Resenha - Machine Head - Deep Purple
Por Beto Guzzo
Postado em 19 de maio de 2005
Pode ser que sim, pode ser que não. Mas eu aposto como tem muito roqueiro que, a despeito da realização de Led Zeppelin IV (e outros), acha este o melhor álbum de rock já lançado em todos os tempos. Sinceramente, tirando o emocional de campo, os purple-maníacos tem uma ponta de razão pois o álbum é excelente, da primeira a última música.
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Quando Ian Gillan (vocais), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo), John Lord (teclados) e Ian Paice (bateria) gravaram Machine Head em março de 1972, eles estavam esgotados dos shows da turnê anterior e foram gravar num lugar supostamente tranquilo: Montreux, Suiça. Como veremos mais para frente na história de Smoke on the Water, foi um ledo engano!
O play começa arrasador, 220v mesmo: Highway Star, com um Blackmore muito inspirado e Lord dando show... a música é um fôlego só o que, na época, o Gillan tinha de sobra. Maybe I’m a Leo diminui o ritmo sem deixar a bola cair. Pictures of Home é uma das preferidas da banda e até hoje é tocada nos shows. A entrada alucinante de Paice dá uma amostra do que está para acontecer: Lord arrepiando e Glover (até ele, sempre comedido) tendo talvez seu melhor momento do trabalho. Na guitarra, Ritchie faz solos que... bom, deixa prá lá. Never Before foi uma tentativa da banda de fazer a coisa mais comercial possível. Parece que conseguiram. Roger: "alguns dias após termos gravado a faixa, nós cantarolávamos a melodia da música em todo o lugar e então percebemos que ela estava em nossas cabeças".
A quinta faixa... bom, a quinta faixa é Smoke on the Water. Logo na introdução, Paice e Roger se juntam ao riff de Blackmore, que se tornaria o mais popular da história do rock. A música nem tem momentos de extremo virtuosismo de nenhum integrante. Mas caiu na graça da galera e aí foi só correr para o abraço. Lazy, por exemplo, já é muito mais trabalhada e é um dos pontos fortes do álbum. Com a guitarra jazzy que flui do Blackmore e um help de Paice, Lord faz uma introdução muito inspirada deixando claro que todos na banda são capazes de comporem e tocarem com excelência. Só no meio da música Gillan dá o ar de sua graça. O álbum fecha com Space Truckin’, uma pancada nos ouvidos feita única e exclusivamente para Glover e Gillan poderem mandar ver, já que a letra é um nonsense só.
Também considero este trabalho um dos cinco melhores álbum de rock de todos os tempos.
Curiosidades:
Machine Head foi gravado no estúdio móvel dos Rolling Stones. Foi também onde o Led gravou Led Zeppelin IV (discoteca básica VII). Parece que o Imposto de Renda inglês era bem faminto e a melhor saída foi gravar num bom estúdio móvel... o do Rolling Stones devia ser o melhor na época.
Smoke on the Water tem uma história muito interessante... ela narra os incidentes ocorridos em 6 de dezembro quando Frank Zappa e sua banda se apresentavam no mesmo Casino que o Purple faria os shows. Gillan conta: "Nós fomos ao Casino para ver o show do Zappa, sentamos em cadeiras realmente legais na primeira fila. Antes do fim do show, que estava espetacular... um cara veio com um lança sinalizador e atirou no teto". Não deu outra: faíscas do sinalizador atingiram a rede elétrica e o fogo começou. Como a estrutura do Casino era quase toda de madeira, ardeu até o final. "Nós nos sentamos em um bar cerca de um quarto de milha do Casino... o vento vinha das montanhas e levava a fumaça e as chamas para cima, como se a fumaça formasse uma cortina sobre o lago". A imagem da fumaça negra sobre o lago de Genebra deu o título à musica... Smoke on the Water!!!
Com isso, ao banda ficou sem pico para gravar e acabaram no Grand Hotel, que estava vazio devido à estação de inverno. A grande ironia: eles gravaram um dos melhores trabalhos de rock de todos os tempos em corredores de um hotel vazio e o grande hit do álbum conta a história de um maluco incendiário que pôs fogo no lugar onde eles iam gravar o álbum...
Long Live Rock’n’Roll
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