Slash: riffs legais e canções bem acima da média
Resenha - Slash - Slash
Por Ricardo Seelig
Postado em 16 de julho de 2010
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Nunca fui fã do Guns N´Roses. É claro que, como toda pessoa que viveu a sua adolescência nos anos 80, conheço a carreira da banda e ouvi muito as suas músicas, mas nunca fui fanático pelo grupo. Tanto é verdade que possuo apenas um disco dos caras em minha coleção – o segundo play, o mezzo acústico mezzo ao vivo "Lies". A trupe de Axl Rose jamais fez a minha cabeça, apesar de reconhecer a importância e, principalmente, o tamanho que a banda chegou a ter no início da década de noventa.
Por isso, nem dei bola quando "Chinese Democracy" saiu, pouco me importei com os shows do novo grupo de Axl pelo Brasil há alguns meses atrás e também não me interessei em ouvir o disco solo repleto de convidados que o guitarrista Slash colocou no mercado.
Mas, um certo dia, dei de cara com uma resenha muito positiva do CD e resolvi dar uma conferida para ver se era tudo isso mesmo. Que bom que me dei essa chance …
"Slash", o disco, é um trabalho extremamente agradável de se ouvir, um discão repleto de riffs legais e canções bem acima da média. O álbum contém 14 faixas, cada uma delas com um vocalista diferente – a exceção é Myles Kennedy, cantor do Alter Bridge, que solta a voz em duas. Fica claro que Slash compôs cada faixa especialmente para o vocalista que iria cantá-la – e isso é um elogio.
O play abre com a boa "Ghost", que tem Ian Astbury, do The Cult, no vocal, e o parceiro das antigas Izzy Stradlin, também ex-Guns, nas guitarras. Um bom começo, que prepara o terreno para uma das melhores faixas do disco, "Crucify the Dead", baladaça onde Slash contracena com Ozzy Osbourne, uma das maiores lendas da história do heavy metal.
"Beautiful Dangerous" vem a seguir. Com um bom refrão, traz a bela Fergie, do Black Eyes Peas, nos vocais, e o resultado é melhor do que os fãs mais radicais poderiam imaginar. Vale a conferida.
A ótima "Back from Cali", a primeira com os préstimos de Myles Kennedy, é daquelas faixas que ficam na cabeça por um bom tempo. Chris Cornell, ex-Soundgarden e Audioslave, bate ponto em "Promisse", mas, apesar da classe inegável de Cornell, a canção é apenas mediana.
O mesmo não pode ser dito de "By the Sword", sensacional composição onde Slash divide os holofotes com Andrew Stockdale, do Wolfmother. Um dos pontos altos do disco, com uma aura setentista que irá empolgar os bolhas de plantão. Em contrapartida, "Gotten", cantada por Adam Levine, do Maroon 5, é uma baladinha insossa que poderia muito bem ter ficado de fora do CD.
Lemmy soa como Lemmy em "Doctor Alibi", uma paulada à la Motorhead para ninguém colocar defeito. A espetacular "Watch This Dave" vem a seguir, e seus quase quatro minutos são de deleite puro. Um som instrumental, pesadíssimo, onde Slash é acompanhado por Duff McKagan no baixo e Dave Grohl na bateria. Ouça no volume máximo!
Outra boa surpresa ocorre em "I Hold On", cantada por Kid Rock. Um hard simpático, com um refrão grudento, que poderia ser perfeitamente lançada como single. Falando em surpresas, a excelente "Nothing to Say" é mais uma delas. Cantada pelo vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows, é um heavy metal arrepiante, empolgante, daqueles de bater cabeça sozinho enquanto se ouve o som a todo volume. Uma faixa estonteante!
"Starlight", segunda canção cantada por Myles Kennedy, é uma balada com uma vibe bem Rolling Stones no início e um refrão perfeito para cantar junto. Impossível ouvi-la e não destacar a performance de Kennedy, um ótimo cantor, dono de um timbre cativante.
A acústica "Saint is a Sinner Too" tem um clima meio Led Zeppelin, e cai muito bem em um disco carregado de guitarras por todos os lados. Cantada pelo pouco conhecido Rocco DeLuca, desce redondinha e não faz feio no oceano de medalhões pelo qual está cercada.
O disco chega ao seu final com "We´re All Gonna Die", cantada por Iggy Pop. Um canção legal, bem feita, mas que soa inferior à colaboração anterior de Slash com Pop, que ocorreu no álbum "Brick by Brick", lançado pelo ex-vocalista dos Stooges em 1990.
De uma maneira geral, "Slash" é um disco muito bom, empolgante de se ouvir, e que, a despeito de uma ou outra faixa mais fraca, deve agradar em cheio não apenas os fãs do guitarrista, mas também quem curte um hard rock direto e sem firulas.
Vale o investimento.
Faixas:
1. Ghost (Feat. Ian Astbury) - 3:35
2. Crucify the Dead (Feat. Ozzy Osbourne) - 4:03
3. Beautiful Dangerous (Feat. Fergie) - 4:38
4. Back From Cali (Feat. Myles Kennedy) - 3:36
5. Promise (Feat. Chris Cornell) - 4:40
6. By the Sword (Feat. Andrew Stockdale) - 4:51
7. Gotten (Feat. Adam Levine) - 5:03
8. Doctor Alibi (Feat. Lemmy) - 3:10
9. Watch This (Feat. Dave Grohl/Duff McKagan) - 3:52
10. I Hold On (Feat. Kid Rock) - 4:18
11. Nothing to Say (Feat. M Shadows) - 5:25
12. Starlight (Feat. Myles Kennedy) - 5:25
13. Saint is a Sinner Too (Feat. Rocco DeLuca) - 3:28
14. We're All Gonna Die (Feat. Iggy Pop) - 4:31
Outras resenhas de Slash - Slash
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
O músico que Sammy Hagar queria dar um soco na cara: "O que acha que vou fazer?"
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
A música do Limp Bizkit que fez o Rage Against The Machine encerrar atividades
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
A música do Metallica que James Hetfield achou fraca demais; "Tá maluco? Que porra é essa?"
Folha cita "barriga enorme" de Brian Johnson em resenha sobre show do AC/DC em SP
Por que Joe Perry quase perdeu a amizade com Slash, segundo o próprio
Show do AC/DC no Brasil é elogiado em resenha do G1; "A espera valeu a pena"
Alex Skolnick entende por que Testament não faz parte do Big Four do thrash metal
Alex Lifeson diz que Anika "virou a chave" nos ensaios do Rush; "No quinto dia, ela cravou"
O guitarrista que Hetfield disse ter sido uma bênção conhecer: "nos inspiramos um ao outro"
Bruce Dickinson cita o Sepultura e depois lista sua banda "pula-pula" favorita
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
King Diamond conta o que comprou com a grana que ganhou do Metallica
O Clube dos 27: 17 roqueiros que sucumbiram à idade fatídica
A opinião de Rob Halford sobre o Slayer e "Angel Of Death"




As músicas que ajudaram a implodir o Guns N' Roses por dentro, segundo Slash
Slash aponta as músicas que fizeram o Guns N' Roses "rachar" em sua fase áurea
O guitarrista que Slash acabou descobrindo que "copiava sem perceber"
Slash afirma que o show do Guns não é coreografado, e revela o que odeia fazer no palco
Slash revela onde acontece a democracia - que não é a chinesa - no Guns N' Roses
A ligação de Brian May com o Guns N' Roses que Slash desconhecia; "se eu soubesse..."
O bastidor bizarro envolvendo músico do Brasil e P!nk: "Eu estava de cueca e o Slash entrou"
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



