W.A.S.P.: grupo de Rock sexista e maldito banido na Irlanda

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Por Willba Dissidente, Fonte: Site oficial da banda, Tradução
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W.A.S.P. "30 Anos de trovão" é o nome da série de quinze textos que Blackie Lawless está publicando no "Official W.A.S.P. Nation Website" para comemorar o vindouro trigésimo aniversário de seu grupo, a se realizar em setembro de 2012. Todo mês o guitarrista, vocalista, produtor e lider do W.A.S.P. escreve um episódio contando o caminho que sua banda fez até se tornar umas das mais importantes do mundo do Heavy Metal. No Brasil, W.A.S.P. "30 Years of Thunder" é traduzida por Willba Dissidente e publicada primeiramente no Whiplash.net.

Edições anteriores:

Parte 01:
3257 acessosW.A.S.P.: Lawless relembra o primeiro show da banda

Parte 02:
3178 acessosW.A.S.P.: inspiração em Mad Max 2 e Conan, o Bárbaro

Parte 03:
2910 acessosW.A.S.P.: muito grande para as maiores gravadoras ignorarem

Parte 04:
2486 acessosW.A.S.P.: doando sangue para terminar fita demo

Parte 05:
5000 acessosW.A.S.P.: ofendido com o empresário do Iron Maiden

W.A.S.P. "30 Anos de trovão" - Parte Seis.

"A TURMA DE 82', 83'"

Rod (Smallwood, empresário do IRON MAIDEN - ver edição anterior) voltou para a Inglaterra e nós mantivémos contato pelas próximos semanas. Ambos tentávamos determinar aonde iríamos e quem viria com a gente. Rod precisava de tempo para processar a fita demo que fizemos e pensar bem se havia mesmo um futuro para o W.A.S.P. Se envolver com qualquer banda requer uma quantia tremenda de tempo e dedicação. Até as mais bem sucedidas bandas levaram anos para se tornarem atrações principais, então ele, Rod, precisava de tempo para pensar. Ele pensou. Eu ainda estava em contato com Bill Aucoin (ex-empresário do KISS - ver edições 01 e 02). Honestamente, essa coisa com o Bill estava começando a me deixar inquieto. Ele estava empresariando BILLY IDOL na época e eles haviam lançado o disco "Rebel Yell", que estava detonando nas paradas de sucesso. Bill estava muito envolvido em empresariar o Billy e eu temia que ele possivelmente não teria tempo suficiente para nos dedicar. Anos atrás ACE FREHLEY me deu um dos melhores conselhos que poderia receber. Ele disse, "lembre-se que o primeiro contrato que você assinar vai, provalmente mais que tudo, determinar sua carreira inteira". Mais tarde eu descobriria que ele estava 1000% correto. O que ele quis dizer era "se você fizer um mal contrato, ainda que bem sucedido, você será tão explorado que nunca irá se recuperar". Muitos artistas de sucesso nunca conseguem fugir das dívidas que os impuseram e isso os segue a carreira toda. Não é incomum grandes nomes artísticos possuirem dois ou três maus contratos enforcando seus pescoços que os sufocarão o resto da vida; e eu te prometo, esses empresários velhos não dão no pé. Eles ficam lá esticando os braços para te agarrar pelo resto da vida!!


Agora, eu não sentia que isso pudesse ocorrer com Bill, eu só queria a situação que tivessemos a atenção que precisássemos. Eu gostava do Bill e o respeitava muito, mas minha ligação com o Rod era especial. É uma daquelas coisas que você sabe instintivamente. Tinhámos muito em comum: ambos éramos ex-atletas e acreditavamos fortemente na concepção que "poder é fazer"!! Em outras palavras, se algo estiver no seu caminho, então o remova... por QUALQUER meio necessário!!!! Rod era durão e esperto e nunca teria um relacionamente assim com o Bill e era isso que eu queria de verdade. Foi logo após o Natal de 1983 que Rod me ligou e disse que queria nos empresariar. Eu tive cerca de três semanas para pensar a respeito e quando ele me ligou eu sabia que ele era o cara eu queria. Não tinha, absolutamente, algo a ver com o fato dele estar empresariando o IRON MAIDEN. Eu queria ele com o W.A.S.P., fosse ele bem sucedido ou não. Eu sabia que ele era o correto!!


Então ele voltou para Los Angeles duas semanas depois e nós começamos a esboçar um plano. Primeiro nós precisávamos de um contrato de gravação. Ele, inicialmente, foi à EMI/CAPITOL porque esse era o selo do MAIDEN. Eles estavam mais interessados na gente agora porque eles sentiam que com Rod de empresário nós tinhamos algo. Mas, ainda NÃO estavam dispostos a se comprometer. Havia um selo local menor chamado Enigma Records que acreditava na gente e queria ter nos assinado meses atrás. O proprietário da companhia ofereceu hipotecar sua casa para assinar a gente. Na real, ficamos muito inclinados a pegar a ofertar dele. Então, enquanto a EMI estava arrastando o passo, nós fizemos saber que a Enigma estava deseperada pela gente. Umas duas semanas depois a EMI finalmente "Disse Sim" e nos assinou com o maior contrato da história para qualquer banda que nunca tinha sido assinada. Sete álbums por dois milhões e meio de dólares. Da noite para dia éramos ganhadores da loteria!!!

