo “Machine Head - Classic Albuns” é o detalhe semi-oculto no áudio em que GILLAN diz “Break a leg, Frank”.

Por falar em riff, a faixa seguinte traz um dos mais brilhantes já criado pelo Purple: “Lazy”. Em pouco mais de sete minutos a banda dispara um clássico no formato blues menor, conduzida pelo petardo pentatônico (alegria de todo guitarrista novato quando desvenda) acrescentado das dissonâncias espertamente espalhadas pela harmonia.

Fechando o disco a paródia do caminhoneiro espacial, cuja criação também merece destaque. Para aqueles que já ouviram “Space Trucking” 132.000 vezes como eu (se ainda não o fez, faça) a introdução (ao contrário do que muita gente pensa) saturada não é feita pela guitarra e sim com o órgão Hammond de LORD plugado em um amplificador Marshall (“a besta” nas palavras do próprio músico). Logo depois o sensacional riff cromático de BLACKMORE (que segundo o próprio foi inspirado na música tema da série Batman).

Track list:

1. "Highway Star"
2. "Maybe I'm a Leo"
3. "Pictures of Home"
4. "Never Before"
5. "Smoke on the Water"
6. "Lazy"
7. "Space Truckin'"

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Machine Head - Deep Purple

2977 acessosDeep Purple: Obra prima escultural da genialidade do homem2378 acessosResenha - Machine Head - Deep Purple5000 acessosResenha - Machine Head - Deep Purple5000 acessosTradução - Machine Head - Deep Purple

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 13 de junho de 2012

Kerry KingKerry King
O Deep Purple influenciou mais o Thrash que o Black Sabbath

1003 acessosDeep Purple: Anunciada uma nova coletânea da banda989 acessosDeep Purple: Ian Gillan, uma das vozes extraordinárias1055 acessosBanda dos sonhos: qual seria a sua?0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Deep Purple"

Bruce DickinsonBruce Dickinson
"Olhei para o Paul Di'Anno e pensei que deveria estar lá!"

Heróis da guitarraHeróis da guitarra
Clipe raro com Blackmore, Iommi, Van Halen

Deep PurpleDeep Purple
Procurando as popozudas no Casseta e Planeta

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Deep Purple"

Cristina ScabbiaCristina Scabbia
"Símbolo sexual? fico surpresa com isto!"

Filhos de RockstarsFilhos de Rockstars
Qualquer coincidência é mera semelhança

RodolfoRodolfo
"O rock brasileiro entrou numa crise desde o começo dos anos 2000"

5000 acessosHeavy Metal: "um conforto para os jovens brilhantes"5000 acessosCovers inusitados: COB tocando Britney? Shakira tocando ACDC?5000 acessosRock Brasileiro da Década de 705000 acessosMetallica: James dividido sobre uso de suas músicas em torturas5000 acessosAxl Rose: veja entrevista para a MTV em 19905000 acessosAquiles Priester: 50 discos essenciais na vida do baterista

Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas. Email para contato: joaopsevero@bol.com.br.

Mais matérias de Paulo Severo da Costa no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online