O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos
Resenha - Slade Alive! - Slade
Por Isaias Freire
Postado em 19 de setembro de 2023
Fãs adoram listas: os 10 melhores, os 10 piores, os 100 mais vendidos, as 10 melhores capas... Não sou diferente, adoro minhas listas, porém, resolvi fazer algo um pouco mais desafiante: escolher o melhor disco de rock de todos os tempos – tarefa inusitada, difícil, quase impossível e ingrata.
Como não escolher "Made in Japan" do Deep Purple ou "At Fillmore East" do The Allman Brothers Band ou tantos outros que encabeçam milhares de listas? Muitos irão falar que é blasfêmia, que estou louco e que o melhor ao vivo de todos os tempos é "Live After Death" do Iron Maiden, ou qualquer outro... mas vamos lá.

O ano era 1976, eu, então com 12 anos, entrava pela primeira vez em uma loja de discos e, por influência do vendedor, sai de lá com três LP´s: "Led Zeppelin II", "Going for the One" do Yes e o álbum que seria o motivo deste artigo, "Slade Alive!", sim "Slade Alive!" o melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos.
Esqueça as suíças e a boina do vocalista Noddy Holder, esqueça também o cabelinho e as botas de plataforma prateada do guitarrista Dave Hill, esqueça o estilo Glam, que só fui tomar ciência da expressão anos e anos depois – isto não aparecia no LP de capa simples que, sem nenhuma informação adicional, só mostravam a foto da capa e seu conteúdo, o rock.
E a capa é puro rock! Em seu vermelho sangue, identifica-se ao fundo o vocalista Noddy Holder olhando para o guitarrista Dave Hill, em uma posição de puro êxtase enquanto sola. Capa ícone!
No interior dela, um disco curto e grosso, com sete músicas, 39 minutos, rock de verdade. O disco começa com "Hear Me Calling", uma música do Alvin Lee, aquele guitarrista do Ten Years After que, por muitos anos, foi tido como o guitarrista mais rápido do rock. A crueza aparece logo no início, na primeira faixa, as palmas da plateia dominam a entrada, um solo fantástico começa aos 1,29 minutos e depois Noddy Holder chama a plateia para ajudar. A segunda, "In Like a Shot from My Gun" vem com um rock perfeito, com direito a coral no refrão. Depois com "Darling Be Home Soon", a plateia e o baixo dizem para que vieram nesta música que começa lenta e tem um arroto, logo depois do solo. O disco continua com "Know Who You Are" uma música potente e com uma guitarra bem típica da época. A quinta música nos remete ao "rock and roll" estilo Bill Haley, transportado para os anos 70, quando a interação com o público faz a maior diferença. A sexta, "Get Down and Get With It", é um rock veloz e pulsante, em que, mais uma vez, o público é o quinto músico. O disco termina com o clássico, "Born to Be Wild", releitura enérgica, poluída e maravilhosa da música do Steppenwolf.
Depois deste disco, o Slade emplacou vários sucessos, incluindo "Cum Feel the Noise" que foi regravado pelo Quiot Riot e pelo Oasis, porém, nunca mais conseguiu um disco tão bom quanto o "Slade Alive!".
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