W.A.S.P.: momento Spinal Tap com o Metallica.

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Por Willba Dissidente, Fonte: Site oficial da banda, Tradução
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W.A.S.P. "30 Anos de trovão" é o nome da série de quinze textos que Blackie Lawless está publicando no "Official W.A.S.P. Nation Website" para comemorar o vindouro trigésimo aniversário de seu grupo, a se realizar em setembro de 2012. Todo mês o guitarrista, vocalista, produtor e lider do W.A.S.P. escreve um episódio contando o caminho que sua banda fez até se tornar umas das mais importantes do mundo do Heavy Metal. No Brasil, W.A.S.P. "30 Years of Thunder" é traduzida por Willba Dissidente e publicada primeiramente no Whiplash.net.

Edições anteriores:

Parte 01:
3258 acessosW.A.S.P.: Lawless relembra o primeiro show da banda

Parte 02:
3181 acessosW.A.S.P.: inspiração em Mad Max 2 e Conan, o Bárbaro

Parte 03:
2911 acessosW.A.S.P.: muito grande para as maiores gravadoras ignorarem

Parte 04:
2491 acessosW.A.S.P.: doando sangue para terminar fita demo

Parte 05:
5000 acessosW.A.S.P.: ofendido com o empresário do Iron Maiden

Parte 06:
3898 acessosW.A.S.P.: grupo de Rock sexista e maldito banido na Irlanda


W.A.S.P. "30 Anos de trovão" - Parte Sete.

"A NOVA DESORDEM MUNDIAL"

Cerca de três semanas antes da primeira turnê começar, Rod (Smallwood, empresário do W.A.S.P. e do IRON MAIDEN, ver edições anteriores) chegou em mim e no Chris e disse: "nós temos um problema". Aparentemente a Capital/EMI estava ficando extremamente preocupada com os relatos de abusos de drogas e comportamento errático de Tony Richards, nosso baterista. Rod nos disse: "ele deve ser substituido... agora"!!

Tanto Chris quanto eu sentimos que se nós pudéssemos cair logo na estrada, o que quer que fosse que estivesse preocupando a gravadora desapareceria. Ambos defendemos ferozmente o Tony. Por duas horas houve muitos gritos e ameaças de deixar a companhia, mas a esse ponto a Cpital/EMI tinha tanto dinheiro investido na gente que pouco havia a ser feito. Eu lembro de estar sentado ali, com um sentimento de que algo estava afundando no meu estômago. Era como um pesadelo que eu pudesse ver acontecer, em camera lenta, bem em frente aos meus olhos e não havia algo a ser feito para impedir que essa onda despencasse na gente. Foi a primeira vez que eu lembro ficar matutando "nós pertencemos a eles (EMI) agora"! Na minha cabeça eu lembrei algo que o Ace (Frehley) havia me dito anos antes. Ele falou "quando você assina aquela linha pontilhada, a sua vida não te pertence mais". Mais tarde eu escreveria sobre isso na música Chainsaw Charlie (Murders in the new morgue), “sign right here on the dotted line”. Essa foi a primeira vez que o mostro exibiria sua cabeça horrenda. Ninguém fora do nosso grupinho mais fechado intendia que tentar substituir Tony era UM PROBLEMÃO. Esse cara fazia de tudo, tocava super bem, tinha uma aparência fantástica e havia algo sobre a personalidade dele que, definitivamente, pulava para fora nas fotos.


