O músico que Slash considerava "herói da guitarra", mas tocava em uma banda que ele detestava
Por Bruce William
Postado em 12 de dezembro de 2025
Quando fala de influência, o guitarrista do Guns N' Roses costuma citar nomes óbvios como Eric Clapton, Jeff Beck e Joe Perry. Mas numa conversa sobre seus heróis, Slash contou que um dos caras que mais o marcou nos anos 70 foi justamente o guitarrista de uma banda que ele não suportava quando era moleque: Ace Frehley, do Kiss. A graça é que essa admiração veio depois, quando ele passou a olhar para além da maquiagem e da pirotecnia, relata matéria da Vice.
Slash explicou que, na adolescência, achava o Kiss "teatral demais" e não conseguia levar a banda a sério. Com o tempo, ele foi separando o show de luzes dos riffs e começou a prestar atenção no jeito que Ace construía as frases de guitarra. "Quando eu era moleque, eu não suportava o KISS. A parte teatral atrapalhava pra mim. Eu simplesmente não conseguia. Eu não comprava aquilo. Mas depois eu passei a gostar muito de algumas das músicas e riffs das antigas. O Ace sempre se destacou pra mim como um cara de rock and roll de verdade, por inteiro, que tinha mesmo aquela sensação de ser o negócio real."

Os dois acabaram se aproximando já com a carreira de Slash consolidada. Ele contou que teve a chance de tocar e gravar com Ace em algumas ocasiões nos anos 2000, em participações especiais e jams que ajudaram a transformar o ex-Spaceman em amigo de verdade. "Gravei com ele algumas vezes e subi no palco com ele algumas vezes. Ele é o cara de verdade, um dos grandes heróis da guitarra dos anos 70, um dos últimos deles, aliás. É triste que ele não esteja aqui. Eu ainda nem consegui assimilar isso direito." A fala ganhou um peso ainda maior depois da morte de Ace, em outubro de 2025, aos 74 anos, após complicações de uma queda em casa.
Na visão de Slash, Ace representava um tipo de guitarrista setentista que está cada vez mais raro: aquele cara do rock sem frescura, pesado e direto, com timbre inconfundível e uma certa imperfeição humana que dá graça às gravações. Não é o músico mais "certinho" do mundo, mas o sujeito que pega uma Les Paul, liga no talo e faz um solo que qualquer fã reconhece em dois segundos. Por isso ele fala em "um dos últimos heróis da guitarra dos anos 70": não só pelo período em que Ace surgiu, mas pela mentalidade que ele carregou até o fim.
Ace nunca chegou perto do alcance comercial do Kiss em sua carreira solo, mas construiu um catálogo sólido, voltou à banda em meados dos anos 90 e ainda entregou coisas pesadas como "Into the Void" no disco "Psycho Circus", décadas depois da primeira fase do grupo. Conforme relembra a Far Out, para Slash, esse tipo de persistência criativa - mesmo longe dos holofotes principais - é parte do que faz de Ace "o cara de verdade": um guitarrista que continuou compondo, gravando e se apresentando do jeito que sabia fazer, sem tentar virar outra coisa para agradar a moda da vez.
No fim das contas, a admiração de Slash por Ace Frehley fecha um círculo curioso: o garoto que torcia o nariz para o Kiss virou um dos principais nomes da guitarra de sua geração, e acabou reconhecendo justamente no ex-Spaceman a essência de tudo aquilo que o fez se apaixonar pelo instrumento. Para quem cresceu entre riffs dos anos 70 e solos de "Welcome to the Jungle", ouvir Slash dizer que Ace era "um dos últimos heróis da guitarra daquela época" ajuda a entender por que tanta gente começou a tocar depois de ver um cara de macacão prateado soltando fumaça da Les Paul no palco.
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