Por mais que o underground brasileiro seja reconhecido internacionalmente por causa da sua abrangência de estilos, ainda é possível se surpreender com a criatividade que contorna o trabalho de muitos grupos nacionais. Os brasilienses do DYNAHEAD podem ser apontados como um ótimo exemplo da vertente mais inovadora, já que a banda executa um gênero difícil de ser rotulado, que mistura influências do metal progressivo com a simplicidade do hard rock e a agressividade do thrash metal. Com um disco novo nas ruas via Voice Music, o quinteto tem tudo para ser uma das principais novidades de 2012.
Nota: 9 








O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

Com uma produção excepcional assinada pelo próprio vocalista Caio Duarte, “Youniverse” é um álbum denso e conta com onze faixas extremamente bem lapidadas. A complexidade sonora é um dos principais nortes da obra e abre as portas para que a performance do DYNAHEAD apenas agregue valor ao disco. A música de abertura, intitulada “Ylem”, representa tudo isso muitíssimo bem. Com riffs raivosos e um show a parte proporcionado pela agressividade do cantor, a faixa encontra ainda uma brecha para construir arranjos mais melódicos e obscuros. Por ser um disco completo e repleto de influências – com a vantagem de todas aparecerem bem condensadas entre si –, “Youniverse” se distancia da mesmice que vitima boa parte das bandas iniciantes. A voz limpa de Caio Duarte também funciona em outros momentos, como em “Eventicide”, mesmo que a banda mantenha a mesma linha de riffs sujos da faixa número um.
O repertório de “Youniverse” é amplo e representa de maneira condensada a maior virtude da banda. A criatividade e a riqueza de influências do DYNAHEAD formatam praticamente a obra inteira. A faixa “Inception” alia, de modo bastante natural, riffs mais próximos do hard rock com trechos extremamente agressivos, que beiram o death. Em um primeiro momento, tudo isso até pode parecer uma mistura sem sentido, mas é impressionante como o trabalho dos brasilienses é fácil de assimilar, fazendo frente até mesmo a nomes de representatividade internacional, como o ANATHEMA. A intensidade de “Unripe One”, sobretudo por conta do seu refrão mais atmosférico, salienta essa que é uma das mais imponentes faixas de todo o álbum. O mesmo se pode dizer de “Confinement in Black”, outro destaque absoluto do play.
Não há dúvidas de que os momentos mais agressivos de “Youniverse” são aqueles que mais impressionam e cativam o ouvinte. Embora seja uma das faixas mais retinhas do repertório, “My Replicator” mostra muitíssimo bem toda a capacidade técnica da banda, sobretudo do excelente baterista Rafael Dantas – que atualmente não faz mais parte do DYNAHEAD. Com um andamento um pouco mais atmosférico, “Repente Hour”, por outro lado, evidencia toda a versatilidade do grupo, que construiu um disco em que impera o bom gosto e a personalidade marcante de todos os integrantes. Na reta final da obra, “Way Down Memory Lane” retoma a faceta mais agressiva da banda, enquanto que “Redemption” surpreende por ser uma balada – em que há um quê de LEGIÃO URBANA - com toques naturalmente raivosos.
Por ser um trabalho complexo e rico em detalhes, “Youniverse” precisa de um tempo considerável para ser contemplado em toda a sua magnitude. Os brasilienses do DYNAHEAD acertaram em cheio ao construir uma verdadeira obra conceitual e artística – e não apenas um conjunto de músicas no qual se destacam apenas as mais fortes candidatas a hit. Com uma maturidade incomum por serem ainda um novato representante do nosso underground, Caio Duarte & Cia. mostraram aqui competência e qualidade de sobra para investir futuramente em um terceiro registro de estúdio. Não há dúvidas de que a DYNHEAD está no caminho certo – e também de que você precisa conferir urgentemente esse material.
Site: www.dynahead.com.br
Track-list:
01. Ylem
02. Eventide
03. Inception
04. Unripe One
05. Confinement in Black
06. Circles
07. My Replicator
08. Repetence Hour
09. Way Down Memory Lane
10. Redemption
11. Onset
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Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.
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