Who: quando a banda recomeçou do zero
Resenha - Who's Next - Who
Por Ricardo Seelig
Postado em 13 de outubro de 2007
Nota: 10 ![]()
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Lançado em 1971 e considerado por muitos o melhor trabalho de estúdio do The Who, "Who´s Next" possui uma história tão rica quanto suas nove clássicas canções. Após o enorme sucesso alcançado por "Tommy", a banda estava esgotada e de saco cheio da ópera rock que a consagrou. Buscando novos desafios, o grupo mergulhou em um projeto capitaneado por Pete Townshend chamado "Lifehouse", que consumiu um ano de trabalho e parecia não levar a lugar nenhum. Estressados uns com os outros, com o grupo se destruindo internamente e com seu líder e principal compositor quase cometendo suicídio, o Who resolveu recomeçar tudo do zero.

O primeiro passo foi demitir o produtor Kit Lambert, responsável por "Lifehouse", e que estava com a banda desde seu início. Glyn Johns chegou para o seu lugar e foi essencial para que as coisas começassem a funcionar. Ouvindo tudo que já havia sido produzido para "Lifehouse", Johns selecionou aquelas que considerou as melhores composições e as apresentou ao grupo. Foi só a partir deste momento que Townshend, Daltrey, Moon e Entwistle perceberam que tinham um ótimo material nas mãos. Empolgados, começaram a trabalhar nos rascunhos apresentados por Johns, evoluindo alguns arranjos, reescrevendo letras, enfim, transformando o que antes não passavam de idéias mal estruturadas em alguns dos maiores hinos da história do rock.
"Who´s Next" abre com "Baba O´Riley" e sua característica introdução marcada pelo sintetizador tocado por Pete. De imediato, e até hoje, chama a atenção a sonoridade que a banda e o produtor conseguiram registrar no álbum.
Além da canção de abertura, outras duas composições acabaram marcando "Who´s Next". A primeira é a linda balada "Behind Blue Eyes". Construída a partir do violão de Pete, emociona com suas inspiradas linhas vocais, até alcançar seu ápice com uma explosão sonora típica do grupo.
A outra é "Won´t Get Fooled Again", espécia de mini-ópera progressiva e que, com o passar dos anos, se transformou em uma das canções mais emblemáticas da banda. Repleta de mudanças de andamento e com fartas doses de peso, traz uma letra inspiradíssima de Townshend e é, ainda hoje, impressionante.
Algumas curiosidades a respeito de "Who´s Next" precisam ser mencionadas. A primeira é a respeito do nome do disco. Querendo se distanciar da sombra de "Tommy", o grupo decidiu incluir o "next" no título como um sinal de que estava virando uma página em sua carreira, e que a partir dele surgiria um novo Who. Outra é a respeito de sua capa, que traz os quatro urinando em um monolito localizado no Easington District Colliery, em County Durham, e que, ao mesmo tempo que é uma clara referência ao filme "2001 – Uma Odisséia no Espaço", lançado em 1968, é também uma metáfora ao seu passado, com o grupo mostrando claramente que estava buscando novos caminhos.
Vale citar que a qualidade mostrada pela banda em "Who´s Next" foi reconhecida tanto pelos fãs, que compraram o disco maciçamente, quanto pelo crítica especializada, que até hoje o considera um dos álbuns mais importantes da história.
Para quem quiser conhecer o álbum, recomendo a edição remasterizada lançada em 1995, que traz, além das músicas originais, as faixas "Pure and Easy", "Baby Don´t You Do It", "Naked Eye", "Water", "Too Much For Anything", "I Don´t Even Know Myself" e "Behind Blue Eyes". A versão "deluxe", lançada em 2003, também é fantástica, trazendo outakkes gravados no estúdio Record Plant em Nova Iorque e uma apresentação da banda no The Young Vic, ambas registradas na época do lançamento original.
Mais que um clássico, "Who´s Next" é um álbum absolutamente fundamental para quem busca entender o rock and roll e, consequentemente, o próprio heavy metal. Obrigatório.
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