Eskröta: cada dia mais blasfema e agressiva
Resenha - Blasfêmea - Eskröta
Por Alexandre Veronesi
Postado em 17 de maio de 2025
Poucas são as formações musicais que fazem a diferença dentro de seus respectivos nichos já nos primeiros anos de atividade, e este é sem dúvidas o caso da Eskröta, que vem chacoalhando o cenário Metal / Hardcore praticamente desde sua fundação, em 2017. Conheci melhor o som da banda na época do irretocável "Cenas Brutais" (2020), álbum que particularmente já considero um jovem clássico, e mesmo usufruindo do mesmo somente no âmbito digital, tomarei a licença poética de dizer que 'escutei o disco até furar'. O subsequente EP "T3rror" (2022) manteve o sarrafo no alto, mas então a decepção veio com "Atenciosamente, Eskröta", disponibilizado em Abril de 2023 - que, com certa boa vontade, dá pra classificar como mediano - e com isso posto, naturalmente eu não vinha nutrindo grandes expectativas para o lançamento de "Blasfêmea", ocorrido em 11/04 último nas plataformas de streaming. Ainda assim, a curiosidade fez-me conferir o álbum prontamente, e qual não foi a agradável surpresa que tive ao escutar com atenção os quase 27 minutos deste novo material do trio, que de cara salta aos olhos por meio da belíssima arte da capa, assinada por Nothing Lasts 4Ever (seja quem for o tal pseudônimo, com o perdão de minha ignorância).

A macabra e autoexplicativa introdução "Rito" prepara o ouvinte de forma adequada para o que virá a seguir. Mantendo as contundentes (e sempre importantes) críticas sociais que detém o feminismo como mote central, o power trio composto por Yasmin Amaral (voz e guitarra), Tamy Leopoldo (baixo) e Jhon França (bateria) demonstra aqui, acima de tudo, um elevado grau de maturidade e nítida evolução - digo isso considerando todos os sentidos possíveis da palavra - o que já se faz claro como cristal em "A Bruxa" e "Fogo", composições certeiras e de alto nível, daquelas que grudam em nossas cabeças logo na primeira audição.
Sem deixar a peteca cair, vem a cadenciada "Mantra" (com participação especial de MC Taya), "Loser" e "+666x", estas com dinâmicas e andamentos bem diversificados, o que torna a audição ainda mais fluída. "Fantasmas Pt. 2" aborda os traumas com um viés bastante pessoal, enquanto a violenta "Misery", única composição em inglês do registro, narra a trama de "Louca Obsessão" (do original, vejam vocês: "Misery"), antológica obra literária do mestre Stephen King.
Adentrando a trinca final, temos a ótima "LBR (Latina, Brasileira, Revolucionária)", rápida, recheada de groove, com um bom refrão 'batucado' e pontuais passagens cantadas em espanhol; e finalmente, "Mulheres Combinam com Sucesso" e "Quanto Tempo", petardos que, embora distintos, possuem em comum um ligeiro e bem vindo flerte com vertentes ditas 'modernas' do Metal - fato este recorrente no repertório do álbum de maneira geral, o que se revelou um grande acerto da banda.
É claro, sei que sequer chegamos ao meio da temporada, e pode ser ato precipitado fazer qualquer afirmação no momento, mas ainda assim me arriscarei a dizer que "Blasfêmea" já conquistou uma posição de destaque em meio aos bons lançamentos que vêm ocorrendo em 2025, e acredito que deva figurar com tranquilidade nas famigeradas e inevitáveis listas de final de ano.
Eskröta - Blasfêmea
Data de lançamento: 11/04/2025
Gravadora / Selo: Deck
Tracklist:
01 - Rito
02 - A Bruxa
03 - Fogo
04 - Mantra
05 - Loser
06 - +666x
07 - Fantasmas Pt. 2
08 - Misery
09 - LBR (Latina, Brasileira, Revolucionária)
10 - Mulheres Combinam com Sucesso
11 - Quanto Tempo
Formação:
Yasmin Amaral - voz e guitarra
Tamy Leopoldo - baixo
Jhon França - bateria
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