Slash: algumas faixas dispensáveis e ótimos solos

Resenha - Slash - Slash

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Por Otávio Augusto Juliano
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


SLASH é figura conhecida no mundo todo. Por seu estilo de tocar guitarra, pela sua imagem de cabelos cobrindo o rosto e cartola na cabeça e pelos trabalhos ao lado de uma das maiores bandas de Hard Rock de todos os tempos (preciso dizer qual?). E, em 2010, deu um importante passo na carreira: gravou seu primeiro álbum solo, intitulado simplesmente “Slash”, trabalho que já desejava realizar há um certo tempo.
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É um disco feito de composições próprias, trabalhadas ao longo dos últimos anos, para as quais SLASH pôde escolher os vocalistas de seu gosto pessoal para cantar as canções, contando ainda com a ajuda de outros músicos convidados, inclusive alguns ex-companheiros dos tempos de GUNS N' ROSES.

Fez algo como o guitarrista SANTANA costuma fazer: compôs músicas com diversos artistas e fez um álbum bastante eclético, com faixas mais no estilo Blues, outras Rock N’ Roll, baladas e até algo mais pesado.

Não costumo resenhar álbuns faixa a faixa, até para não tomar demais o tempo dos leitores com longos e extensos textos. Mas nesse caso vale uma exceção, diante da diversidade do álbum e das inúmeras participações especiais (umas nem tanto especiais!) dos convidados que fizeram parte deste CD solo do SLASH.

Vamos às faixas:

1. “Ghost”: Ian Astbury (THE CULT) e IZZY STRADLIN (ex-GUNS N’ ROSES) foram os escolhidos por SLASH para a gravação desta canção de abertura do álbum. Começa com riffs que se repetem ao longo da música e tem muito da contribuição de Ian, parecendo em alguns momentos o som tirado pela banda do vocalista, o THE CULT. Bom começo.

2. “Crucify The Dead”: O madman OZZY OSBOURNE trabalha com SLASH nessa canção. E o resultado é uma bela música, com solos interessantes. Não chega a ser o destaque do álbum, o que poderia se esperar pela participação do lendário OZZY, mas é uma boa faixa.

3. “Beautiful Dangerous”: SLASH tocando com a cantora Fergie, da banda de Hip hop/Pop/Dance Black Eyed Peas? Seria difícil de se imaginar isso. Mas aconteceu e o resultado, na opinião deste redator, não ficou lá muito legal. Contém suspiros, gemidos e gritos de Fergie e soa... esquisita. Uma tentativa de se criar um Hard Rock, mas com um vocal Pop.

4. “Back from Cali”: Música acrescentada de última hora no track list do álbum. Com Myles Kennedy (ALTER BRIDGE) no vocal – o único a ter duas canções com sua voz no disco. Destaque para o vocalista, mas é uma música que não empolga e fica-se à espera da faixa seguinte.

5. “Promise”: Grandes vozes geram expectativa no ouvinte. É o caso de Chris Cornell (SOUNDGARDEN, ex-AUDIOSLAVE), que gerou muita expectativa neste redator. Mas infelizmente, assim como a faixa anterior, “Promise” é uma balada que, ao meu ver, novamente não empolga e deixa um pouco a desejar, apesar dos bons solos.

6. “By The Sword”: Outra balada. Começa calma e acelera muito pouco ao longo de sua execução. A voz de Andrew Stockdale (WOLFMOTHER) soa interessante para a canção e o solo de SLASH na metade da música é ótimo. Parece ter sido composta na década de 70 e e é a melhor balada do álbum.

7. “Gotten”: Não sou fã da voz de Adam Levine e ele foi o escolhido para cantar essa canção. Tem-se a clara impressão de se ouvir MAROON 5, o que eu não acho nem um pouco legal. Não emplaca e se mostra dispensável diante das demais. Entendiante.

8. “Doctor Alibi”: O ícone Lemmy Kilmister (MOTÖRHEAD) empresta sua voz rouca para essa canção. Resultado: uma música totalmente Rock N´ Roll, com uma levada empolgante. Uma das mais legais do disco e que, por sorte, foi colocada depois da faixa acima, para quebrar o tédio. Rock puro, simples e direto. Ligue o “repeat”.

9. “Watch This”: Outro destaque. Com essa canção fica superada de vez a decepção causada pela audição da faixa 7. Dave Grohl (bateria – FOO FIGHTERS, ex-NIRVANA) e Duff McKagan (baixo – LOADED, VELVET REVOLVER, ex-GUNS N’ ROSES) participam desta canção instrumental de muito bom gosto e com alterações de levada bastante criativas. Poderia fazer parte da trilha sonora de um filme de ação.

10. “I Hold On”: A voz de Kid Rock soa interessante, mas não passa de mais uma balada. Você fica até com vontade de cantar o refrão, mas a música acaba passando despercebida.

11. “Nothing To Say”: Heavy Metal. SLASH já pode dizer que fez uma música puxada para o Metal. Com uma levada de Speed Metal, é uma das canções mais legais, graças também à voz de M. Shadows (AVENGED SEVENFOLD), que encaixa perfeitamente nessa composição feita em parceria pela dupla Shadows e SLASH.

12. “Starlight”: A segunda com o vocalista Myles Kennedy (ALTER BRIDGE). Pelo som tirado pela guitarra de SLASH, a canção deixa um certo clima de ROLLING STONES no ar, mantendo-se em uma levada mais cadenciada, com algumas passagens mais rápidas. Bom trabalho do vocalista Myles novamente e com Steve Ferrone assumindo a bateria (músico que já trabalhou com ERIC CLAPTON e TOM PETTY, dentre outros).

13. “Saint Is A Sinner Too”: Um universo psicodélico é proporcionado por esta faixa mais lenta. Com guitarra acústica, tem riffs carregados de sentimento. Rocco DeLuca é o vocalista.

14. “We're All Gonna Die”: Mais uma com ótima levada e perfeita para a voz marcante de IGGY POP. Um solo muito legal de SLASH também, o que resulta em um bom fechamento para o disco.

Em suma, fazendo uma conta simples aqui, tem-se 14 faixas, das quais algumas se mostram até dispensáveis e outras levam o ouvinte a viajar ao som de ótimos solos, sem contar aquelas que merecem um “repeat” no CD player. Um bom trabalho do lendário e agora certamente mais realizado musicalmente, SLASH.

A versão avaliada é a que se pode chamar de standard. Sem algumas das faixas bônus lançadas em outras versões do CD. Encarte sem letras (só pra não dizer que não tem nada, há no encarte uma frase – isso mesmo – de cada canção) e com algumas fotos das gravações e de SLASH em seu estúdio particular.

Banda fixa:
Slash - guitarra
Chris Chaney - baixo
Josh Freese - bateria
Leonard Castro - percussão

Importado – Dik Hayd Records/EMI

Track List:
1. Ghost (Ian Astbury/Izzy Stradlin)
2. Crucify The Dead (Ozzy Osbourne)
3. Beautiful Dangerous (Fergie)
4. Back from Cali (Myles Kennedy)
5. Promise (Chris Cornell)
6. By The Sword (Andrew Stockdale)
7. Gotten (Adam Levine)
8. Doctor Alibi (Lemmy Kilmister)
9. Watch This (Dave Grohl/Duff McKagan)
10. I Hold On (Kid Rock)
11. Nothing To Say (M. Shadows)
12. Starlight (Myles Kennedy)
13. Saint Is A Sinner Too (Rocco DeLuca)
14. We're All Gonna Die (Iggy Pop)

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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