O guitarrista que recusou tocar em um dos grandes álbuns do rock Brasil dos anos 80
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de outubro de 2023
O álbum de estreia "Seu Espião" do Kid Abelha, lançado pela Warner Music em 1984, marcou o início brilhante da banda. Entre os sucessos memoráveis deste álbum encontram-se "Fixação", "Como Eu Quero", "Porque Não Eu?" (que mais tarde se tornou parte do repertório solo de Leoni) e "Pintura Íntima". Com aproximadamente 150 mil cópias vendidas, o álbum conquistou a certificação de disco de ouro.
Gravado no Estúdio Never Cry, localizado no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro, e masterizado nos Estúdios Transamérica, este álbum representou o primeiro trabalho do Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens (posteriormente conhecidos apenas como Kid Abelha) após a assinatura com a Warner Music. A produção ficou a cargo de Liminha, consolidando assim a sonoridade característica que marcaria a trajetória musical da banda.
No álbum "Seu Espião" (1984), o Kid Abelha contava com um lineup notável que moldou sua sonoridade única. Paula Toller, a voz principal, oferecia vocais envolventes. Bruno Fortunato, nas guitarras, adicionava camadas cativantes. George Israel, com seu saxofone expressivo, enriquecia as melodias e contribuía com vocais distintos. Leoni, no baixo, ancorava o ritmo e também emprestava sua voz única. Juntos, esses músicos formaram um quarteto que não apenas impulsionou o sucesso do álbum, mas também estabeleceu as bases para a duradoura e influente carreira do Kid Abelha.
O que pouca gente sabe é que Fortunato não seria o guitarrista do disco e sim Torcuato Mariano. Em entrevista ao Corredor 5, ele disse que decidiu não gravar o disco depois de uma crise de consciência, já que ele estava decidido a deixar a banda.
"Para tocar em banda, acho que é preciso certa fidelidade. Não adianta estar lá e ficar tipo: ‘Hoje não posso’. O que aconteceu é que eu estava no Kid Abelha e começou a chegar perto de gravar o disco. A Warner decidiu, era o que tinha a música ‘Pintura Íntima’, que eu adorava tocar! Eu tive uma crise de consciência. Se eu achava que não ia ficar na banda pelo motivo que for, não era honesto eu gravar esse single. Lembro que o Liminha ia produzir e isso me seduziu, mas eu tinha que sair. Eu adorava tocar, mas sabia que ia sair. Eu tocava com o Bruno Fortunato e resolvi indicar ele para a banda. Ele não era um cara de sair tocando com um monte de gente. Eu era bem agitado".
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