Lin: Requisitos para agradar de imediato o público gospel

Resenha - Estrada de Sonhos - Lin

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Por Paulo Finatto Jr.
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Com pouco destaque na mídia especializada, o rock católico conquistou a sua independência, e possui atualmente nomes de muita representatividade para o cenário brasileiro, como as bandas OFICINA G3 e ROSA DE SARON. Com o intuito de construir uma carreira de sucesso, muitos artistas investem em uma proposta semelhante, como é o caso do mineiro LIN. O músico, que gravou em 2009 o seu primeiro álbum, intitulado “Estrada de Sonhos”, mostra todos os pré-requisitos necessários para que o seu pop/rock possa agradar de imediato o público gospel.
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Em carreira artística desde que tinha quinze anos, LIN já passou por uma série de ministérios de música gospel e integrou, na década de noventa, a banda MARANATHA, como vocalista e baixista. Por conta de toda essa bagagem, o álbum “Estrada de Sonhos” – o primeiro registro solo do mineiro chamado Lindemberg Albino – pode ser definido como o resultado mais plausível do seu amadurecimento musical, já que muitas das músicas encontradas no disco foram escritas – e até mesmo gravadas – entre o final dos anos oitenta e o início da década de noventa. De certo modo, “Estrada de Sonhos” falam muito também sobre o próprio artista, que em 2009 finalmente concretizou o grande desejo de ver o seu primeiro CD pronto, mesmo que de modo independente.

O repertório de “Estrada de Sonhos” é extremamente simples, mas contagiante na medida certa. Por investir em uma sonoridade mais próxima do pop e às vezes distante dos elementos mais marcantes do rock n’ roll, o primeiro álbum de LIN tem, provavelmente, o intuito de se inserir numa perspectiva comercial. A tentativa de agradar um público mais heterogêneo até poderia ser entendida como uma simples jogada de marketing, se não fosse o fato do o músico contornar toda a sua obra com uma boa dose de sinceridade. Portanto, o resultado de “Estrada de Sonhos” é capaz de convencer o ouvinte de imediato, mesmo com todos os elementos radifônicos e imprescindíveis da música pop. O que se sobressai em uma hora de um pop/rock é o bom gosto de Lindemberg Albino como compositor e a sua consciência para lapidar todo o repertório até o ponto certo/necessário.

Com uma voz até que potente para o pop, LIN abdicou de executar demais instrumentos para se concentrar na sua performance como cantor. A escolha dos músicos de estúdio – Nanji (violão/guitarra), Raone Franco (baixo/teclado/bateria) e Ale Romano (piano) – certamente contribuiu para que “Estrada de Sonhos” soe de maneira extremamente agradável. No entanto, o disco apresenta uma falha: a ausência de um timbre mais adequado para os momentos mais rock n’ roll. A abertura da obra, com a faixa “Antes que os Montes Nascessem”, evidencia muito bem isso: as melodias mais cadenciadas ficaram ótimas, mas na hora de inserir uma carga emotiva (e instrumental mais intensa) durante o refrão, faltou um pouco de clareza sonora. A vantagem é que o problema do CD fica restrito apenas a esse ponto técnico.

Como citado anteriormente, a principal virtude do álbum é justamente a de apresentar músicas de qualidade, mas de muita simplicidade também. Com uma pegada mais blues, “Louve ao Senhor” é extremamente reta, mas funciona muitíssimo bem, assim como “Coração Adorador”, que conta ainda com um bonito solo de guitarra e um toque quase que típico do reggae. Porém, é a pesada “Povo Forte” que desponta como o melhor momento do disco. Por mais que a voz de LIN evidencie certa dificuldade em se enquadrar a uma proposta instrumentalmente mais agressiva – vide a faixa “Greg” – o feeling de “Povo Forte” é o que prevalece. Para complementar o espectro destacável, “Estrada de Sonhos” passeia de modo natural em toda a versatilidade rítmica do disco – a balada que empresta o nome ao álbum é também outro momento ímpar dentro da obra, assim como a bonita “Quero Te Buscar”.

O encerramento de “Estrada de Sonhos” é em grande estilo. Embora as quatro últimas faixas instrumentais sejam aparentemente desnecessárias, já que perdem as boas melodias proporcionadas pela voz de LIN, a acústica “O Nome do Senhor” é mais uma música que pode ser mencionada como um destaque à parte. Em cerca de uma hora, o mineiro Lindemberg Albino construiu um ótimo debut, mesmo que o álbum provavelmente fique restrito aos adeptos da música evangélica. De qualquer maneira, o pop/rock de bom gosto é o que se sobressai e o que contorna “Estrada de Sonhos” do início ao fim. O primeiro registro do mineiro LIN é fruto de muito trabalho e não pode ser rotulado apenas com o estigma de “sorte de principiante”.

Site:
http://www.lin.mus.br

Track-list:

01. Antes que os Montes Nascessem
02. Inclina-Me
03. Louve ao Senhor
04. De Todo Coração
05. Coração Adorador
06. Greg
07. Estrada de Snhos
08. Povo Forte
09. Quero Te Buscar
10. Santo Espírito
11. O Nome do Senhor
12. Doxologia
13. Estrada de Snhos (Playback)
14. Quero Te Buscar (Playback)
15. Santo Espírito (Playback)
16. O Nome do Senhor (Playback)

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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