O defeito muito grave dos baixistas de heavy metal na opinião de John Entwistle
Por Bruce William
Postado em 04 de dezembro de 2025
É comum ver músicos que ajudaram a pavimentar o caminho do rock pesado mantendo certa distância do heavy metal que veio depois. Nomes como Ginger Baker, Jimmy Page, Geddy Lee e Ritchie Blackmore já deram declarações frias sobre o estilo. O The Who entra nesse grupo: apesar de ter influenciado gerações de bandas pesadas, especialmente com o álbum ao vivo "Live at Leeds" (1970), seus integrantes nunca se encaixaram exatamente como "metaleiros".
No caso de John Entwistle, isso fica ainda mais curioso. O baixista era peça central no conflito sonoro entre Pete Townshend e Keith Moon, segurando a base enquanto tudo explodia ao redor. Seu trabalho inspirou gente como Lemmy Kilmister, do Motörhead, e tantos outros baixistas que aprenderam a encher o som com peso e ataque. Mesmo assim, quando perguntado sobre as bandas de metal, ele deixava claro que não se identificava com o jeito de tocar de boa parte dos colegas do outro lado do espectro.

Em entrevista na França em 1990, para o Institut National de L'audiovisuel, Entwistle foi direto ao falar sobre heavy metal. Ele classificou o estilo como algo "muito limitado" principalmente no que diz respeito ao baixo. Segundo ele, "a maioria dos baixistas deixa tudo de lado e faz barulho com o dedão". Na visão de Entwistle, o instrumento acaba reduzido a um papel rítmico excessivamente simples, sem explorar todo o potencial melódico e harmônico.
Para ilustrar, ele usou uma imagem que não deixa muito espaço para interpretação. Disse que muitos baixistas se concentram tanto no ritmo que acabam fazendo "todo aquele baixo de caroneiro", imitando inclusive o gesto do polegar erguido. E completou: "eu acho muito restritivo. É um som percussivo demais, que não percorre a plateia". Ou seja, para ele, era como se o baixo ficasse batendo na mesma tecla o tempo todo, sem realmente "viajar" pelo som e envolver quem está ouvindo.
Na mesma conversa, Entwistle também mostrou um certo cansaço com a ideia de buscar novidades a qualquer custo. "Eu sinto que a essa altura tudo já foi feito. Quer dizer, eu posso aprender a tocar mais rápido ou de um jeito diferente... mas há apenas um número limitado de combinações de notas e acordes", afirmou. A frase ajuda a entender por que, para alguém com a bagagem dele, o apego a um padrão único de timbre e função, como ele via em parte do metal, parecia pouco interessante.
Essa distância em relação ao heavy metal não significava que o The Who soava leve. Em 1981, enquanto promovia "Face Dances", primeiro álbum da banda sem Keith Moon, Entwistle comentou à Rolling Stone que enxergava um descompasso entre o som de palco e o resultado em estúdio. "É como estar em duas bandas diferentes. No palco, somos quase heavy metal; no disco é tão sem peso... Aquilo foi realmente uma falha", disse, deixando claro que o grupo podia soar muito mais pesado ao vivo do que os registros oficiais sugeriam.
Ao lembrar da própria discografia, ele não hesitou em apontar qual trabalho representava melhor esse lado mais "pesado" do The Who. "O único disco do The Who que eu ainda ouço muito é 'Live at Leeds'. Aquele foi o mais pesado que já fizemos. Talvez devêssemos gravar o próximo álbum ao vivo - pelo menos assim soaria como nós", declarou.
No fim das contas, fica a contradição interessante: um baixista que ajudou a dar forma ao rock pesado, influenciando diretamente músicos que seriam fundamentais para o metal, mas que via com desconfiança o caminho que muitos baixistas do gênero escolheram. Entre o ataque furioso que segurava o The Who ao vivo e as críticas ao "baixo de caroneiro", John Entwistle deixou claro que, para ele, o instrumento precisava ir além do papel percussivo e limitado que enxergava em boa parte do heavy metal.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Sepultura se despede entre nuvens e ruínas
A opinião de Fernanda Lira sobre Jessica Falchi como nova guitarrista do Korzus
Guns N' Roses encerra turnê no Brasil com multidões, shows extensos e aposta em novos mercados
A melhor música da história dos anos 1990, segundo David Gilmour
O melhor solo de guitarra de todos os tempos, segundo Eric Clapton
Megadeth toca "Ride the Lightning" pela primeira vez ao vivo
Por que a turnê de reunião original do Kiss fracassou, segundo Gene Simmons
Bangers Open Air tem datas confirmadas para 2027
Como "volta às origens" causou saída de Adrian Smith do Iron Maiden
Fabio Lione posta mensagem misteriosa no Instagram; "Não direi nem uma palavra"
Greyson Nekrutman posta performance ao vivo de "Territory", clássico do Sepultura
Os motivos que fizeram Iggor Cavalera recusar reunião com o Sepultura, segundo Andreas Kisser
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
Kirk Hammett lamenta morte de guitarrista de cover do Metallica e presta homenagem
O clássico do Sepultura que guitarrista do Limp Bizkit gostaria de ter gravado
The Who: A opinião de John Entwistle sobre baixistas de heavy metal
A canção do The Who que dava sono em John Entwistle quando a banda tocava ao vivo
A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
Gene Simmons tentou seguir os passos do The Who e fez o pior disco de sua carreira
Pete Townshend acha que "Tommy" tem mais a ver com os dias de hoje do que tinha quando lançado
Phil Collins pediu para substituir Keith Moon no The Who
Planet Rock: as maiores vozes da história do rock


