W.A.S.P.: o casamenteiro de Lita Ford e Chris Holmes!

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Por Willba Dissidente, Fonte: Site oficial da banda
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W.A.S.P. "30 Anos de trovão" é o nome da série de quinze textos que Blackie Lawless está publicando no "Official W.A.S.P. Nation Website" para comemorar o vindouro trigésimo aniversário de seu grupo, a se realizar em setembro de 2012. Todo mês o guitarrista, vocalista, produtor e lider do W.A.S.P. escreve um episódio contando o caminho que sua banda fez até se tornar umas das mais importantes do mundo do Heavy Metal. No Brasil, W.A.S.P. "30 Years of Thunder" é traduzido EXCLUSIVAMENTE por Willba Dissidente e publicado primeiramente no Whiplash.net.

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W.A.S.P. "30 Anos de trovão" - Parte Nove.

"VOCÊ CONSEGUE VER O VERDADEIRO EU... VOCÊ CONSEGUE?"

O último show da "Inside the Eletric Circus" Tour foi no Long Beach Arena, perto de Los Angeles. Lá também foi gravado o que se tornaria o (disco) "Live In The Raw". Além de mixar as faixas deste álbum eu estava me mudando para uma casa nova. Tudo isso era uma boa distração. Como você pode imaginar pelo que contei nas edições anteriores, eu precisava de um tempo "down" para avaliar o que aconteceu nos últimos 5 anos... especialmente nos últimos três.

Fiquei muito tempo pensando sobre quem eu era e como me via como escritor. No meio do caminho do primeiro disco eu entrei no estúdio e o engenheiro de som estava sentado olhando distante em pensamentos. Perguntei o que havia de errado e ele me disse, "acabei de ouvir que MARVIN GAYE foi assassinado noite passada"...

Conversamos por quase uma hora e ele me contou que havia trabalhado com Marvin alguns anos antes. Ele disse "uma coisa que sempre ví Marvin fazer foi compor discos que refletiam quem ele era naquele momento de sua vida". Eu pensei sobre isso por anos (e ainda o faço) e quando veio a hora de preparar o próximo disco, decidi. "É isso", é precisamente o que vou fazer. Veja, quando nós fizemos o primeiro álbum, criamos o que não sabíamos o que era. Eu estava apenas sendo natural, mas sem a capacidade de me colocar numa expressão verbal e mental mais completa. Agora eu estava num ponto de minha vida em que invés de seguir o impulso, eu parava e dizia: "quem eu sou neste momento"? Isso era muito importante porque eu caira na armadilha de fazer discos baseado em quem ou o que A BANDA deveria ser e não em quem eu estava me tornando. Muitos artistas, especialmente no Mundo do Metal, morrem de medo de tentar se desenvolver porque eles temem que os fãs os abandonem. O engraçado era que, eu havia trabalhado incrivelmente duro para chegar onde estava, mas no verão de 1987, não me importava mais.


O que me aconteceu era que eu não dizia as coisas que sentia de um modo passional e me ressentia por isso do mesmo jeito e, ao mesmo tempo, não sabia me sentir assim por estar entorpecido na turnê. Quando finalmente acordei disso tudo e me olhei no espelho, nem mais sabia quem eu era. Eu fui a um certo banco quando essa tour terminou. Estava na janela do caixa preenchendo um cheque. Eu comecei a escrever e preenchi a quantidade, o dia e quando cheguei ao ano ... fiquei petrificado lá ... por cerca de 30 segundos! O caixa olhou para mim um pouco estranho e disse, "é 1987". Eu estava envergonhado, mas ao mesmo tempo, eu pensei, "isso não é bom"! Terminei o cheque e vazei!

Também percebi que estava mais nervoso e tenso com situações a minha volta. Em retrocesso, era toda a pressão da gravadora, turnês, a P.M.R.C. (ver edição anterior)...TUDO ISSO!!! Era uma ressaca conjunta!! Meu tipo próprio de desordem pós-traumática de estress. Não era do tipo tradicional, mas toda vez que apontam armas no seu rosto não é divertido!!

