O álbum que transformou o fim de uma banda em uma obra de arte melancólica e bela
Resenha - Funeral Album - Sentenced
Por Mateus Ribeiro
Postado em 20 de maio de 2025
Situada ao norte da Europa, a Finlândia abriga uma das cenas mais ricas e diversas do heavy metal. De lá surgiram bandas que ajudaram a moldar diferentes estilos dentro do gênero, como Nightwish, Stratovarius, Children of Bodom, Sonata Arctica, Amorphis, HIM e Sentenced — cada uma contribuindo, à sua maneira, para consolidar a reputação do país como um dos grandes celeiros da música pesada.
A última banda citada no parágrafo anterior iniciou suas atividades no fim dos anos 1980. Nos primeiros registros, o Sentenced apostava em um death metal sombrio. Com o tempo, porém, o som foi tomando novos rumos e se aproximando do gothic metal. As melodias se tornaram mais acessíveis, como já se nota em "Down" (1996), quarto álbum da carreira e o primeiro com o vocalista Ville Laihiala.
Nos trabalhos seguintes, o Sentenced manteve o foco em melodias tristes, diretas e cativantes — uma combinação que rendeu canções marcantes. "Farewell", "Mourn", "Killing Me Killing You", "Dead Moon Rising", "Cross My Heart and Hope to Die", "Brief Is the Light", "You Are the One" e a inesquecível balada "No One There" são alguns dos destaques.

Em 2005, no entanto, os integrantes decidiram que era hora de colocar um ponto final na trajetória da banda. Antes de "enterrarem" o Sentenced, presentearam os fãs com um último trabalho de estúdio, simbolicamente batizado "The Funeral Album".
Lançado em 13 de julho de 2005 pela Century Media Records, "The Funeral Album" encapsula tudo o que tornou o Sentenced um nome essencial da cena metal finlandesa. Como não poderia deixar de ser, a melancolia está presente do início ao fim do registro.

"Decidimos encerrar a carreira da banda com esse disco e já sabíamos o que aconteceria quando estávamos escrevendo as músicas. Então, concordamos em fazer essa última rodada, fazer um álbum de despedida e uma turnê fúnebre", afirmou, na época, o guitarrista Sami Lopakka.
"The Funeral Album" é um banquete para quem encontra beleza nas composições que atingem não apenas os ouvidos, mas também o coração e a alma. Ao longo de suas 13 faixas, o último ato do Sentenced se revela um verdadeiro caminhão de sentimentos — capaz de arrancar lágrimas até dos ouvintes mais resistentes. Se restar alguma dúvida, experimente "Her Last 5 Minutes", "We Are But Falling Leaves" e a profética "End of the Road".
O trabalho final do Sentenced também reserva espaço para faixas mais agitadas. "May Today Become the Day", "Ever-Frost", a reconfortante "Despair-Ridden Hearts" e a visceral "Vengeance is Mine" se destacam como momentos de maior intensidade, e merecem ser lembradas.
Apesar do clima mórbido que permeia "The Funeral Album", também há espaço para o humor — ainda que mórbido. Durante entrevista concedida ao site Metal Storm, Sami comentou:
"Você pode até perceber que, de certa forma, sempre estivemos caminhando para esse final. Muitas das nossas músicas falavam sobre morte, suicídio e os lados mais sombrios da vida. E esse enterro é o desfecho lógico. Quando tomamos a decisão final de que esse seria o último, estávamos pensando no título do álbum e esse era o único possível. "The Funeral Album" se encaixa em toda a ideia, não apenas na música. É algo que também mostra mais uma vez nosso senso de humor. Estamos convidando as pessoas a se juntarem a nós em nosso funeral."
A turnê de "The Funeral Album" chegou ao fim no dia 1 de outubro de 2005, em Oulu (Finlândia). O show, que começa como um velório, rendeu o ao vivo "Buried Alive", lançado em 2006.
Agora que você sabe um pouco mais sobre a "morte planejada" do Sentenced, é hora de curtir um som. Reserve um tempo, prepare o coração e mergulhe no álbum que transformou o fim de uma banda em uma obra de arte melancólica e bela.
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