Essa combinação é impossível de se encontrar num músico e eu sabia disso muito bem. Levei anos para encontrar essa combinação de personalidades para criar essa banda e nós ainda nem havíamos tocado nosso primeiro show fora da California e agora esse Behemoth de gravadora está me dizendo que não posso escolher a dedo meu line-up inicial. Furioso... para dizer o mínimo. Vendo em retrocesso era como se NAQUELE momento nós estívemos quase fatalmente feridos. Por anos, e quero dizer ANOS DEPOIS, Chris e eu falaríamos em termos de "e se". E se nós simplesmente tivéssemos saido em tour com o Tony? E se, e se... até agora isso assombra nossas carreiras. Veja, TONY NÃO PODIA SER SUBSTITUÍDO, não do jeito nós queríamos (que um batera fosse). Quem quer que fosse assumir seu lugar teria uma tarefa não invejavél. Na frente da capa do nosso primeiro disco você vê nós quatro. Nunca em algum outro disco repetimo isso. Por quê? Sentíamos que a junção de todos os quatro criava essa "coisa". Algo que era maior que a gente individualmente. Com Tony fora, nós nunca seríamos os mesmos, aquela "Coisa" foi tão severamente ferida que nunca de novo nós teríamos a confiança para colocar a banda toda na capa outra vez. Nós usamos a mim na capa dos dois próximos discos, mas depois disso optamos por capas de arte conceitual. Algo que continua até hoje!!


Chega Steve Riley. Steve era um bom baterista, mas ele estava sendo jogado numa situação que não poderia vencer. Não importa quão bom o novo membro fosse, ele ainda teria de lidar com a sombra do cara anterior, e, às vezes, aquele "cara anterior" pode fazer uma sombra gigante; como foi o caso aqui. Mas nós lambemos nossas feridas e continuamos. Era como ter de estudar para uma prova importante só faltando alguns dias para nossa primeira tour mundial. De todo modo, Steve era bom e os ensaios aconteceram OK. Então, era a hora de atear chamas pelo mundo e com nosso logo do W.A.S.P. flamejante, queríamos literalmente isso!! Banidos na Irlanda, pastores nos seguindo pelos shows, e piquetes dentro e fora dos locais de apresentação; garotos usando tinha esmalte para colocar listras branca no cabelo, protestos na maiora dos shows... e isso foi só o primeiro mês!! O Reino Unido como um todo não sabia o que pensar de nós a princípio, mas a garotada nos adorou!! Foi no show do Lyceum, agora famoso pelo vídeo “Live at the Lyceum”, que ajudou a criar o burburinho com a imprensa. Rod fez um trabalho tão bom os preparando para a gente, que naquela época a imprensa acreditou que fossemos "Elvis" e "Átila, o Huno" comprimidos em um só!! Nós nos exibimos e não desapontamos!! Assistindo aquele vídeo agora eu posso ver o porquê dele ter assustado o país inteiro. Algumas pessoas estavam esperando que fossemos algo caricato, mas quando se assiste àquela apresentação é fácil de ser ver que nós éramos sérios no que fazíamos. É possível de ser enxergar nos olhos deles... nós não estávamos brincando!! Eu lembro de ter ido a um clube alguns anos depois, quando estávamos gravando o "Headless Children" e o assisti pela primeira vez desde a filmagem. Então eu pude entender o que chocou tanto os pais da molecada na gente. Via a fita como se estivesse vendo outra pessoa. Os caras na tela eram um BANDO ASSUSTADOR!! Nós éramos jovens e famintos e LOUCOS com todo mundo e isso aparecia em abundância!! A raiva estava pingando da gente. Nunca tinha visto antes. Até aquele momento eu nunca soube o que nós realmente parecíamos. Por causa de onde eu estava com a cabeça na época que fazíamos o "Headless" eu estava assistindo a outra pessoa e a via com um par completamente diferente de olhos.


