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Resenha - Jimi Jamison e Jeff Scott Soto (Ópera 1, Curitiba, São Paulo, 01/06/08)

A capital paranaense presenciou no primeiro dia do mês de junho a apresentação de dois nomes consagrados do Hard Rock. O ex-vocalista do Survivor, Jimi Jamison, esteve ao lado do cantor Jeff Scott Soto para expor um apanhado das principais canções de seu grupo. Já Soto, realizou um magnífico tributo ao Queen. As apresentações, de maneira indireta, celebraram a década de 80.

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Fotos: André Molina

Jamison subiu ao palco do Ópera 1 (casa de espetáculos) após show de abertura da banda curitibana Aura. Em pouco mais de uma hora, o ex-vocalista do Survivor cantou sucessos como “I Can’t Hold Back”, “Broken Promisses” e “High On You” do disco “Vital Signs” (primeiro ao lado do Survivor) e “Eye Of The Tiger”, da trilha sonora do filme de Sylvester Stallone, Rocky III. O desempenho de Jamison foi além das expectativas. O veterano demonstrou que ainda “tem muita lenha para queimar”. O entrosamento entre ele e a Tempestt (banda que acompanhou) foi perfeito. O vocalista do Tempestt, BJ, afirmou nos bastidores do evento “que a banda ensaiou somente uma vez com Jamison”. Foi o suficiente para preparar o show.

Apesar de ter sido curta, a apresentação do ex-vocalista do Survivor satisfez os 200 fãs que presenciaram o show. No bis, após o tributo ao Queen, Jamison cantou em parceria com Soto a canção “Burning Heart”, que se tornou sucesso na trilha sonora de Rocky IV. A música foi a mais pedida pela platéia.

Homenagem à rainha

A iniciativa de Jeff Scott Soto de realizar um show tributo ao Queen foi bem pensada. O cantor tem um timbre de voz semelhante a de Freddy Mercury e fez bonito. O repertório conseguiu abranger a carreira da consagrada banda britânica em 15 canções. A abertura do espetáculo contou com a música “Beautifull Day”, do último disco do Queen denominado “Made In Heaven”. Com a exibição da voz de Mercury, a faixa funcionou como uma vinheta. Em seguida, Soto entrou no palco para iniciar o show com “One Vision”.

Para manter a euforia, a banda executou mais duas canções da fase pesada do Queen. Com “Let Me Entartain You” e “Tie You Mother Down”, Jeff demonstrou que a “Rainha” foi uma banda que teve grande influência nos grupos de metal.

Em seguida, as canções “Another One Bites The Dust” (incluindo “I’ll Be Waiting” do Talisman) e “I Want To Break Free” compuseram a parte mais pop do show. Nesse momento, o público se envolveu mais e cantou as músicas com a banda.

Ao prosseguir a apresentação, Soto deu uma pausa para conversar um pouco com a platéia. Ele afirmou que Freddy Mercury é um de seus ídolos e o Queen uma das suas bandas favoritas. Antes de iniciar “Fat Bottomed Girls”, o cantor dedicou a canção às mulheres brasileiras e disse que adora “caipirinha”.

Após alguns clássicos do Queen, o tributo dá uma pausa. A banda estranhamente executa a música “Crazy”, do artista pop, Seal. Com arranjo bem mais pesado, a canção não dispersou o público e manteve o pique da apresentação. O destaque fica para o baterista do Tempestt, Gustavo Napoleone, que incorporou uma levada de pedal duplo eficiente ao arranjo da canção.

Depois de um momento diferente no tributo, a banda retornou a homenagear o Queen com “Somebody To Love”. A canção é a que demonstra o maior nível de entrosamento entre Jeff Scott Sotto e a banda brasileira Tempestt. Como acontecia com Freddy Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor, os vocais de Soto casam perfeitamente com as segundas vozes dos integrantes da banda.

O desfile de clássicos continuou com “I Want All”, do disco “The Miracle”. Esta foi uma das canções mais fiéis ao arranjo. O guitarrista Gustavo Barros executou perfeitamente o solo de Brian May. Em seguida, os músicos apresentam “Under Pressure”, “Radio Gaga” e a esperada “Bohemian Rapsody”. Em “Radio Gaga”, o público acompanhou a banda com palmas como no videoclipe que consagrou a música no inicio da década de 80. Já em Bohemian Rapsody, Jeff toma caipirinha acompanhado de BJ na parte da ópera que é executada mecanicamente.

Para finalizar a apresentação, Sotto canta uma das canções que simbolizam a despedida precoce de Freddy Mercury. Em “The Show Must Go On”, o cantor exibe uma performance, não só vocal, muito semelhante à de Freddy.

Após o encerramento, como já foi dito, o público presenciou a parceria de Jeff e Jimi em “Burning Heart”. Em seguida, a banda Tempestt aproveita a oportunidade para apresentar a canção autoral “Insanity Desire”, com participação de Jeff Scott Soto. O vocalista do Tempestt, BJ, afirma que inicialmente, Soto cantaria a música na integra. “Quando ouvi sua interpretação pedi para cantar toda, mas ele não aceitou. Justificou que deveríamos fazer uma parceria”, disse.

No final do bis, o show foi encerrado como nas apresentações tradicionais do Queen, com a dobradinha de “We Will Rock You” e “We Are The Champions”. Para os fãs da “Rainha”, não faltou nada. Com um repertório bem elaborado e interpretações fiéis, Freddy Mercury e os admiradores agradecem.

Abertura

A banda curitibana Aura foi responsável pela abertura do evento. O fator mais interessante é que foi o primeiro show realizado pelo grupo. Com um curto repertório, mas eficiente, os estreantes conseguiram conquistar a simpatia da platéia. Além do entrosamento e do apurado nível técnico, a banda se destacou também pela presença de palco. Com simplicidade, os instrumentistas souberam transmitir a identidade do grupo. O vocalista Guilherme é bem afinado e tem um perfil que lembra muito grupos como Phenomena. A canção que mais agradou a platéia foi “Hungry Hearts”, que bem trabalhada poderia entrar na programação de rádios “rock”.

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Sobre André Molina

André Molina é jornalista, economista e começou a ouvir heavy metal ainda quando era criança. Tem 30 anos de idade e Rock 'n' Roll é sua religião.

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