Slash: riffs legais e canções bem acima da média

Resenha - Slash - Slash

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Nunca fui fã do Guns N´Roses. É claro que, como toda pessoa que viveu a sua adolescência nos anos 80, conheço a carreira da banda e ouvi muito as suas músicas, mas nunca fui fanático pelo grupo. Tanto é verdade que possuo apenas um disco dos caras em minha coleção – o segundo play, o mezzo acústico mezzo ao vivo "Lies". A trupe de Axl Rose jamais fez a minha cabeça, apesar de reconhecer a importância e, principalmente, o tamanho que a banda chegou a ter no início da década de noventa.
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Por isso, nem dei bola quando "Chinese Democracy" saiu, pouco me importei com os shows do novo grupo de Axl pelo Brasil há alguns meses atrás e também não me interessei em ouvir o disco solo repleto de convidados que o guitarrista Slash colocou no mercado.

Mas, um certo dia, dei de cara com uma resenha muito positiva do CD e resolvi dar uma conferida para ver se era tudo isso mesmo. Que bom que me dei essa chance …

"Slash", o disco, é um trabalho extremamente agradável de se ouvir, um discão repleto de riffs legais e canções bem acima da média. O álbum contém 14 faixas, cada uma delas com um vocalista diferente – a exceção é Myles Kennedy, cantor do Alter Bridge, que solta a voz em duas. Fica claro que Slash compôs cada faixa especialmente para o vocalista que iria cantá-la – e isso é um elogio.

O play abre com a boa “Ghost”, que tem Ian Astbury, do The Cult, no vocal, e o parceiro das antigas Izzy Stradlin, também ex-Guns, nas guitarras. Um bom começo, que prepara o terreno para uma das melhores faixas do disco, “Crucify the Dead”, baladaça onde Slash contracena com Ozzy Osbourne, uma das maiores lendas da história do heavy metal.

“Beautiful Dangerous” vem a seguir. Com um bom refrão, traz a bela Fergie, do Black Eyes Peas, nos vocais, e o resultado é melhor do que os fãs mais radicais poderiam imaginar. Vale a conferida.

A ótima “Back from Cali”, a primeira com os préstimos de Myles Kennedy, é daquelas faixas que ficam na cabeça por um bom tempo. Chris Cornell, ex-Soundgarden e Audioslave, bate ponto em “Promisse”, mas, apesar da classe inegável de Cornell, a canção é apenas mediana.

O mesmo não pode ser dito de “By the Sword”, sensacional composição onde Slash divide os holofotes com Andrew Stockdale, do Wolfmother. Um dos pontos altos do disco, com uma aura setentista que irá empolgar os bolhas de plantão. Em contrapartida, “Gotten”, cantada por Adam Levine, do Maroon 5, é uma baladinha insossa que poderia muito bem ter ficado de fora do CD.

Lemmy soa como Lemmy em “Doctor Alibi”, uma paulada à la Motorhead para ninguém colocar defeito. A espetacular “Watch This Dave” vem a seguir, e seus quase quatro minutos são de deleite puro. Um som instrumental, pesadíssimo, onde Slash é acompanhado por Duff McKagan no baixo e Dave Grohl na bateria. Ouça no volume máximo!

Outra boa surpresa ocorre em “I Hold On”, cantada por Kid Rock. Um hard simpático, com um refrão grudento, que poderia ser perfeitamente lançada como single. Falando em surpresas, a excelente “Nothing to Say” é mais uma delas. Cantada pelo vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows, é um heavy metal arrepiante, empolgante, daqueles de bater cabeça sozinho enquanto se ouve o som a todo volume. Uma faixa estonteante!

“Starlight”, segunda canção cantada por Myles Kennedy, é uma balada com uma vibe bem Rolling Stones no início e um refrão perfeito para cantar junto. Impossível ouvi-la e não destacar a performance de Kennedy, um ótimo cantor, dono de um timbre cativante.

A acústica “Saint is a Sinner Too” tem um clima meio Led Zeppelin, e cai muito bem em um disco carregado de guitarras por todos os lados. Cantada pelo pouco conhecido Rocco DeLuca, desce redondinha e não faz feio no oceano de medalhões pelo qual está cercada.

O disco chega ao seu final com “We´re All Gonna Die”, cantada por Iggy Pop. Um canção legal, bem feita, mas que soa inferior à colaboração anterior de Slash com Pop, que ocorreu no álbum "Brick by Brick", lançado pelo ex-vocalista dos Stooges em 1990.

De uma maneira geral, "Slash" é um disco muito bom, empolgante de se ouvir, e que, a despeito de uma ou outra faixa mais fraca, deve agradar em cheio não apenas os fãs do guitarrista, mas também quem curte um hard rock direto e sem firulas.

Vale o investimento.

Faixas:
1. Ghost (Feat. Ian Astbury) - 3:35
2. Crucify the Dead (Feat. Ozzy Osbourne) - 4:03
3. Beautiful Dangerous (Feat. Fergie) - 4:38
4. Back From Cali (Feat. Myles Kennedy) - 3:36
5. Promise (Feat. Chris Cornell) - 4:40
6. By the Sword (Feat. Andrew Stockdale) - 4:51
7. Gotten (Feat. Adam Levine) - 5:03
8. Doctor Alibi (Feat. Lemmy) - 3:10
9. Watch This (Feat. Dave Grohl/Duff McKagan) - 3:52
10. I Hold On (Feat. Kid Rock) - 4:18
11. Nothing to Say (Feat. M Shadows) - 5:25
12. Starlight (Feat. Myles Kennedy) - 5:25
13. Saint is a Sinner Too (Feat. Rocco DeLuca) - 3:28
14. We're All Gonna Die (Feat. Iggy Pop) - 4:31

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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