Fiz uma entrevista com revista Hit Parader estadunidense naquele verão e pela primeira vez disse EXATAMENTE o que me passava pela cabeça. NÃO ME RETIVE. Falei de racismo, religião, agitação social, e tudo o mais que quiz... NÃO ME IMPORTEI!!! Me senti ótimo!!

Então, passa-se dois meses eu pensando que a revista vai receber muitas cartas de ódio pela minha entrevista. Posteriormente o editor me liga e diz, "vou te mandar uma amostra das cartas que recebemos sobre sua última entrevista. A quantidade de mensagens falando desta entrevista é maior que a quantidade de cartas que já recebemos de tudo o que fizemos"! Eu achando..."ÓTIMO... quem se importa"!!

Chega uma caixa de correio na semana seguinte com cerca de 100 cartas dentro. Todas diziam a mesma coisa, "por que você demorou tanto?"!!!

Elas diziam saber o que havia de verdade dentro de mim e que elas estavam felizes de eu finalmente estravazar. Fiquei impressionado. Re-li algumas dessas cartas várias vezes. Elas eram apaixonadas, articuladas e perspicazes. Quem disse que os fãs de metal são tapados?... Quão errado!! Eu chuto que haviam passagens nas primeiras entrevistas e letras que os fãs sacavam coisas que nem eu via. Pelos anos eu penso naquelas cartas e nas pessoas que as escreveram. Elas nunca vão saber o que fizeram por mim!!!

Sentei para ler as cartas e sentia me espírito começar a flutuar. Pelas próximas semanas eu teria uma energia e uma determinação que não sentira há anos!! Denovo eu estava totalmente motivado a fazer um disco que alcançaria as pessoas as agarrando pela garganta!!!


No outono de 1987 eu comecei a escrever de novo. Isso foi numa tarde de sábado, lá pelas 18:00, comigo deitado no sofá para tirar um cochilo. Começa a divagar quando ouvi na cabeça "Pai, venha nos salvar desta loucura que fazemos parte". Imediatamente fui correndo à minha sala de trabalho onde estavam os instrumentos e os gravadores. Compus o verso do que mais tarde seria a faixa título do disco "The Headless Children"!!

Depois disso, eu passei a busca minhas "raizes inglesas". Era a música que eu abracei quando criança, URIAH HEEP, (BLACK) SABBATH e THE WHO. Quando começamos, o W.A.S.P. tinha uma sonoridade mais "americanizada". Desse momento em diante, nós tomaríamos uma abordagem mais "inglesa". Ao meu ver, parecia ser o tipo de som que as letras agora pediam. Não me pergunte o porquê, isso foi só o que eu ouvi em minha cabeça. Acho que pelo processo de amadurecimento que passava, eu agora referendava meus gostos musicais.

O "approach" estadunidense era aquela coisa "mais de festa". O "iglês", para mim, era bem mais sério!

Continuei a escrever pelos próximos meses até se tornar claro que pra mim que estava faltando um certo "nivel musicalidade" necessário nas canções que desenvolvíamos. Steve Riley, outra vez (ver edições anteriores), era um ótimo baterista, mas o instrumentista necessário nesta nova direção musical deveria ser um MONSTRO!!


Frankie Banali (QUIET RIOT) era o único que eu achava ser capaz de fazer o serviço. Sua habilidade de tocar falava por sí só, mas muita paciência se fazia necessária para aprender e contribuir para essas novas músicas; e ele tinha isso. Johnny Rod (KING KOBRA) era um baixista monstro também, então entre eles havia a melhor seção ritmíca do mundo... ponto final!! Johhny conhecia Ken Hensley (tecladista do URIAH HEEP) de um projeto que eles tiveram um tempo atrás. Agora Ken era um dos meus heróis de infância, pois o considero a força criativa do URIAH HEEP. Ele era um fantástico tecladista com sonoridade própria. Quando ele ligava aquele Orgão Hammond B3, você sabia que era ele!!!

