A canção de Mark Knopfler para uma Rainha que foi arruinada por outro guitarrista lendário
Por Bruce William
Postado em 31 de outubro de 2023
Quando se pensa em Dire Straits, se pensa em Mark Knopfler. O virtuoso guitarrista, cantor e compositor britânico se destacou no cenário do rock contemporâneo alcançando fama internacional com sucessos inesquecíveis como "Sultans of Swing" e "Money for Nothing", canções que se tornaram notáveis graças à técnica única de Knopfler, que combina elementos de fingerstyle e toque ágeis com os dedos, que ressalta a sua capacidade de criar melodias cativantes e letras sugestivamente poéticas.
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Após estabelecer sua carreira como líder do Dire Straits, Mark Knopfler também se destacou como um compositor talentoso que escreveu trilha sonoras e contribuiu com músicas para outros artistas. E um dos principais exemplos de seu trabalho como compositor é o da canção "Private Dancer", que se tornou um grande sucesso e um marco na carreira da fabulosa Tina Turner.
Conforme relata o Songfacts, Mark escreveu a música para o Dire Straits na época do "Love Over Gold" de 1982, mas percebeu que como o tema se tratava de uma dançarina particular que realizava performances em troca de dinheiro, mesmo usando uma boa dose de licença poética ela não soaria tão boa com um homem cantando.
"Quando ele me mostrou a demo, cantava 'Sou uma dançarina privada, danço por dinheiro, faço o que você me pedir', e eu disse para ele que tinha razão, não era uma música para um cara. Mas eu adorei muito. Não pensei se era uma garota de programa ou uma dançarina particular, mas decidi pegar a música", contou Tina Turner em uma entrevista de 2004 com o seu fã clube, revelando que só depois de lançada ela percebeu que a letra poderia se referir a uma profssional do sexo. No começo de sua carreira, Tina fazia shows musicais particulares no Texas, então ela via a coisa de "dançarina particular" como algo meio inocente. "Acho que sou meio ingênua sobre essas coisas", disse a cantora.
Tina gravou a música em seu álbum de 1984, que acabou sendo batizado com o mesmo nome. Apesar de já existir uma gravação feita pelo Dire Straits, ela não pôde ser aproveitada por questões legais, então a banda regravou a parte instrumental como base para o vocal de Tina, mas Mark estava envolvido com outros compromissos e não pôde participar, então o solo de guitarra acabou sendo feito por ninguém menos que Jeff Beck.
Beck revelaria mais tarde que não cobrou cachê em dinheiro para gravar o solo, mas sim algo muito mais marcante: "Tina fez uma dedicatória na minha guitarra. Ela dedicou um tempo a isto, chegando a ponto de contornar cuidadosamente o texto com esmalte de unha de pérola esverdeada", disse. Uma foto desta guitarra pode ser vista no facebook oficial de Jeff Beck.
Apesar de ser uma lenda da guitarra, o trabalho de Jeff não agradou o autor da canção, que disse durante uma entrevista em 2009 com a Stuff que a música "foi arruinada devido a terem convocado Jeff Beck para tocar o segundo solo de guitarra mais feio do mundo", nas palavras de Knopfler.
A seu favor, Mark teve também uma declaração da própria Tina: "Gostaria que vocês pudessem ouvir a versão do Mark. Ele tem uma voz com sotaque bem britânico que fez dela realmente muito bonita, uma canção muito artística... eu apenas acrescentei um pouco da velha alma soul ali", disse a Rainha do Rock'n'Roll internacional que nos deixou neste ano de 2023, assim como a Rainha do Rock'n'Roll aqui no Brasil, Rita Lee, que também partiu em 2023. (E este texto é dedicado à Sabrina, outra Rainha que também se foi neste mesmo ano) :´(
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