Então, após termos amedrontado permanentemente o Reino Unido, nós seguimos pelo continente europeu. A Suécia estava tão empolgada conosco que fizeram um debate sobre a gente na TV Nacional que durou por três dias. A Noroega não quis saber da gente e não nos deixou entrar no país. A Finlândia nos amou desde o comecinho, mas no primeiro show em Helsinki houve um incidente. Eu introduzi uma música que o Chris deveria começar. Disse o nome da música, mas não havia o Chris. Eu falei denovo, e ainda não ouvi o Chris. Eu o procurei com a vista e ele estava caido no palco. Do nada ele foi nocauteado!! Naqueles dias estavamos fazendo o número da "carne crua" e alguns dos fãs acharam que poderiam nos ajudar e trouxeram sua própria carne. Alguém entrou sorrateiro com uma peça de alcatra inteira e tacou no palco. Ela acertou Chris na cabeça... oops... O SHOW ACABOU!!! Ele ficou desacordado por vários minutos. Foi bem próximo do final do show, então não importou que nós não o terminamos. Esse tipo de coisa estava acontecendo todo o dia em todo lugar que íamos. Era loucura... mas era ótimo!!! Nós seguimos para destruir no Japão e voltamos para casa para começar a turnê pelos EUA. Fizemos tours com KROKUS, KISS, QUIET RIOT, METALLICA e IRON MAIDEN. Houve também uma excursão de show triplo que era ARMORED SAINT, METALLICA & W.A.S.P.


Qualquer pessoa sortuda o suficiente para ir a esses shows realmente viu algo especial. Todas essas bandas nos seus primeiros dias... WOW! Normalmente, quando as bandas estão começando é que elas estão na sua melhor forma. Elas são cruas e indefinidas e tiveram zero polimento ainda. Esses três grupos não eram excessão... rudes, brutos e lascivos!!! Aqueles shows são agora considerados lendários. Havia uma enorme cota de competição entra a gente, mas sempre tinhámos a maior DIVERSÃO!! Essa foi uma daquelas épocas especiais, das quais eu recordo com ótimas memórias.

Uma vez nós estávamos tocando em Indianapólis e todos nos atrasamos por causa do longo percurso feito na noite anterior, então ninguém fez o soundcheck um dia antes por causa de termos demorado a chegar. Nós e o METALLICA estamos trocando toda noite quem seria o headliner do show. Uma noite eles fechariam, na noite seguinte o W.A.S.P. fecharia. Nessa noite nós encerraríamos e todo mundo estava apressado tentando deixar tudo pronto antes do show. Isso ocorreu num tipo antigo de teatro, daqueles em que o backstage era como uma caverna com um milhão corredores, MUITO fácil de ser perder dentro. Nenhum de nós tinha estado no palco de lá, então se você não tivesse alguém contigo que soubesse o caminho, pode ter certeza que não haveria como chegar sozinho. Bem, eu estou no banheiro me preparando para me barbear ouvindo começar a música de introdução do METALLICA.

A porta do banheiro é escancarada e lá aparece o Cliff (Burton), desesperado, sozinho e gritando "BLACKIE, CADÊ O PALCO"!! Eu tinha acabado de passar a lâmina de barbear pelo pescoço e, o vendo do espelho, disse "Cliff, eu realmente não sei". Ele berrou, "VAI SE FERRAR BLACKIE" e saiu vazado. Ele achou que eu estivesse azucrinando com ele, mas honestamente eu não estava. Realmente não sabia como se chegar ao palco. Foi um verdadeiro momento SPINAL TAP!!! Comecei a rir tanto que estava prestes a chorar, porque ele estava tão louco que chegou ao limiar de ter um ataque de pânico. O Cliff achou que fiz de propósito, mas não foi. O METALLICA estava tocando sua primeira música por dois minutos quando eu ouvi o baixo entrar. Cara, como aquela época era divertida!!

Nos terminamos o restante da turnê estadunidense e nos preparamos para começar os ensaios de nosso próximo disco. Foi quando começamos a ouvir, pela primeira vez, um murmurinho da costa leste, vindo de Washington D.C.. algo sobre essa coisa chamada P.M.R.C. e uma mulher chamada Tipper Gore.

Aparentemente, tinha algo a ver com a gente!!! Eu imaginava... o que poderia ser???

Mais mês que vêm!!
B.L.

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