Velvet Revolver: roqueiros buscando identidade

Resenha - Libertad - Velvet Revolver

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Bruno Romani
Enviar Correções  


Há algo de errado quando o melhor de um disco de uma banda cujos integrantes já venderam milhões de discos em trabalhos anteriores se trata de uma canção country padrão gravada em evidente tom jocoso e deixada como "bônus" ao fim do set-list indicado no encarte.

Matt Sorum: "não podemos fazer show, mas Trump pode fazer comício para milhares?"

Túmulos: alguns dos jazigos mais famosos do Metal nos EUA

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Não deve ser fácil para os integrantes do Velvet Revolver formarem identidade própria ao mesmo tempo em que o cenário musical não é mais aquele que beneficiou o GNR e o STP. O grupo ainda briga para acomodar no mesmo espaço os riffs do guitarrista Slash e as melodias complexas do vocalista Scott Weiland. Mas a música hoje em dia não tem mais tempo para solos de guitarras nem para melodias que não possam ser digeridas à primeira ouvida. Com tantos desafios, a banda ficou em cima do muro.

Existem melodias psicodélicas como na época de "Tiny Music..." do STP, e persistem baladas oitentistas com prazo de validade vencido e melodia fácil, como mostra "Last Fight" e "Can’t Get Out of My Head". Quando Weiland abandona a viagem e a piração que o levam a flutuar acima de cabeças ordinárias como no primeiro exemplo, ele se transforma no caricato roqueiro de 40 anos que tenta emplacar a todo custo qualquer coisa apenas por obrigação, como no aludido par de músicas. "Gravedancer" é um achado nessa sobriedade melódica do vocalista.

Também existe a dualidade entre os solos de guitarra e riffs hard-rock como o de "Pills, Demons & Etc" e o minimalismo de "Mary, Mary." Comparado a trabalhos anteriores do trio Slash, Duff e Matt Sorum, os arranjos têm mais espaço. Weiland precisa disso para que suas melodias possam conduzir o ouvinte. Porém, uma banda com Slash nas guitarras e Matt Sorum na bateria como base para Weiland se assemelha uma cristaleira do século XIX sendo carregada na caçamba de uma caminhonete por alguma estrada esburacada da América Latina. Pode quebrar a qualquer momento. Slash, afinal de contas, é o cara que surge no meio do oceano fazendo um solo de guitarra.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O grupo, ao menos, não pode ser acusado de dar as costas para experiências sonoras. Talvez Slash e cia nunca tenham se aventurado tanto com timbres e arranjos, dando argumentos para as afirmações dos membros do grupo de que pisaram em terreno ainda inexplorado. A produção de Brendan O’Brien, homem que assinou os 5 discos do STP, jogou a favor dessa viagem. E mesmo assim, a banda por momentos mergulha em trechos preguiçosos, como se estivessem numa jam pouco ensaiada e inspirada. Uma banda que não tem nome não teria disco lançado por grande gravadora apresentando as pontes de "She Mine" e do single "She Builds Quick Machines."

Pior do que isso: ao tentarem abrir novas janelas, a porta do passado ficou aberta. "She Builds Quick Machines" cresce a partir de riff e verso oitentista e termina num refrão que pertence às camisas de flanela de 1992. Difícil entender um single que não está nem entre as melhores do disco. Roqueiro com mais de 40 buscando identidade não é fácil.

Quem sabe eles não encontram a tal identidade no country? Com o Bon Jovi deu certo.


Outras resenhas de Libertad - Velvet Revolver

Resenha - Libertad - Velvet Revolver




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Matt Sorum: não podemos fazer show, mas Trump pode fazer comício para milhares?Matt Sorum
"não podemos fazer show, mas Trump pode fazer comício para milhares?"

Matt Sorum: ainda triste pelas mortes de Scott Weiland, Chris Cornell e ChesterMatt Sorum
Ainda triste pelas mortes de Scott Weiland, Chris Cornell e Chester


Corey Taylor: o que ele teria oferecido ao Velvet RevolverCorey Taylor
O que ele teria oferecido ao Velvet Revolver

Scott Weiland: Duff McKagan salvou vocalista em outra épocaScott Weiland
Duff McKagan salvou vocalista em outra época


Túmulos: alguns dos jazigos mais famosos do Metal nos EUATúmulos
Alguns dos jazigos mais famosos do Metal nos EUA

Nu Com a Mão no Bolso: blog elege as melhores capas com nudezNu Com a Mão no Bolso
Blog elege as melhores capas com "nudez"


Sobre Bruno Romani

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, enviando sua descrição e link de uma foto.

Mais matérias de Bruno Romani no Whiplash.Net.

Cli336x280 CliIL Cli336x280