O baterista conterrâneo que Lars Ulrich chocou: "Como você consegue tocar assim?"
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de agosto de 2025
Antes de se tornar um dos pilares do Volbeat, o baterista Jon Larsen mergulhou no universo do death metal old school. Fã de nomes como Obituary e Death, ele sempre preferiu batidas simples e pesadas à velocidade extrema dos blast beats. "Quando o Death ficou técnico demais, eu perdi o interesse. Pra mim, dois e quatro bastam", contou a Gustavo Maiato do Whiplash.Net.
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A virada veio com um disco específico: "Master of Puppets", do Metallica. Lançado em 1986, o álbum causou um impacto tão profundo que mudou sua perspectiva sobre a bateria. "Foi o primeiro disco que escutei deles e fiquei completamente chocado. Eu pensava: ‘como alguém consegue tocar assim?’", lembra. Foi só depois de vê-los ao vivo naquele mesmo ano que tudo fez sentido. "Aí eu entendi como eles faziam aquilo."
Naturalmente, Lars Ulrich, também dinamarquês, virou uma referência imediata. "Ele foi o primeiro que vi tocando com aquela velocidade e precisão. Quando comecei a tocar em bandas com 15 ou 16 anos, o Metallica virou o modelo. Queríamos chegar naquele nível."
Mas o fascínio pela bateria começou bem antes, ainda na infância, quando Jon viu os Beatles na TV. "Era a coisa mais incrível que eu já tinha visto. A música era ótima, e o Ringo era sensacional. Disse pros meus pais que queria ser ele. O primeiro disco que ganhei foi "Help!", em fita cassete. Aquilo foi o início de tudo."
Pouco tempo depois, veio o impacto com "Kings of the Wild Frontie"r, de Adam and the Ants. "O Adam foi meu primeiro herói musical. Ele tinha dois bateristas na banda, e aquela pegada tribal me pegou de jeito. Até hoje ouço esse disco no carro. Lançado em 1980, ele continua soando gigante."
Entre seus favoritos, também está "Peace of Mind", do Iron Maiden — disco que apresentou Nicko McBrain como novo baterista da banda. "A introdução de Where Eagles Dare é uma das maiores da história. Esse álbum tem tudo o que o Maiden sabe fazer de melhor."
Anos depois, Jon se impressionaria com outro mestre da bateria: Neil Peart, do Rush. Segundo ele, o derradeiro álbum da banda canadense, "Clockwork Angels", lançado em 2012, é um encerramento digno de uma carreira lendária. "É um dos meus discos preferidos do Rush. A banda nunca tocou tão bem. E o Neil... o cara não era só um baterista absurdo — talvez o maior de todos —, mas também um letrista e escritor único. Um verdadeiro gênio."
Com uma bagagem tão diversa — indo dos Beatles ao death metal, passando por Iron Maiden, Metallica e Rush —, não é surpresa que o som de Jon Larsen carregue influências tão variadas. Mas foi com Master of Puppets que tudo mudou: "Eu escutei Battery, Disposable Heroes, Damage Inc. e só pensava: ‘não dá pra ser mais rápido que isso’. Aí veio o Among the Living, do Anthrax, e depois o Reign in Blood, do Slayer. Quando escutei o Dave Lombardo, pensei: ‘acabou. Esse cara é de outro planeta’. E mesmo assim, Lars Ulrich foi o primeiro. Ele me mostrou que era possível."
Confira a entrevista completa abaixo.
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