O disco em que o Megadeth tirou o pé - e acertou a mão
Resenha - Symphony of Destruction - Megadeth
Por Mateus Ribeiro
Postado em 15 de maio de 2025
O "livro" que narra a trajetória do Megadeth começou a ser escrito em abril de 1983, quando o talentoso e temperamental guitarrista Dave Mustaine foi expulso do Metallica. Movido por ressentimento, ele cruzou os Estados Unidos em uma jornada de quatro dias, de Nova York até a Califórnia. Durante o percurso, tomou uma decisão que mudaria sua vida: formar sua própria banda. Nascia ali um dos maiores expoentes do thrash metal.
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Nos três primeiros álbuns — "Killing Is My Business... and Business Is Good!" (1985), "Peace Sells... but Who's Buying?" (1986) e "So Far, So Good... So What!" (1988) — o Megadeth entregou faixas explosivas e caóticas, marcadas por velocidade, agressividade e peso. E a atmosfera intensa não se restringia ao som: mudanças frequentes na formação e problemas com drogas minavam a estabilidade da banda, comandada por Mustaine — agora não apenas guitarrista, mas também vocalista, posição que não ocupava nos tempos de Metallica.
A virada veio entre 1989 e 1990, com a entrada do baterista Nick Menza e do guitarrista Marty Friedman, que se juntaram a Mustaine e ao baixista David Ellefson. Com essa formação clássica, o grupo registrou "Rust in Peace", lançado em setembro de 1990 — uma verdadeira obra-prima.
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Repleto de faixas velozes, complexas e marcantes, o quarto álbum de estúdio colocou o Megadeth no topo. "Holy Wars… The Punishment Due", "Hangar 18", "Tornado of Souls" e "Five Magics" revelaram ao mundo a força e o potencial de uma banda em plena ascensão.
A expectativa era que o Megadeth seguisse a mesma fórmula no álbum seguinte. Mas não foi bem assim. O sucessor desse clássico soa diferente de tudo que a banda havia feito até então.
Lançado em julho de 1992, "Countdown to Extinction" revela um outro lado do Megadeth. A velocidade intensa dos primeiros trabalhos deu lugar a ritmos mais cadenciados, enquanto os arranjos complexos foram substituídos por melodias mais diretas e acessíveis. Ainda assim, o peso — marca registrada da banda — permaneceu intacto.
A nova abordagem, temperada com elementos de heavy metal e hard rock, proporcionou excelentes resultados, o mais notável deles "Symphony of Destruction". Curta, direta, pesada e com um riff inesquecível, essa música se tornou o maior sucesso do Megadeth, além de presença garantida nas apresentações ao vivo.
Seguindo a linha de "Symphony of Destruction", temos as agitadas "Skin O' My Teeth" e "Sweating Bullets", a reflexiva "This Was My Life" e a emocionante faixa-título. "Foreclosure of a Dream", "Architecture of Aggression", a impressionante "Ashes in Your Mouth" e "Captive Honour" também merecem destaque especial.
Através de "Countdown to Extinction", o Megadeth mostrou que era capaz de impactar seus fãs ao expandir os limites do thrash metal. A aposta deu muito certo, pois esse é o trabalho mais vendido da banda e chegou a alcançar o segundo lugar nas paradas da Billboard.
Para o sucessor de "Countdown to Extinction", Mustaine manteve a mesma formação e repetiu a receita bem-sucedida. Mas isso é história para outra matéria. Agora é hora de apertar o play e curtir o disco em que o Megadeth tirou o pé — e acertou a mão.
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