Angel Witch: Uma boa surpresa deste ano de 2012
Resenha - As Above, So Below - Angel Witch
Por Christian Costa
Postado em 09 de abril de 2012
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O grupo ANGEL WITCH não lançava um LP só com composições inéditas desde 1986. Felizmente, foi o que aconteceu agora em 2012 com As Above, So Below, que saiu pela Metal Blade. O fato de não haver estardalhaço em cima disso comprova o quanto esta banda é uma das mais injustiçadas da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal). Não questiono: é uma tarefa hercúlea se destacar quando Iron Maiden, Judas Priest e Motörhead são participantes de sua cena musical. Mas certas composições do conjunto, como Evil Games, Dream World e Atlantis (lançadas na década de 1980) mereciam mais prestígio do que conseguiram. Aliás, não só essas faixas, mas as deste novo álbum também valem muito a escuta.
Desde a abertura do disco, com a ótima Dead Sea Scrolls, a banda dá sinais de ser veterana. Os timbres parecem clássicos (mas aperfeiçoados) e principalmente a produção releva o peso característico de um grupo das antigas. Remete bastante à sonoridade que o Black Sabbath conseguiu em álbuns dos anos 1990, como Dehumanizer e Reunion. Contudo, mais do que o prazer de escutar um conjunto experiente, a melhor sensação é a de que você está diante de puro ANGEL WITCH, antes mesmo da faixa inicial completar um minuto. É uma composição típica deles, algo que alivia quem escuta e afasta o pesadelo da reinvenção equivocada - não há nada disso por aqui.
Entre os aspectos que caracterizam o ANGEL WITCH, além das diversas partes com guitarra dobrada e a voz peculiar de Kevin Heybourne, está a estrutura de cada música, com seções homogêneas e bem ligadas. Cada verso parece casar muito bem com o refrão que vem em seguida e mesmo as pontes e partes alternativas soam muito bem encaixadas. Essa virtude ajuda bastante o álbum a fluir naturalmente.
Heybourne, único membro remanescente, continua bom à frente das guitarras do ANGEL WITCH, e é preciso salientar o quanto sua voz também continua boa. Muitos vocalistas considerados superiores a ele tiveram queda de rendimento drástica desde os anos 1980. Em seu caso, por mais que o timbre tenha mudado um pouco, seus principais atributos permaneceram, mantendo o som ainda mais fiel à sua fase áurea. Seja em seus vibratos ou nos demais aspectos de sua interpretação vocal, às vezes a impressão é de que ele está até melhor, com mais controle e mais expressivo.
Outra coisa que também chama atenção sobre Heybourne são seus solos, que não são burocráticos nem demonstrações vazias de vasto repertório de técnicas. A consciência melódica do músico, evidente em faixas como Gebura, faz com que essas intervenções tenham tanto potencial narrativo quanto a composição inteira.
A quarta faixa, The Horla, tem seu título baseado no conto homônimo de Guy de Maupassant, considerado uma das principais inspirações para o autor H.P. Lovecraft. A deduzir pelas capas da banda (a deste álbum vem de uma tela de 1853, feita por John Martin), Call of Cthulhu certamente está entre as histórias favoritas de Heybourne. E, falando em terror, é notável a influência de Black Sabbath sobre este som. O refrão desta canção em particular é viciante como o de bons refrões do Sabbath - e, no todo, o clima nela pode até lembrar músicas mais leves do Iron.
O começo galopante de Witching Hour também pode remeter à banda de Steve Harris, que muitos sempre considerarão melhor em peso, velocidade, solos, criatividade e técnica. Essa superioridade até pode ser verdadeira sob certo viés, mas tendo em vista as composições do ANGEL WITCH, que seguem outra linha e tiveram interpretação competente de seus integrantes, não há necessidade de disputas. Há grande personalidade neste conjunto e isso continua evidente neste álbum. Brainwashed fecha o disco reiterando que os fãs antigos não se decepcionarão com o resultado e qualquer entusiasta da tríade sagrada (Sabbath, Purple e Led), da NWOBHM ou mesmo do hard rock norte-americano deve conferir o som desse grupo, seja pelos álbuns clássicos ou por esta boa surpresa de 2012 chamada As Above, So Below.
01 - Dead Sea Scrolls
02 - Into The Dark
03 - Gebura
04 - The Horla
05 - Witching Hour
06 - Upon This Cord
07 - Guillotine
08 - Brainwashed
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O dia em que Brian May e Tony Iommi viram Eddie Van Halen brincar com uma guitarra
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
A música gravada pelo Iron Maiden que foi uma "dor de cabeça" para Paul Di'Anno
O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
O músico que só gostava do Pink Floyd na fase Syd Barrett
"Não consigo mais fazer isso"; a cruel frase que Freddie Mercury disse a Brian May
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
A música do Guns N' Roses que nasceu diferente das outras, segundo Duff McKagan
O álbum que Robert Plant acredita que ajudou a salvar o Led Zeppelin
Como o Police usou as brigas entre seus integrantes para produzir um álbum
O álbum mais subestimado do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Um dos nossos melhores"
David Ellefson não faz mais parte da banda Dieth
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
Os 5 melhores discos do Metallica, segundo o Classic Rock History
Regis Tadeu comenta quais artistas de rock do Brasil dos anos 1970 ele tiraria o chapéu
Prika Amaral explica por que decidiu se tornar vocalista da banda Nervosa
Os 10 maiores álbuns da história do grunge, em lista do Brave Words


5 clássicos da New Wave of British Heavy Metal indispensáveis para entender o fenômeno
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



