A melhor banda ao vivo que Joey Ramone viu na vida; "explodiu minha cabeça"
Por Bruce William
Postado em 28 de novembro de 2025
Muito antes de virar referência de show rápido, barulhento e sem frescura, Joey Ramone esteve do outro lado: sentado na plateia, vendo um grupo no palco e pensando que nada seria igual depois daquela noite. Décadas mais tarde, quando já era o vocalista magrelo de jaqueta de couro que ajudou a definir o punk, ele ainda lembrava qual tinha sido a banda ao vivo que mais mexeu com sua cabeça.
Na época em que o punk começava a ganhar forma, não existia um único "pai" do movimento. Tinha o pub rock aproximando artista e público em ambientes pequenos, os Sex Pistols cutucando a Inglaterra com letras de "Anarchy In The UK" e outros grupos trazendo velocidade e sujeira pro som. No meio disso tudo, os Ramones entraram na história justamente pela forma como encaravam o palco: um show pensado pra parecer descontrole total, mas montado nos mínimos detalhes.

Esse conceito de "caos planejado" não surgiu do nada. Joey cresceu vendo apresentações em que o impacto vinha tanto da música quanto da presença física dos músicos. Ele sabia que um bom show não dependia só das canções, mas da sensação de tomar uma pancada coletiva junto com a plateia. Quando os Ramones começaram a tocar nos clubes de Nova York, a meta era clara: provocar no público aquele mesmo choque que ele tinha sentido ainda adolescente.
O momento decisivo veio quando Joey tinha 16 anos e foi a um daqueles festivais cheios de atrações, organizados pelo radialista Murray the K, no teatro RKO, na 59th Street, em Nova York. Eram dezenas de artistas se revezando no palco, mas duas atrações britânicas chamavam a atenção: o Cream e o The Who, ambos em sua primeira passagem pelos Estados Unidos. Ali, no meio de uma maratona musical, aconteceu a epifania.
Anos depois, Joey recordou a noite em detalhes, relembra a Far Out: "Quando eu tinha 16 anos, vi o Who. Foi a primeira vez que eles tocaram na América. Foi num show do Murray the K no teatro RKO, na rua 59 [em Nova York] - tipo 30 bandas e o Who e o Cream pela primeira vez na América. O Cream foi ótimo, mas o Who explodiu minha cabeça". A comparação direta mostra bem o tamanho do impacto: mesmo dividindo o palco com músicos do calibre de Eric Clapton, foi a banda de Pete Townshend e Keith Moon que deixou a marca mais profunda.
A partir daí, Joey passou a carregar aquela referência como um alvo pessoal. Se um show podia deixar um garoto de 16 anos completamente atordoado e maravilhado, então era esse o padrão que ele queria perseguir quando subisse ao palco com o Ramones. O som rápido, os intervalos mínimos entre uma música e outra e a sensação de atropelo não eram apenas rebeldia: eram a tentativa de fazer o público sair do lugar com a mesma sensação que ele teve ao ver o The Who pela primeira vez.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu explica por que Blackmore voltou ao palco com o Deep Purple após 33 anos
5 clássicos do rock nacional cujas letras envelheceram mal
A música "sem graça" que zoa o punk rock e se tornou hit do Van Halen
Regis Tadeu explica morte dos Mamonas Assassinas: "Imprensa não contou"
As 4 melhores músicas de 1986, segundo Robert Smith, vocalista do The Cure
Guitarrista diz que fãs estão redescobrindo álbum "maldito" do Accept
A banda que arriscou 60 mil dólares em turnê pelos EUA e voltou para casa com lucro
Era do grunge foi a pior época para o metal, de acordo com Max Cavalera
As 5 melhores músicas do Yes de acordo com o guitarrista Steve Howe
Geddy Lee fala sobre importância de ainda cantar as músicas do Rush nos tons originais
Os 10 discos essenciais do nu metal, segundo a Louder
Kelly Osbourne esculacha Dee Snider por ter tentado "menosprezar" Ozzy
Agora é oficial: Slipknot anuncia demissão de Sid Wilson
Spotify revela qual foi o clássico do rock mais ouvido no mundo durante o eclipse solar
Summer Breeze confirma primeiras 63 atrações para 2027




Membro dos Ramones (quase) teve um caso com a atriz Julia Roberts, segundo livro
Marky Ramone já tomou esporro de Johnny Ramone por falar demais
O hábito nojento que virou demonstração de respeito nos shows punk dos anos setenta
Johnny Ramone sentiu mais a morte de Dee Dee do que a de Joey Ramone
A parte mais importante do legado dos Ramones, segundo Johnny Ramone
"Eu odeio perder", disse Johnny Ramone ao falar sobre luta contra câncer
Johnny Ramone achava que Joey Ramone era um "pé no saco"
15 coisas que você não imagina que coexistiram com bandas famosas
O membro dos Ramones que Joey acusou de "sacanear a banda" por dinheiro
A lendária banda Punk que Eddie Van Halen disse ser difícil de tocar ao vivo