Em adição às músicas novas que trabalhávamos, nós debatíamos em fazer um cover do THE WHO para lado B do vindouro primeiro single. A disputa era entre "Behind Blue Eyes" ou "The Real Me". Ao meu ver as duas músicas têm idéia lírica semelhante, então não tinha certeza de qual coverizar... até eu entrar na sala de ensaio e ouvir aquela muralha sonora!! Eles haviam ensaiado um dia antes d'eu testar as músicas. Eu entrei e eles haviam começado "The Real Me" (nota: cujo refrão é o título do episódio deste mes). Fiquei atordoado!!

Até nossa equipe de roadies, que estavam na sala trabalhando, pararam o que faziam para ouvir. Quando você conseguia fazer esses caras pararem, pode ter certeza que era algo soando muito bem. Banali na bateria, Johnny no baixo, Hensley no (órgão) B3 e Holmes na guitarra. WOW!! O estrondo vindo do palco era absolutamente MONSTRUOSO!!!! Nunca nem tentamos a outra música!!


Assim como "I don't Need no Doctor (cover do HUMBLE PIE)", que estava no "Inside the eletric Circus", "The Real Me" não era destinada ao álbum. Ambos seriam 'lados B' de singles, mas ficaram tão boas que não resistimos e as colocamos nos álbums. Posteriormente (Pete) Townshend (guitarrista do THE WHO) me disse que era o melhor cover do THE WHO alguém já havia feito. Ele falou, "não houve quem fizesse pelas minhas músicas o que vocês conseguiram". Eu sabia o que ele queria dizer... e eu estava orgulhoso!!!

A pré-produção e gravação se arrastaram por um ano e meio. Começamos em Fevereiro de 1988 e o representante do selo A&R me perguntou quando terminaríamos. Respondi "provavelmente em maio". Novembro chegou e junto a ligação dele, "Eu pensei que você havia dito que terminaria em maio", e eu repliquei, "Yeah, mas eu não te disse de que ano"!!! Ele não ficou menos surpreso.

Encerramos o disco em Janeiro de 1989.

Como nota de rodapé, logo que os ensaios começaram, LITA FORD (ex-RUNAWAYS) estava ensaiando na sala ao lado da gente. Ela havia terminado seu disco novo e sentei com ela no meu carro para ouvirmos. Quando rolou "Kiss me Deadly" eu sabia que ela estava com um grande sucesso em mãos. Fiquei feliz por ela porque a conhecia há um tempão. Enquanto ouvíamos o disco alguém bateu na janela onde ela estava sentada. Abaixei o vidro. Holmes estava lá. Apresentei "Lita, esse é o Chris"! Não pensei muito nisso na hora. Passaram alguns dias e ainda não tinha ouvido nada a respeito.

Menos de um ano depois eles estavam comprometidos!!!

Eu nunca havia me visto como o casamenteiro!!! Engraçado como as coisas acontecem às vezes!!


Poucos meses antes do disco ficar pronto, recebi ligação da diretora de cinema Penelope Spheris me perguntando se eu estaria interessado em fazer um novo filme que ela estava trabalhando chamado "O Declínio da Civilização Ocidental Parte 2 - Os Anos do Heavy Metal" (nota: a parte 01 aborda a cena Punk Rock).

Haveria uma cena de debate entre eu e Tipper Gore. Mal podia esperar, estava rangendo os dentes de ansiedade!!! Era minha chance de tirar o "tiro ao alvo" que ela e seu marido colocaram em mim e enfiá-lo na teste dela (ver edição anterior)!!

Um dia antes da filmagem acontecer Tipper cancelou!

