Resenha - Hypnotize - System Of A Down
Por Ricardo Seelig
Postado em 04 de dezembro de 2005
Nota: 9 ![]()
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Dando seqüência ao ótimo "Mesmerize", o System Of A Down acaba de lançar a sua "segunda" parte, "Hypnotize". Segunda porque as músicas dos dois álbuns foram compostas e gravadas na mesma sessão, no que seria originalmente um álbum duplo, mas a banda, por pressão da gravadora, acabou lançando-as em dois álbuns distintos, separados por apenas seis meses ("Mesmerize" chegou às lojas no dia 17 de maio, enquanto "Hypnotize" saiu neste último 22 de novembro), o que acabou se revelando um bom negócio tanto para os fãs, que não precisaram desembolsar o valor de um CD duplo, quanto para a banda, que vê o interesse pelo seu trabalho renovado e crescendo ainda mais. Mas tudo isso não valeria nada se o que importa, que é a música, não fizesse a diferença, e neste aspecto o System Of A Down pode colocar o ano de 2005 como destaque em sua história.
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Seguindo o exemplo de "Mesmerize", o novo álbum também chega às lojas em uma bela edição digipack, e, ao colocar o disquinho no CD player, a pancadaria corre solta como tem que ser. "Attack", a faixa de abertura, abre o álbum em altíssima velocidade, com a guitarra de Darion Malakian e a bateria de John Dolmayan quebrando tudo. Uma porrada fortíssima no ouvido, com um refrão muito forte. A caótica "Dreaming" entra a seguir, e na verdade nem parece outra faixa, mas sim uma continuação de "Attack". Novamente com o pé embaixo, mostra que o grupo não está para brincadeira. Mas, quando você pensa que a faixa vai seguir assim até o final, entra um dos principais fatores de destaque que levaram "Mesmerize" a ser um sucesso em todo o mundo: a imprevisibilidade, a coragem de virar a música de cabeça para baixo, e, o mais importante, a capacidade e a criatividade do grupo, alcançando resultados de cair o queixo.
A alternância entre as vozes de Daron e do vocalista Serj Tankian se destacam na provocativa "Kill Rock´N Roll", um dos grandes destaques do disco. Mas é a faixa título que realmente rouba a cena em "Hypnotize". Nesta música, toda a evolução do grupo, principalmente nas linhas vocais, é palpável. A performance do ótimo Darian Malakian é de arrepiar, com a sua voz fazendo um contraponto interessantíssimo com a de Serj, inserindo ainda mais dramaticidade à canção. O primeiro single do álbum não poderia ter sido escolhido de forma melhor.
O pau volta a comer solto em "Stealing Society", "Tentative" e "U-Fig", todas com uma sonoridade mais crua, verdadeiros tapas na cara da conservadora sociedade americana, que, não contente em eleger George W. Bush como seu presidente, ainda cometeu a estupidez de lhe conferir um segundo mandato.
"Holy Mountains", a mais longa do álbum, com quase seis minutos, é também a mais melancólica. Belas linhas vocais conduzem o ouvinte a uma explosão sonora poderosíssima. Densidade em estado bruto, que alterna momentos mais calmos com andamentos mais pesados. Uma espécie de suíte de "Hypnotize", mas que peca pela duração excessiva e pelas repetições além da conta.
A anárquica "Vicinity Of Obscenity" coloca o trem novamente nos trilhos, em uma surpreendente mistura de punk, dance music e pop (?!?!??!?). A deliciosa "She´s Like Heroin" une o caos ao pop, e serve de ponte para a ótima "Lonely Day", ao lado da faixa título o grande destaque do álbum. Mais uma vez colocando o pop lado a lado com o rock, o System Of A Down compôs uma grande canção, unindo melancolia e energia em uma faixa que, a não ser que eu esteja muito enganado, será figura constante na programação das rádios e da MTV durante boa parte de 2006.
"Hypnotize" fecha com "Soldier Side", cuja introdução abria o álbum anterior. Um excelente encerramento não só para o álbum, mas para todo o conjunto de canções que o grupo entregou ao mundo nos dois discos.
De uma forma geral, "Hypnotize" é mais direto e ainda mais agressivo do que "Mesmerize", mas não chega nem perto do conjunto e da unidade deste último. Sem dúvida alguma, o System Of A Down colherá, a partir de agora, os muitos frutos de sua saudável ousadia, devendo crescer ainda mais não só nos EUA, mas em todo o mundo.
Uma dica: compre os dois CDs e ouça as músicas na ordem. A experiência será gratificante (que o diga George W. Bush, o principal alvo das críticas do grupo nas 23 músicas dos dois discos).
Faixas:
01. Attack
02. Dreaming
03. Kill Rock´N Roll
04. Hypnotize
05. Stealing Society
06. Tentative
07. U-Fig
08. Holy Mountains
09. Vicinity Of Obscenity
10. She´s Like Heroin
11. Lonely Day
12. Soldier Side
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