Resenha - Machine Head - Deep Purple
Por Raul Branco
Postado em 23 de fevereiro de 2000
O que torna um grupo de músicos tão especiais? O que faz de uma certa combinação de artistas a formação clássica de uma banda de rock? O que transforma um disco em um clássico? Por que "Machine Head" na Discografia Básica e por que Deep Purple de novo?
Numa fase que começou com "Fireball", brilhou com "In Rock" e "Machine Head" e, seguramente, até "Made In Japan", o Deep Purple produziu uma série de álbuns que o tirou do semi-anonimato e o colocou no panteão do rock. A formação dessa era de ouro, que trazia alguns componentes originais, era composta pelo líder e fundador John Lord (teclados), Ian Paice (bateria), Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo) e o guitar hero Ritchie Blackmore, um dos maiores divulgadores do som da Stratocaster.
"Machine Head" foi composto e gravado num período de apenas 15 dias (dezembro de 1971) em Montreux, Suíça, com os integrantes ainda chocados pelo incêndio do local onde Frank Zappa and the Mothers of Invention se apresentavam. Este fato deu origem ao maior hit desse disco, "Smoke on the Water", com seu inconfundível riff de guitarra. A letra conta toda história: sua chegada a Montreux com uma unidade móvel de gravação dos Rolling Stones, o incêndio que destruiu o cassino onde Frank Zappa se apresentava, a destruição causada pelo fogo, a procura de um novo local para gravarem, as condições do pequeno hotel escolhido, a acústica auxiliada com colchões empilhados... uma epopéia magistralmente narrada ao som de um grupo impecável.
O disco começava no lado A com "Highway Star", que teve seus verso modificados – para melhor – durante as gravações, a segunda música de "Machine Head" a alcançar as paradas. Em seguida, a intimista "Maybe I’ a Leo" e a – perdoem-me a comparação - wagneriana "Pictures of Home". O lado A fechava brilhantemente com "Never Before".
A guitarra Stratocaster de Blackmore rugia ainda mais alto no lado B, começando pela já citada "Smoke on the Water". Logo após, o ouvinte era brindado com uma viagem de mais de sete minutos em cima de um rock básico, com cara de Elvis Presley, intitulado "Lazy". Depois de uma pequena abertura de John Lord em seu Hammond, uma introdução instrumental perfazendo quatro minutos e vinte segundos, com destaque para o solo limpo e preciso de Blackmore, até a subida do tom e a entrada de Ian Gillan, reclamando "You’re lazy, you just stay in bed..."
O disco terminava com "Space Truckin", uma música característica d Purple, que tranqüilamente poderia estar em qualquer antologia de rock. Nela o mais importante era a massa sonora que serve de base para a voz de Gillan e o único ponto do disco onde Paice arrisca um pequeno solo de bateria.
Respondidas todas as perguntas? Não? Então ouça "Machine Head" e descubra as repostas!
Outras resenhas de Machine Head - Deep Purple
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
O músico que Sammy Hagar queria dar um soco na cara: "O que acha que vou fazer?"
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Segurança de Bob Dylan revela hábitos inusitados do cantor nas madrugadas brasileiras
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Alex Skolnick entende por que Testament não faz parte do Big Four do thrash metal
A melhor faixa de "Senjutsu", segundo o Heavy Consequence
Folha cita "barriga enorme" de Brian Johnson em resenha sobre show do AC/DC em SP
O ator que estragou uma canção de rock clássico, de acordo com Jack Black; "hedionda"
O pior solo de guitarra do Angra de todos os tempos, segundo Rafael Bittencourt
Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
Bono explica o real significado da canção mais mal compreendida da história do U2
As bandas brasileiras que aqui são underground e lá fora são sucesso, segundo Bruno Sutter
Ronnie James Dio: por que ele odiava a música "Rainbow In The Dark"?




A música que deixou Ritchie Blackmore sem reação em 1970; "um som grande, pesado"
Como Ringo Starr, Isaac Azimov e Lúcifer inspiraram um dos maiores solos de bateria do rock
Hits dos Beatles, Deep Purple e The Doors com riffs "roubados" de outras músicas
A respeitosa opinião de Dave Mustaine sobre Ritchie Blackmore
O guitarrista que Ritchie Blackmore acha que vai "durar mais" do que todo mundo
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