Penelope então me perguntou se eu ainda queria participar e, honestamente, nada chegaria nem perto do que aquele "cara a cara" representaria, então ela me perguntou se poderia entrevistar o Chris. Eu disse "OK".

Rod (Smallwood, empresário do W.A.S.P. e do IRON MAIDEN) ouviu a respeito e me indagou "Eu não sei se essa é uma boa idéia, o que você acha"? Minha resposta, que ficou famosa (e da qual ainda rimos) foi, "Eu acho que sim... além do mais, quão ruim isso pode ser"?

Quanta genialidade!!!

Para qualquer pessoa que tenha assistido (o filme), ele fala por sí mesmo!!!

Quando recebi a cópia da master eu fiquei horrorizado!

Liguei para Penelope e insisti com ela, "você tem que tirá-lo do filme na edição", ela respondei: "Não posso", e então disse "por que não" e ela me explicou "todas as cópias já foram mandadas aos cinemas". Eu pirei!! Aqui nós acabamos de terminar um disco com extrema consciência social e agora esse desastre da entrevista na psicina está prestes a estreiar num filme que todo mundo vai ver!!

Se o disco não tivesse sido tão forte, esse filme o teria matado; assim como as posterior turnê mundial teria fracassado.

Acreditem em mim, eu não estou exagerando o quão danoso essa entrevista foi!!!

De todo modo, a tour procedeu e tudo estava rolando legal nas primeiras semanas. O disco ganhou ouro imediatamente... então, as coisas começaram a ficar muito tensas, muito estranhas!! Até a capa do álbum teve de ser alterada porque o Ayatollah estava nela. Ele foi substituido pelo terceiro Klansman porque todas as lojas de varejo ficaram com medo de ataques vingativos. As capas originais hoje são artigo de colecionador.

Pintava um problemão no paraiso. Tudo pelo qual trabalhamos tanto e por tanto tempo estava desbandando.


Eu tinha bem na minha frente uma banda em desintegração. A época da tour estadunidense as lutas internas na banda estavam tão acirradas que muitas vezes viajávamos de 04 modos diferentes: um cara de ônibus, outro de avião, o seguinte dirigindo e por ai vai. Muitas vezes tinhámos camarins diferentes e corredores próprios para palco, então nem nos víamos até as luzes do palco acenderem. Era uma confusão total. Um dos últimos shows que fizemos foi no Santa Monica Civic Arena - sim, o mesmo lugar que tocamos em 83'. Toda a prata da casa da Capitol (então a gravadora do W.A.S.P.) estava lá e tirei foto com todos na festa após o show. Cerca de 10 minutos depois eu estava tão deprimido, que me desculpei com todos e sai da festa rastejando pela escada de incêndio até o topo do prédio. Sentei lá e sozinho ví as ondas do oceano chegarem na praia pensando com meus botões: "bem abaixo de onde eu estou sentado, havia milhares de pessoas berrando, agora fico sentado aqui. Como algo tão bom ficou tão ruim tão de repente"!!!!! Parecia que um gênio do mal havia nos dados três desejos, mas em troca faria da vida um Inferno!!

Então, três anos depois (a edição anterior), cá estou eu de novo... procurando pelo meu espírito!! Parecia que estava se tornando um hábito.

Uma semana depois eu não tinha banda e menos ainda sabia aonde estava indo!!

Outra vez, "de volta para a prancheta".

Eu imagino que poderia ter sido pior... nós poderíamos ter sido o FLEETWOOD MAC (Nota: Lawless parece se referir ao disco "Rumors", que, não obstante o gigante sucesso comercial, gerou dois divórcios entre membros da banda)!

Mais mês que vem.

B.L.

Nota: Willba Dissidente acredita que a imitação é forma mais sincera de elogio, por isso ele agradece ao colaborador do Whiplash que fez uma prévia da matéria que ele escreve todo mês; claro que sem um décimo do texto, imagens ou dedicação ao W.A.S.P.

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Sobre Willba Dissidente

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