W.A.S.P.: sabotagem na tour com o Motörhead de 1997

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Por Willba Dissidente, Fonte: Site oficial da banda, Tradução
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W.A.S.P. "30 Anos de trovão" é o nome da série de quinze textos que Blackie Lawless está publicando no "Official W.A.S.P. Nation Website" para comemorar o vindouro trigésimo aniversário de seu grupo, a se realizar em setembro de 2012. Todo mês o guitarrista, vocalista, produtor e lider do W.A.S.P. escreve um episódio contando o caminho que sua banda fez até se tornar umas das mais importantes do mundo do Heavy Metal. No Brasil, W.A.S.P. "30 Years of Thunder" é traduzido EXCLUSIVAMENTE por Willba Dissidente e publicado primeiramente no Whiplash.net.

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W.A.S.P. "30 Anos de trovão" - Parte Doze.

"UMA NOITE MUITO PESADA"


Estava no Arizona no começo de 1995 inspecionando uma propriedade que eu iria comprar. Ela pegou fogo três dias antes finalizarmos o negócio. Então... "California, aqui vou eu"!!! Havia acabado de terminar (o disco) "Still Not Black Enough" e tive muito trabalho o finalizando. Eu sofria da sindrome "PCI". Significa sindrome "Pós- Crimson Idol" (ver edição anterior). É algo comum de acontecer com artistas quando eles fazem um trabalho muito bom. Eles começam a pensar que não há como igualar ou ir além daquele ponto. Acontece o tempo todo. Eu conheci caras que, não obstante terem discos em primeiro lugar na parada, passam a sofrer do mesmo bloqueio mental achando que eles nunca vão alcançar de novo aquele sucesso. Antes de começar "Still Not Black Enough" eu descobri que NÃO tinha mais vontade de encostar numa guitarra. Por seis meses eu passava por elas e elas pareciam cascavéis para mim. Simplesmente não tocaria nelas. Quando eu pensei que compraria uma casa no Arizona, isso voltou. Por ter desenvolvido um problema nas costas, um dia fui consultar um médico quiroprático. Ele me acertou, nós conversamos alguns minutos e ele me perguntou o que eu fazia da vida. Isso tem acontecido por toda minha vida. As pessoas olham para mim e percebem que eu não sou banqueiro, então, invariavelmente, elas começam a questionar quem ou O QUE eu sou. Eu falei para o médico o que eu era, ele perguntou como iam as coisas e eu lhe disse que estava com bloqueio de escritor. Acontece que este médico também havia estudado psicologia. Ele me questionou um pouco mais sobre o chamado "bloqueio criativo". Quanto mais falava disso mais eu começava a entender.

Eu não tinha "bloqueio criativo". Eu tinha "bloqueio do medo"!! Isso ocorre com alguns caras quando após terem muito sucesso com um disco, eles ficam com medo que nunca vão repetir ou superar esse êxito (temor este que beira a paranóia). Falamos por volta de uma hora. Alguns minutos depois de sair do consultório dele eu estava dirigindo e me peguei 'tocando bateria' no voltante do carro enquanto ouvia rádio. Isso era algo que eu não fazia há anos!!

Perceba, voltei a ver graça na música quando eu descobri que não sofria de bloqueio criativo e que eu não odiava minha guitarra. Eu morria de medo nunca igualar o que eu havia feito no "Crimson Idol". Para resumir, era medo de falhar. É por isso que tem gente demora uma eternidade para fazer discos. Subconscientemente, elas pensam que se você não compor não tem como você falhar. O verdadeiro problema é, deixar de fazer algo por causa disso é a maior de todas as derrotas. Quando finalmente eu encarei essa idéia, eu me libertei. Me considero muito afortunado ter tido essa revelação. Alguns artistas nunca perceberão isso.

Enquanto eu estava no Arizona eu fui a um barzinho ver um show do SLASH. No dia seguinte eu estava dirigindo ouvindo rádio e o DJ disse: "Na noite passada eu fui ver o SLASH". "O show foi ótimo e havia algumas celebridades presentes". Ele continuou: "Rob HALFORD e Blackie Lawless estavam lá". Num tom muito esnobe de voz, ele soltou: "Ei Blackie, o que você está fazendo agora?" Era como se dissesse: foi você ou sua carreira que morreu!!

Eu sentado lá senti como se alguém tivesse me chutado no estômago. Isso era 1995 e o grunge era 'a bola da vez'. Um mês antes eu tinha ido assistir o IRON MAIDEN em Los Angeles e eles tocaram para 1.500 pessoas na platéia. Haviamos descido a esse ponto. O grunge ficou tão grande na época que muitos de nós (das bandas de metal) pensaram que talvez estivesse tudo acabado pra gente. Em retrocesso, não tivesse o W.A.S.P. gravado o "The Headless Children" quando o disco foi gravado e nós poderíamos ter sumido como qualquer outra banda que morreu nos anos oitenta.


Voltando, eu estava sentado no carro, louco, nervoso e fora de mim!!!

Peguei o telefone e liguei para meu assistente... "chame o Holmes... estou voltando essa noite pra casa"!!!

Eu já havia considerado, por alguns meses, sobre ligar para o Chris e ver se ele estava interessado em, de novo, fazer alguma coisa. Eu soube que ele havia divorciado da Lita (Ford, ex- RUNNAWAYS e artista solo).

