Slash explica por que tocar o solo "diferente do disco" é uma faca de dois gumes
Por Bruce William
Postado em 12 de novembro de 2025
Slash nunca foi de sentar e compor cada nota como se fosse uma peça fixa. Ele próprio resumiu o método nas gravações clássicas do Guns: improviso, instinto e reação aos acordes. "Eu não me lembro de ter sentado para 'resolver' nenhum deles. Especialmente 'Jungle'. Eu lembro de entrar naquilo, e soa muito estruturado até certo ponto, mas isso era só o que as mudanças de acorde pediam", disse em conversa com a Guitar World (via Ultimate Guitar).

Essa liberdade no estúdio esbarra numa linha delicada no palco. O público se apega a certas curvas melódicas e espera reconhecê-las. O próprio Slash sabe que existe um desconforto quando resolve sair do script: "Eu tenho que admitir, é esquisito. Tipo, se numa noite eu empacar e não estiver a fim de tocar o solo de 'Sweet Child O' Mine' e toco outra coisa - e isso acontece, especialmente se eu arrebento uma corda - fica estranho se eu não tocar o solo do jeito que 'tem que ser'. Eu sei que as pessoas ficam bem decepcionadas se eu não tocar do jeito que elas estão acostumadas a ouvir."
Daí vem a definição dele: faca de dois gumes. Por um lado, a repetição confirma que o solo "significa algo" dentro da canção, não é só um trecho exibicionista que passa e some. "É legal porque quer dizer que aquilo tem um peso no contexto da música; não é só um solo rasgando, que vem, vai e é esquecível." Por outro, improvisar livremente em temas gigantes pode soar fora de contexto. "Você não pode simplesmente sair viajando, como eu às vezes gostaria, em músicas assim. Porque simplesmente não parece certo. Você sente que está faltando alguma coisa se não tocar do jeito que você escuta - ou escutou originalmente."
A contradição fica clara: os solos nasceram sem mapa, mas viraram referência a ponto do próprio autor se cobrar fidelidade. É o preço de ter linhas melódicas que se tornaram parte da identidade da música. O público quer cantar junto cada linha, e o guitarrista precisa equilibrar o impulso de criar na hora com a memória coletiva do que ficou no vinil.
Com isso, Slash demonstra que o "ao vivo" pede critério: preservar as frases que definem a canção e, dentro desse contorno, deixar o solo respirar. É menos sobre prender o improvisador e mais sobre manter intacto o que dá sentido à música para quem está na plateia, inclusive para ele.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 15 discos favoritos de Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden
A banda de metal que revelou que está quebrada mesmo após tocar dois meses em arenas
As cinco bandas de rock favoritas de Jimi Hendrix; "Esse é o melhor grupo do mundo"
Os guitarristas mais influentes de todos os tempos, segundo Regis Tadeu
Dave Mustaine revela que última conversa com James Hetfield terminou mal
A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A canção lançada três vezes nos anos oitenta, e que emplacou nas paradas em todas elas
Mick Mars perde processo contra o Mötley Crüe e terá que ressarcir a banda em US$ 750 mil
"Um baita de um babaca"; o guitarrista com quem Eddie Van Halen odiou trabalhar
Dave Mustaine comenta a saída de Kiko Loureiro do Megadeth: "Era um cara legal"
Sepultura anuncia título do último EP da carreira
O hit do Angra cujo título é confundido por falantes de inglês com couve de Bruxelas
A lenda do metal que é arrogante, mala e antiprofissional, segundo Regis Tadeu
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
All Metal Stars BR lança vídeo apresentando versão de "Carry On"


Grammy 2026 terá homenagem musical a Ozzy Osbourne; conheça os indicados de rock e metal
Slash promete que novo álbum do Guns N' Roses só terá material inédito
A lenda do rock que ficou anos sem falar com Slash; "eu disse uma besteira sobre ele"
O ódio de Slash que se transformou em orgulho por fazer parte do que veio pra mudar
"Está gravado, só falta mixar", diz Myles Kennedy sobre o novo álbum de Slash
Quando perdemos o artista que, para Slash, era um dos maiores talentos musicais do século 20
Myles Kennedy explica recusa a teste no Velvet Revolver
Os trabalhos do Guns N' Roses que Slash evita rever; "nem sei o que tem ali"
A curiosa história da última foto de Axl e Slash num show do Guns N' Roses em 23 anos