No dia em que assinamos com a EMI nós fomos ao prédio da Capitol Records em L.A. e eles nos levaram para a sala de conferência. Lá dentro tinha uma mesa de cinco metros com cadeiras ao redor dela. Todos os chefes estavam lá sentados consco e no meio da mesa havia uma lingua de vaca fresquinha fatiada. Ela era enorme e cheirava mal!! Imagine você lá sentado com sangue caindo das beiradas da mesa!

Ninguém dizia uma palavra a respeito. Eles ficavam falando com se aquilo não estivesse lá. De fato eles atuavam como tudo estivesse normal, como se nada incomum estivesse acontecendo. Por volta de 10 minutos depois eu, não suportando mais aquilo, pulei e gritei "tira essa maldita coisa daqui"!!!! A sala toda explodiu em risadas!! Era o jeito da EMI de dizer "Bem-vindos"!! Todo pessoal da EMI/Capitol era fantástico e nós tivemos um ótimo relacionamento por anos.


Poucas semanas depois nós voltamos ao estúdio para gravar "A.N.I.M.A.L. F**k like a Beast" e o lado B "Show no Mercy" com meu bom amiho Mike Varney de produtor. Essa música virou um single para preparar o mundo para o que viria naquele mais tarde naquele ano. Quando nós terminamos o single, a EMI do Reino Unido soltou umas cópias prévias na Inglaterra. O Conselho da Rainha ouviu a nossa música (eles são um grupo de vigilância social do governo do Reino Unido) e advertiu os cabeças da EMI que se eles lançassem aquele single, cada um deles pegaria 21 dias de cadeia!! Desnecessário dizer que a EMI não queria isso e permitiu o lançamento pela Music for Nations. Aquele era um tipo de publicidade que não poderíamos comprar e o single explodiu na parada Metal do Reino Unido!!

Enquanto tudo isso rolava o W.A.S.P. estava no estúdio registrando o primeiro disco. Era excitante e exaustivo ao mesmo tempo; a pressão era intensa. Nos deram muito e muito era esperado. Qualquer coisa menor que ouro seria considerada um fracasso. Felizmente, o disco foi bem recebido, mas à época não dava pra saber como o mundo nos acolheria. Algo que eu não tinha contado antes: o primeiro disco foi tão recebido que na verdade ele foi disco de ouro logo de cara em vários países; mas o primeiro prêmio veio do Canada. Havíamos acabado de voltar para Los Angeles após nossa primeira tour mundial e eu recordo de colocar o troféu ao lado da TV e passar noite toda sentado na cama. Assistia a tevê alguns minutos, então ficava "assistindo" o disco de ouro por poucos minutos. Eu estava sozinho e isso durou a noite toda!! Essa é uma parte concluida da fantasia. Isso é com o que você cresceu sonhando. Foi uma das melhores noites da minha vida!!!


Voltando, após terminar a gravação do disco nós filmamos os vídeos de "I Wanna Be Somebody" e "L.O.V.E. Machine". Uns poucos dias antes de iniciar a tour eu fui ao estúdio e encontrei com o Kevin DuBrow (vocalista do QUIET RIOT). Eles acabavam de voltar da Inglaterra e ele me advertiu: "É melhor você se preparar. Tem um tipo de W.A.S.P.mania rolando por lá". Eu sequer fazia idéia do que ele estava dizendo. Então, nós voamos para o Reino Unido para começar nossa primeira tour mundial. Nós pousamos na Inglaterra e a impressa estava lá para nos receber. No caminho para Londres nós paramos num semafaro e a notícia principal na capa do Daily Newspaper era "Grupo americano de Rock sexista e maldito banido na Irlanda"!! Olhei aquelo e pensei 'quem seria' sem fazer idéia... de que éramos nós!!

Em razão de todo alvoroço da pré-tour ao nosso redor, nós fomos banidos de tocar na Irlanda na hora que subimos no avião, então não tinhámos como saber disso até pousarmos. A Noruega também nos baniu naquela turnê.


De todo modo, olhando em retrocesso, na hora em pousamos em Londres, tudo que conseguimos como uma banda (as demos, a casa que o Troubadour se tornou pra gente, a Doação de Sangue, construir os adereços de palco - ver edições anteriores) TUDO nos levou até aquele ponto. Esse era aquele momento, o começo de tudo pelo que batalhamos tanto... mas também era o fim. O fim da era mágica que tivemos em Los Angeles, com todos os amigos, os triunfos e a insanidade que aquela época de 82' e 83' era. Foi um dos melhores momentos de nossas vidas. Como se fosse um ano mágico no colegial que você deseja que nunca acabe. Você nunca sabe que está dizendo adeus, mas quando finalmente você tem uma folga, três anos depois, e olha para L.A. você constata que nada era o mesmo: TODAS AS COISAS e TODAS AS PESSOAS haviam mudado. Mas, nós estávamos vivendo o Sonho. Éramos famosos, tinhamos dinheiro, nossas namoradas eram estrelas de cinema e posters de revistas. Era tudo muito bom... mas nada daquilo podia substituir o que tinhámos naqueles primórdios. Ao escrever isso eu me encontro muito nostálgico em relação àqueles primeiros dias. Tem sido escrito: "você nunca consegue voltar DE NOVO para casa"

Isso é como se fosse um velho amigo... aquele que você sabe que nunca poderá ver de novo.

Mais mês que vem!
B.L.

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Sobre Willba Dissidente

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