"Há mais de cem anos atrás, um visionário alemão chamado Frank Wedekind escreveu uma coleção de peças sobre uma tempestuosa mulher chamada Lulu, que era tanto uma musa quanto um mistério. Um século depois, as histórias inspirariam Lou Reed e Metallica a criar 'Lulu', uma narração musical das provocativas peças.” Foram essas palavras que apresentaram a primeira prévia do disco ao público, pelo canal da parceria no youtube, ao divulgarem a faixa “The View”.
Nota: 9 








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Antes de tudo, é preciso saber um pouco da história de Lulu. Há muita amargura, angústia e conflitos rolando ao longo de seu relato, e esses sentimentos tinham de ser retratados de alguma forma no projeto, o que é a tônica do álbum e é o que a grande maioria não vai conseguir chegar sequer perto de compreender. A forma como Lou Reed canta as músicas, as vezes de forma arrastada ou simplesmente recitando as letras (coisa que não deveria ser estranha pra quem conhece três ou quatro músicas do Bob Dylan e, se você não conhece três ou quatro músicas do Bob Dylan faça o favor de parar de ler agora) faz com que as letras - extremamente pesadas e angustiantes - dêem vida às melodias tão pesadas e angustiantes quanto. Tudo conspira para criar esse contexto sombrio e desconfortável em que vive Lulu.
Ouça “Lulu” como se assistisse a uma peça e deixe-se levar pelos caminhos tortos e bizarros de Lulu. Ouça além daquilo que está gravado. Faça um esforço para entender as letras, e a degustação do disco será muito mais prazerosa, mas sempre lembrando que as letras são, de fato, pesadas. Comparando tortamente, encarar as letras de Lulu pela primeira vez sem estar acostumado com esse tipo de abordagem seria o mesmo que apresentar Bukowski a quem está acostumado a literatura infanto-juvenil. Faixas como “Pumping Blood”, “Cheat on Me” e “Frustration” (“I wish that I could kill you, but I do love your eyes (...) To be dead to have no feeling, to be dry and spermless like a girl. I want so much to hurt you, marry me, I want you as my wife”) deixam bem claras as vísceras que inspiraram e fazem parte do disco. Os conflitos, os sentimentos ruins, a angústia, o desespero... tudo isso está presente em cada segundo do disco e em cada letra cantada por Reed.
Se poesia de escárnio, de verdade, não é a sua praia, então é melhor nem se dar ao trabalho de tentar entender esse contexto. Livre-se de todo seu preconceito e lembre-se de que você não está ouvindo um disco do Metallica (não tem nada parecido com “Master of Puppets” ou “Blackened” por aqui) e tente entrar no estranho mundo de “Lulu”, pois é uma viagem que vale muito a pena ser feita, do começo ao fim, pois não há falhas e tudo se encaixa perfeitamente. Mas para construir esse tipo de visão é preciso destruir muitas outras coisas... cabe a você tomar sua decisão. Só não julgue sem antes saber exatamente do que se trata e o que o projeto propõe e, no que diz respeito a isso, a parceria Lou Reed & Metallica saiu muito melhor do que a encomenda!
Faixas:
CD 1
Brandenburg Gate
The View
Pumping Blood
Mistress Dread
Iced Honey
Cheat On Me
CD 2
Frustration
Little Dog
Dragon
Junior Dad
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Nascido em 1987, descobri o rock and roll já cedo, aos 6 anos de idade, quando ouvi "I Don't Care About You" com o Guns N' Roses em algum momento de 1993. De lá pra cá minha paixão pela música pesada e, especialmente pelo Guns N' Roses (que estará para sempre marcado em minha pele, alma e coração) cresceu exponencialmente. Sebastian Bach me fez querer virar cantor e o resto é história. Produtor fonográfico, formado em Letras e professor. Tão diversificado quanto o Rock and Roll, essa é minha vida, esse é meu clube. =D
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