Passados alguns dias nós nos encontramos pela primeira vez em quase seis anos. Ficamos quase duas semanas só conversando e tentando nos conhecer de novo. Coisa demais havia acontecido nesses seis anos e nós dois mudamos como pessoa. Um mês se passou e nós pensamos que poderia dar certo outra vez. Agora estávamos em agosto de 1995 e ainda não havia começado a 'onda de reuniões planejadas de bandas'. Eu sabia que o KISS estava especulando sobre o tema, mas até então o ACE FREHLEY me disse que NÃO tinha planos de reunião. Depois que nós começamos a compor juntos outra vez, eu lí o MARILYN MANSON dizendo em entrevista que por causa do sucesso DELE que Chris e eu nos reunimos. Honestamente, quando Chris e eu recomeçamos a trabalhar juntos, eu NEM TINHA IDÉIA de quem era Marilyn Manson!!

Foi então que nossa dupla começou a elaboração do que eventualmente se tornaria "Kill, Fuck, Die - KFD" (Mate, Foda, Morra; MFM, em português). Levou, mais ou menos, um ano para montarmos o disco e quando estávamos por terminar começamos a pensar seriamente em remontar a banda. Para a bateria eu tinha Stet (Howland) da turnê do "Crimson Idol" e nós precisávamos de um baixista. Chris disse que conhecia um cara bom para o serviço. Era o Mike Duda!! Ele era jovem e arrogante... exatamente o que precisávamos!!! De bônus, ele tocava com uma presença infernal! O show que nós montamos era monstruoso e NÃO indicado aos fracos de coração!

Rod (Smallwood, empresário do W.A.S.P. e do IRON MAIDEN, ver edições anteriores), ainda não tinha assistido ao show e eu lembro dele chegando para nos ver em Nottingham. Na noite seguinte ele quis sair para jantar com a gente. Chegamos no restaurante e ele disse "cês sabem, a abertura do show foi ótima. Vocês começaram com o material antigo e pelos primeiros 30 minutos, foi fantástico"!! Ele prosseguiu: "mas então, em algum lugar depois daqueles primeiros 30 minutos, as luzes diminuiram e o show ficou muito dark... e então ele mudou para um clima MUITO PESADO"!!!!

Eu gargalhei e discordei dele. Ele me disse: "vocês não precisam de toda aquela encenação... as músicas são tudo que vocês precisam... aquelas músicas são fortes o suficiente para funcionarem por sí só"!!

Nó continuamos e terminamos a tour na Europa. Eu levei muito tempo para perceber que Rod estava certo!! Desde então, nossos shows são feitos em torno da música. O visual e a teatralidade são construídos ao redor da música... não ao contrário!!!

Uma coisa que eu gostaria de esclarecer foi a parte estadunidense dessa turnê, que nós fizemos com o MOTÖRHEAD. Muito foi escrito do desentendimento que ocorreu entre Lemmy e eu. Havia muita tensão entre nós durante toda essa fase da tour e num dado momento eu entrei numa discussão acalorada com ele. Eu já conhecia o Lemmy havia muito tempo e os problemas que nós estávamos tendo não faziam sentido. Nós costumávamos sair juntos para os Night Clubs, então os acontecimentos da turnê que causaram problemas eram estranhos; para se dizer o mínimo. Poucos meses após acabar minha turnê eu encontrei com ele durante a filmagem de um especial para o VH1. Nós conversamos um pouco e discutimos que diabo havia acontecido. Acabamos descobrindo: alguém do agendamento de shows havia me dito uma coisa, e Lemmy disse que outro cara o contou o oposto do que eu havia ouvido a respeito de como a turnê deveria ocorrer. Isso fez uma tour que deveria ter sido recheada de diversões ser preenchida com tensão totalmente desnecessária. O que aconteceu é que esse pessoal que cuidou do agendamento usou tanto a Lemmy quanto eu para conseguir o que eles queriam. Depois que terminamos nosso assunto eu fiquei MUITO emputecido com esses caras. Eu sei, eu FUI MANIPULADO!!! Nós nos abraçamos e ele me ligou no dia seguinte. Eu sou feliz por o chamar de amigo. Quisera eu voltar no tempo e desfazer tudo o que ocorreu naquela tour!!! Como nota de rodapé, nossas bandas estavam tocando há alguns meses (em 2012) num festival na Romênia. Estava, sem sombra de dúvida, muito CALOR naquele dia!!! Eu entrei no camarim do MOTÖRHEAD após o W.A.S.P. sair do palco e disse, "Lemmy, o que quer que você faça, tenha certeza de estar COMPLETAMENTE hidratado antes de subir no palco ou você vai desmaiar"!! Ele levantou um copo cheio de Coca-cola com Jack Daniels e disse: "pretendo estar tão COMPLETAMENTE hidratado lá fora ... tanto quanto OS MUITOS cubos de gelo nesse copo me permitirem"!!!! Tudo o que eu pude fazer foi segurar minha cabeça e começar a gargalhar... esse é o Lemmy que eu conheço e amo!!!

Junto com o Chris fizemos mais alguns poucos discos mas, sinceramente, eu não sentia que ele e eu éramos capazes de capturar a mágica que tivemos juntos no começo da carreira. Veio 2000 com Darrel Roberts completando o time por mais alguns anos. Para aquele momento, Roberts fez um bom trabalho. Agora era hora de começar de novo.

Em 2006 o W.A.S.P se tornou a unidade que é hoje. Bem-vindo de volta Doug Blair (ele fez a tour do Crimson Idol)!!! Bem-vindo Mike Dupke (bateria)!!! E Duda... ele é quem está há tempo nessa banda, exceto por mim... 17 anos!!!! Agora era chegada a hora de concebermos o "DOMINATOR"!!!!

Mais mês que vêm,
B. L.

Nota: Quem quiser ter uma idéia do que Rod Smallwood queria dizer pode conferir no vídeo abaixo uma filmagem da turnê do W.A.S.P. de 1997 (no Rainbow Club de Milão, na Itália):

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