O maior cantor de todos os tempos, segundo Roger Daltrey do The Who
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de dezembro de 2025
Quando se fala em grandes vozes do rock, quase sempre surgem listas intermináveis e debates que atravessam gerações. Para muita gente, um bom vocalista é aquele que canta alto; para outros, é o intérprete que transforma nuances em emoção pura. Mas, segundo Roger Daltrey, há um elemento superior a tudo isso: arte. E, para ele, ninguém incorporou melhor essa arte do que um nome específico.
De acordo com a jornalista Kelly Murphy, da Far Out, Daltrey, conhecido pelas performances explosivas do The Who, sempre considerou a versatilidade como o ponto máximo da expressão vocal. "Em sua visão, ser um grande cantor é conseguir transitar entre diferentes dinâmicas com naturalidade - algo que poucos realmente dominam. E mesmo figuras lendárias como Robert Plant, Chris Cornell, Mick Jagger ou David Bowie, todos eles frequentemente citados em listas de 'melhores de todos', não chegam, na opinião do britânico, ao ápice da arte vocal no rock", disse.

Ao longo das décadas, Daltrey já elogiou diversos vocalistas, reconhecendo os méritos técnicos e interpretativos de cada um. Plant pela emoção, Cornell pela inteligência dinâmica, Jagger e Iggy Pop pela atitude, Bowie pela capacidade de metamorfosear a própria voz como extensão estética. Ainda assim, todos eles, de alguma forma, ficavam atrás de um artista que o vocalista do The Who sempre colocou em outro patamar.
O cantor que Daltrey considera insuperável
Para Daltrey, ninguém representa melhor a essência da voz no rock do que Freddie Mercury. E não apenas pela potência ou pelos agudos memoráveis, mas pela elasticidade vocal e pela personalidade indomável. Mercury navegava entre registros suaves, ataques intensos, nuances barrocas, sussurros dramáticos e explosões grandiosas. Tudo isso sustentado por um carisma que tornava qualquer palco pequeno demais para ele.
Em entrevista, Roger Daltrey não economizou elogios: "Quando perdemos Freddie, não apenas perdemos uma grande personalidade, um homem com senso de humor e um verdadeiro showman - perdemos provavelmente o melhor, o melhor cantor virtuoso de rock'n'roll de todos os tempos". Ele prosseguiu: "Ele podia cantar qualquer coisa, em qualquer estilo. Mudava de estilo de uma linha para outra e, meu Deus, isso é uma arte. E ele era brilhante nisso."
Segundo Murphy, a escolha de Daltrey reflete um consenso que só cresceu após a morte de Mercury. "O vocalista do Queen combinava técnica, sensibilidade e teatralidade como poucos. O timbre naturalmente baritonal se expandia para regiões de tenor e até soprano, criando uma paleta vocal quase inimitável. Mais do que alcançar notas, Mercury contava histórias, moldava atmosferas e transformava música em espetáculo", concluiu.
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