RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Metal Hammer e Classic Rock classificam álbuns do Iron Maiden do pior ao melhor

Jimmy Page relembra capa de 1973 que o fez expulsar designer da sala: "Insulto"

A música de 1971 que incendiou Bono e mudou sua forma de enxergar o mundo

Dave Mustaine fala sobre sequelas do tratamento contra o câncer

Suicide Silence anuncia seu novo álbum de estúdio, "Graceless"

Show de drones em Manchester indica nova turnê do Oasis em 2027

O "melhor ao vivo do rock" pode não ser tão ao vivo, sugere Humberto Gessinger

Mike Portnoy relembra álbum do Dream Theater que traz Torres Gêmeas em chamas na capa

Rafael Bittencourt explica por que o Angra voltou a olhar para a fase Andre Matos

Mastodon se pronuncia sobre ação movida por espólio de Brent Hinds

10 músicas de rock e metal diretamente inspiradas pelo 11 de setembro

A piada que o Anthrax fez sobre mudança de nome na época do 11 de setembro

Steven Wilson anuncia novo álbum solo, "Requiem for a Village"

Documentário oficial "Long Live Def Leppard" será lançado em 2027

O e-mail de Andre Matos que deu aval para Bruno Sutter ser vocalista do Angra


Foo Fighters

Quando se tornou uma vergonha dizer que gostava de Raul Seixas

Por
Postado em 28 de maio de 2025

Quando Raul Seixas lançou "Maluco Beleza" em 1977, talvez não imaginasse o tamanho que a música tomaria. Feita às pressas no estúdio, a partir de uma melodia antiga de Cláudio Roberto, a canção se transformou num hino atravessando classes sociais, idades, estilos e regiões do Brasil. Raul havia encarnado de vez a figura do outsider libertário — "um maluco normal, na loucura real" — que o tornaria símbolo de uma resistência cultural brasileira.

Raul Seixas - Mais Novidades

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Com o tempo, porém, o sucesso da música passou a pesar sobre sua própria obra. "Maluco Beleza" atraía multidões, mas também consolidava uma caricatura. A figura do "maluco beleza" foi adotada por um exército de alternativos inofensivos, de hippies de fim de semana a artesãos de beira de praia. Em meio à ascensão do pós-punk nacional e da patrulha estética das décadas seguintes, Raul passou a ser visto como algo menor, um personagem deslocado.

Surgiu ali um preconceito velado, mas brutal. Declarações de amor a Raul passaram a soar constrangedoras em certos círculos. Assumir-se fã virou, para muitos, um tipo de confissão vergonhosa. A patrulha do novo "bom gosto" buscava empurrar Raul para um gueto, como se ele pertencesse a uma espécie de subcultura descartável. Era o preço que se pagava por ter criado um hino tão acessível quanto "Maluco Beleza".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Obviamente, nem todos passaram por esse constrangimento. Muita gente seguiu ouvindo Raul com orgulho e sem filtros, especialmente fora dos grandes centros e entre fãs que não estavam nem aí para validação crítica. Mas havia sim uma camada de público — geralmente mais próxima das tendências dominantes ou do jornalismo musical da época, que começou a tratar Raul como sinônimo de mau gosto.

Curiosamente, o nascimento da própria "Maluco Beleza" carrega elementos que desmontam essa simplificação. A melodia havia sido mostrada por Cláudio Roberto a Raul ainda em 1976, e chegou a receber uma letra em inglês antes de virar a versão definitiva. A gravação foi feita em cima da hora, com arranjo de Miguel Cidras e letra ajustada ali mesmo no estúdio. Mais uma vez, Raul usava colagens, referências e improviso para criar algo que soasse popular e ao mesmo tempo provocador.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Nos anos 1990, o preconceito parecia consolidado. Em pleno auge da MPB pop e da "inteligência" musical da era Lulu Santos e Herbert Vianna, gostar de Raul era quase assumir uma identidade fora de moda. Mas a internet derrubaria esse muro. A partir dos anos 2000, com a circulação livre de informações e o fim das mediações tradicionais, Raul foi redescoberto por uma geração que não carregava mais esse filtro estético.

Jotabê Medeiros relata no livro "Não Diga Que A Canção Está Perdida" (Amazon): "Gostar de Raul era como assumir uma condição de decadência irremediável", diz. "Essa muralha foi construída de propósito como forma de conter qualquer contaminação do gosto de classe, e só começou a cair nos anos 2000, com a popularização da internet. Com a informação sem comportas da rede, sobreveio também uma série de desmascaramentos de barreiras artificiais estéticas e sociais, e os jovens se libertaram de muitas tutelas invisíveis. Aconteceu uma mega implosão das grandes patrulhas e Raul recobrou sua vitalidade, sua saga libertária voltou a incendiar as mentes dos jovens, o seu surto criativo voltou a inspirar legiões de inadequados."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Hoje, "Maluco Beleza" (youtube) segue sendo a música mais tocada de Raul Seixas segundo o Ecad. E, ao que tudo indica, não será esquecida tão cedo. O que antes soava como clichê, agora voltou a ser grito de afirmação — inclusive por quem um dia hesitou em dizer em voz alta que gostava de Raul.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Stamp

publicidadeGustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
Mais matérias de Bruce William.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS