Brutallian: Um grande nível de excelência

Resenha - Blow On The Eye - Brutallian

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Por Hugo Alves
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Brutallian é uma banda maranhense formada em 2002 pelos ex-integrantes de outras duas bandas (Ácido e Skylord) Pablo Barros (vocais), Rhodes Johnson (guitarra), Carlos Jacer (baixo) e Mauro de Aquino (bateria). A formação durou até 2010, quando a banda decidiu pausar suas atividades por tempo indeterminado. O retorno se deu em 2013, mas as baquetas foram passadas para Daniel Mamede (ex-Fúria Louca) que permaneceu até meados de 2014 (e foi quem gravou o disco), deixando o posto para Rayan Oliveira, que permanece até hoje. No final do mesmo ano, Carlos Jacer passou as cordas mais graves para o experiente Fabio Matta, que integra a banda até o momento.

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A banda lançou no ano passado seu debut “Blow on the Eye” de forma audaciosa, considerando que não houve qualquer lançamento de demo ou mesmo material promocional anterior a isso. O disco é distribuído pela Voice Music e foi produzido por Felipe Hyily, Cid Campelo e pela própria banda. A arte da capa, simples e direta (e que remete timidamente ao clássico “Vulgar Display of Power” do Pantera) é de autoria do baixista Fabio Matta. A seguir, a resenha do disco, faixa a faixa.

Precedida pela introdução “A Prelude to Aggression”, vem a faixa-título “Blow on the Eye” e aqui já cabe um elogio a todo o disco: o som da guitarra de Rhodes Johnson está absurdamente bem gravado em todo o CD, o que é um deleite aos ouvidos! Voltando à faixa-título, o que se ouve é um Thrash Metal com toques de Heavy Metal clássico, com estrofes berradas e um refrão simples, sucinto, mas muito poderoso, daqueles pra galera cantar alto no show erguendo grandes copos de cerveja. Não tem como um disco de Metal em geral começar melhor, sinceramente!

A seguir, “Black Karma” que, pela força cavalar do refrão cadenciado e com ótimos coros “out get out”, classifico sem medo de errar como uma das melhores canções que já ouvi nosso Metal brasileiro produzir. Por sua vez, “Primal Sigh” vai surgindo devagar, num crescendo de coçada de palheta nas cordas mais graves da guitarra e groove no chimbal para, quando começa de vez, parecer a sucessora mais natural possível a “Black Karma” (verdade seja dita: saber construir uma tracklist também ajuda muito no sucesso de um disco). O que mais me agradou nessa faixa foi o resultado do vocal de Pablo Barros – imagine o Andre Matos cantando Thrash Metal e carregando um pouco mais de drive nas cordas vocais e você vai entender a dimensão do que esse cara faz aqui!

Eu tenho uma queda gigante por canções mais sentimentais, daquelas que tocam o coração mesmo, e sinceramente não esperava por isso nesse disco – não que isso fosse torna-lo pior, nem de longe. Mas em “Psycho Excuse” os caras devem ter misturado “Planet Caravan” e “Zeitgeist” do Black Sabbath com “Soldier Side” e o início de “Question” do System of a Down num liquidificador e temperado com a cara deles, ficou absurdamente bom (só achei curtinha, poderiam ter desenvolvido mais, porque o tema é realmente muito bom)! Logicamente que a pauleira impera e “You Can’t Deny Hate” chega chutando a bunda de quem ouve. Os riffs são muito bem truncados e a bateria de Daniel Mamede é quem dita as regras aqui – o bicho é um ignorante no melhor sentido da palavra, desce o braço sem dó e sem perder um nada de técnica!

A seguir, vem “Hell is Coming with Me” e aqui foi onde eu consegui sentir a banda mais coesa, os quatro integrantes como unidade mesmo. Tudo casa muito perfeitamente e não há um destaque dentre eles, há apenas o grande resultado, que é um Metal poderoso (principalmente na ponte e no refrão), dá até pra imaginar a galera dançando loucamente essa nos shows! Vem “The Scoundrel” e eu adorei o instrumental nessa canção, mas senti que as linhas melódicas vocais poderiam ter sido melhor trabalhadas. Que me desculpe a banda, parece que o vocal destoa do resto, de um modo geral. Mas volto a falar do instrumental: geralmente, você vai chegando ao fim de um disco e vai se deparando com vários fillers, mas isso definitivamente não acontece aqui. O disco melhora muito conforme você vai avançando, é incrível!

Prova disso é a última faixa do disco, a excelente “Pain Masterpiece”. Pra mim, tem a melhor letra do disco e a constante mudança de andamento e de ritmos é um show à parte. Forte candidata a canção de encerramento dos shows dos caras, tamanha a força dessa canção.

A Brutallian tem uma grande e longa história e o ápice disso tudo vem a ser este debut. Ele lembra muito a mesma energia, a mesma intensidade e a mesma vibração que grandes debuts têm, como um “Iron Maiden”, um “Kill ‘em All” ou até mesmo um “Appetite for Destruction”; quero dizer que as canções mostram a história da banda, canções que compõem um primeiro disco geralmente são as melhores canções que os músicos escreveram até aquele ponto. Fica a torcida para que os próximos trabalhos da banda sejam lançados com igual (talvez superior) nível de excelência.

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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