As 5 melhores músicas de Peter Townshend de todos os tempos, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 19 de novembro de 2025
A presença de lendas do rock em programas de TV sempre rende histórias saborosas, mas poucas figuras conseguem dominar um estúdio como Pete Townshend. Aos 80 anos, o guitarrista e principal compositor do The Who esteve no "The Late Show with Stephen Colbert", onde divulgou a estreia americana do balé inspirado em Quadrophenia, que terá apresentações entre 14 e 16 de novembro, em Nova York.
Como destacou o jornalista Matt Friedlander, o músico participou de "uma edição estendida" da entrevista, publicada no canal do programa. E foi nesse trecho extra que Townshend aceitou um desafio especial: listar as cinco melhores músicas que ele já escreveu.

Townshend começou apontando seu topo da lista: "Love Reign O'er Me", a poderosa balada que encerra "Quadrophenia" (1973). Em seguida, destacou outro clássico emocional, "Behind Blue Eyes", faixa de 1971 que continua sendo uma das canções mais emblemáticas do The Who. Friedlander observou que as escolhas iniciais de Pete "eram alguns dos maiores e mais duradouros sucessos da banda", refletindo seu próprio orgulho pelo material que moldou gerações de ouvintes.
As melhores músicas de Peter Townshend
A única música solo presente no ranking foi "Let My Love Open the Door", que alcançou o nono lugar na Billboard em 1980. Na quarta posição, Townshend citou "Baba O'Riley", um dos pilares de Who's Next. Durante a conversa, o guitarrista comentou, segundo Friedlander, que acreditava que a faixa "já tinha 1,5 bilhão de streams no Spotify", embora o número real fosse pouco acima de 700 milhões no dia 13 de novembro. Ainda assim, não há como negar que se trata de um hino eterno e onipresente.
A lista termina com "Won't Get Fooled Again", mais um monumento do repertório do The Who. De acordo com Friedlander, Townshend explicou que vê a música como "a mais aplicável ao mundo moderno", por tratar da desconfiança em relação aos líderes políticos. Ele ainda citou Bob Dylan - "Don't follow leaders… watch the parking meters" - para ilustrar o espírito da composição. Pete reforçou que não falava de um governante específico, mas de um padrão ao longo da história: "Políticos prometem coisas que sabem que não podem cumprir".
Townshend também relembrou as pressões que sofreu no início dos anos 1970, quando, segundo relatou, era "intimidado por um bando de hippies" que o conclamavam a apoiar uma suposta revolução iminente. Friedlander escreveu que o guitarrista usou "Won't Get Fooled Again" no projeto Lifehouse como um recado direto: "Não, eu não vou fazer parte da sua revolução. Se ela realmente vier, não vai precisar que eu escreva para ela". O comentário mostra como sua obra sempre dialogou com o contexto político, ainda que sem aderir a bandeiras de ocasião.
Antes da entrevista, Pete ainda se divertiu tocando com a banda da casa, Stay Human, durante os intervalos comerciais. O músico emendou trechos de "Drowned", "5:15" e "Let My Love Open the Door", fazendo o estúdio vibrar. Conforme lembrou Friedlander, o artista também conversou com Colbert sobre o balé de Quadrophenia, as origens de Tommy (1969), a turnê recente do The Who pela América do Norte e o enorme acervo de músicas inéditas que mantém guardado - um arsenal que os fãs ainda sonham em ouvir.
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