O sábio roqueiro brazuca Lobão dá a este atributo o bom nome de “paudurescência”. Os estadunidenses mais desbocados chamam de “balls”, “guts” ou demais sinônimos pouco publicáveis em sites de família. Já eu prefiro utilizar os bons e velhos “colhões”, termo já utilizado por aqui em outras ocasiões. E é justamente isso que falta ao segundo álbum da superbanda Velvet Revolver, “Libertad”. Colhões. Simples assim. O resultado é um disco bem produzido, com bons músicos e composições razoáveis. Mas é só. Absolutamente medíocre. Mediano. Não sai da metade do caminho, não f*** e nem sai de cima. Do jeito que uma banda de rock que se preze jamais pode aspirar a ser em qualquer momento da carreira.
Nota: 5 




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Pode parecer maldade (e me perdoem os puritanos de plantão, prontos a disparar a primeira bala nos fóruns), mas talvez a clínica de reabilitação tenha feito mal para o frontman Scott Weiland e mesmo para o restante da banda. O Velvet Revolver não soa mais agressivo, rasgado, violento e bad boy como em seu debut, o despretensioso “Contraband” - que podia soar problemático e por vezes meio tosco, meio cru, mas funcionava. E bem.
Aqui, Slash continua sendo uma máquina de riffs certeiros, mas sem aquela fúria, ah, a fúria, necessária e esperada de um egresso do Guns ‘n’ Roses. Nem parece o mesmo músico de “Dirty Little Thing”, por exemplo. Mesmo a balada “Can't Get It Out of My Head", um meloso e abobalhado cover do Electric Light Orchestra que não acrescenta em absolutamente nada, não tem qualquer comparação com a força de “Falling To Pieces”, do “Contraband”. E olha que esta era uma música claramente revestida de roupagem pop e que chegou a tocar de maneira maciça em diversas rádios mainstream por aí!
Ouvir o single "She Build Quick Machines" foi uma das experiências mais broxantes da minha vida musical - já que foi o meu primeiro contato com o Velvet Revolver pós-"Contraband" e eu estava com uma expectativa altamente positiva quanto ao seu material novo por ter gostado bastante do CD de estréia. E o que ouvi foi uma canção cansativa e sem personalidade, um hard rock altamente dependente da mesa de som. Faltava aquela eletricidade, aquela energia, aquela autenticidade de quem faz as coisas colocando até as bolas (olha elas aí de novo!) no processo.
“Libertad” abre com “Let It Roll”, que tem uma bem-vinda pegada quase punk... mas que é previsível até o osso - você sabe de antemão quando entra o solo de guitarra, quando o Weiland vai dar um grito, quando os instrumentos vão dar aquela “paradinha” súbita para que ele continue cantando de maneira solitária. A partir daí, algumas passagens parecem as canções rejeitadas do disco anterior, resgatadas do chão da ilha de edição como as cenas deletadas de um DVD – como é o caso de "Just Sixteen". "She Mine" tenta, sem sucesso, emular um cruzamento entre os Beatles e uma banda de hard rock californiana. "Last Fight” é rasgada e irritantemente pop, mas daquele popzinho safado e vagabundo, que poderia estar no repertório de qualquer Jota Quest da vida para levantar a galera no meio do show.
Justiça seja feita: "Get Out The Door", "Spay" e "For A Brother" nem são assim tão ruins, têm lá sua força correndo nas veias e são os poucos highlights de verdade em uma bolacha que peca pela obviedade asséptica. E a faixa oculta "Don’t Drop That Dime" (que pode ser encontrada aos 4:43 minutos da última música, “Gravedancer”) é uma espécie de balada country sacana que é diferente de tudo que eles já fizeram - e que, veja só, é uma experiência que funciona bem pra cacete!
Seria injusto da parte de qualquer um, crítico ou fã, exigir que o segundo disco de uma banda seja uma marcante (r)evolução sonora em comparação com o álbum de estréia. Mas o mínimo que se espera é um trabalho com uma qualidade equivalente, não? E era isso que eu esperava de "Libertad". Afinal, também é injusto com os meus ouvidos saber que a mesma trupe que outrora nos deu "Mr.Brownstone" ou "My Michelle" agora resolva nos entregar um troço como "American Man". Nós merecemos muito mais.
PS: Caso você se interesse e queira procurar nos lugares devidos, “Libertad” ainda teve duas faixas exclusivas para o iTunes ("Messages" e o cover de "Psycho Killer", do Talking Heads) e aquela costumeira faixa bônus exclusiva para o mercado japonês "Gas and a Dollar Laugh".
Line-Up:
Scott Weiland – Vocal
Slash - Guitarra
Dave Kushner - Guitarra
Duff McKagan - Baixo
Matt Sorum - Bateria
Tracklist:
1. Let It Roll
2. She Mine
3. Get Out The Door
4. She Builds Quick Machines
5. The Last Fight
6. Pills, Demons & Etc.
7. American Man
8. Mary Mary
9. Just Sixteen
10. Can't Get It Out Of My Head
11. For A Brother
12. Spay
13. Gravedancer
14. Re-Evolution: Making Of “Libertad”
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Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no mundodeelcid.blogspot.com.
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