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Abraxas: viagem sensorial com o caos do Eyehategod e Samsara

Resenha - Eyehategod e Samsara Blues Experiment (Fabrique Club, São Paulo, 13/10/2018)

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Em cinco anos a produtora ABRAXAS fez a festa de quem gosta de música esquisita. Entre turnês e lançamentos de bandas nacionais e internacionais, o cast da produtora já conta com mais de quarenta nomes, com foco principalmente no stoner, psicodélico, sludge, etc. Para comemorar, a Abraxas chamou os gringos SAMSARA BLUES EXPERIENCE e EYEHATEGOD (pela primeira vez no Brasil) para duas noites de shows em São Paulo e Rio de Janeiro junto com os nacionais ITD, NOALA, JUPITERIAN, PANTANUM (duas bandas em cada cidade). Confira aqui como foi a edição paulista do Abraxas Fest, no Fabrique, com fotos de Fernando Yokota.

NOALA

Quem abriu o festival na capital paulista foi o metal denso do NOALA. Trazendo duas longas viagens cheias de noise de "Humo" e do seu álbum auto-intitulado, que acabou de ser lançado, a banda paulista conquistou aqueles que optaram por chegar cedo. Com a efervescência política vivida no país, o guitarrista Felinto não deixou passar a oportunidade de trocar uma ideia com o público e chamar para uma reflexão. "Tem uma razão porque não tem muitos negros aqui. Nem gordos. Nem homossexuais. Passado o temor do fascismo, o que vocês vão fazer com os recursos que vocês tem? Será que queremos só acabar com o fascismo? Ou só mantermos o status que em que só negros, mulheres e homossexuais são mortos? Ou só queremos acabar com o fascismo que está chegando nos brancos?"

"Devemos trabalhar com estratégias de descolonização e repensar que música nos queremos.", ele continuou. "Vocês tem o privilégio de viver uma cultura de psicodélica e divertimento, enquanto a cultura negra sempre foi do embate".

Setlist

1 Nostálgica
2 Stuck in a Gastric Tube
3 The Rain Falls Burning
4 Lava Agni

ITD

Quem os substituiu no palco foi o I.T.D., acrônimo de Into The Dust, do Distrito Federal, com uma assinatura de mais peso, menos noise, menos psicodelia, mas sem deixar de lado esses elementos. Destaque para o single "Peregrinação". Apesar das letras em português, não é possível entender uma palavra pronunciada, o que não é, no entanto, um defeito, mas mais uma característica do som que praticam. Defeito mesmo é só o nome, que dificulta encontrá-los em serviços de streaming e redes sociais.

1. O Escolhido
2. Era Sombria
3. Under Sleeping Lord
4. Relíquias do Caos
5. Penhor da Culpa
6. Peregrinação

SAMSARA BLUES EXPERIMENT

O rock morreu. Mentira. Bandas novas como o SAMSARA BLUES EXPERIMENT estão aí nascendo todos os dias para provar que o estilo mais contestador da música. E a forma atordoante como o SAMSARA blues aborda a música é uma mistura inebriante de space rock, música indiana e jazz em longas jams praticamente instrumentais. A viagem com os alemães Christian Peters (voz, guitarra e efeitos), Hans Eiselt (baixo) e Thomas Vedder (bateria) começou às 19:05. E foram seis minutos de jam antes das primeiras palavras em "Shringara", numa versão até reduzida de (pasmem) nove minutos. Sem descanso, mesmo depois de uma lenhada desse tamanho, já emendaram a segunda, a completamente instrumental "Army of Ignorance", do álbum "verde", "Long Distance Trip". Ai houve espaço para os aplausos enquanto Chris solta os efeitos de "ventania espacial" de "Vipassana", canção do atmosférico/sideral álbum lançado ano passado. O que sai da boca de Chris, no entanto, não dá pra entender. Para muitos isso não chega a ser um problema, uma vez que em canções que ultrapassam facilmente a barreira dos dez minutos, a letra acaba parecendo mais um assessório. E Chris não investe mesmo tanto em melodias vocais, derramando palavras tal qual um Lou Reed declamando suas letras. No meio, Chris enche de mais efeitos transformando a canção numa viagem espacial ( já não era?), até voltar pro solo. Enquanto isso, baixo e bateria sustentam num riff hipnótico. Nessa hora um bom público que já lotara o Fabrique aplaudiu ao reconhecer a quarta, uma viagem sensorial, que dá nome ao álbum "One With The Universe". É um tipo de show para "assistir" de olhos fechados, com a mente e o coração mais que com os olhos. Os ouvidos apenas como as portas da percepção. Afinal, se eles podem tocar de olhos fechados, a gente também pode assistir. Como diz a letra (não ouvida) da canção anterior: é preciso fechar os olhos para acordar.

Continua o baixo poderoso numa competição eterna com a guitarra que vai e desvai. Fechando o show, outra viagem, que vem também do muito apropriadamente nomeado "Long Distant Trip". Essa é a que tem letra mais extensa e, aqui, realmente faz falta a voz. Problemas com o microfone à parte, o espetáculo oferecido por Chris, Hans e Thomas é algo a ser lembrado com cores vibrantes. Sabe aqueles momentos em que é o ponto alto dos outros shows? Aqui é o show inteiro. Apeanas cinco canções, mas, cada uma daquele tamanho.

Setlist

1. Shringara
2. Army of Ignorance
3. Vipassana
4. One With The Universe
5. Center of The Sun

EYEHATEGOD

O último show da noite prometia que seria algo completamente caótico. E era também o mais esperado por, apesar dos seus trinta anos de banda, ser o primeiro do EYEHATEGOD em São Paulo, a primeira turnê no Brasil. O caos começa com Mike Williams, apesar de fazer cara de sequer saber onde estava, conclamar: aí, São Paulo, não nos decepcionem. Não é só no som arrastado e cheio de riffs que o EYEHATEGOD se aproxima dos criadores do Heavy Metal, mas também na postura imprevisível de seus frontmen. E a referência ao BLACK SABBATH vem logo no início do show, com alguém gritando, por brincadeira, o nome da banda britânica. "Nunca ouvi falar dessa banda", escuta e responde Mike. Eles próprios também são creditados como criadores de um estilo, o Sludge, denso, depressivo, auto-destrutivo.

Além de Mike, sobem ao palco o guitarrista Jimmy Bower, mandando ver nos riffs e metendo o dedo no nariz, o baterista Aaron Hill e o baixista Gary Mader (estes dois últimos os mais novatos da banda), porém desfalcados do guitarrista Brian Patton, que deixou recentemente a banda para se dedicar à família.

Sem ter exatamente um clássico, mas um punhado de canções de peso descomunal, o show passeou pela discografia do EYEHATEGOD, mas privilegiando principalmente o álbum "Take as Needed For Pain", de 93, até mais que o último, o já não tão novo auto-intitulado. E se havia caos no palco, já desde "Agitation! Propaganda!" havia roda na pista do Fabrique, com o público apontando dedos para o ar em posição desafiadora na seguinte, "Jack Ass in the Will of God".

Depois de "Parish Motel Sickness", Mike agradece à presença do público, mas ainda de jeito peculiar. "Obrigado garotos. Estamos contentes de estar aqui, mas eu não sei inglês". Até onde era brincadeira ou o vocalista sequer tinha ideia de que idioma falamos aqui e enfiou o nome do próprio idioma no meio, não importa. Lembramos aqui apenas para pontuar mais um pouco de como Mike estava no palco. E, pra falar a verdade, ninguém esperava nada diferente. Em "Blank / Shoplift", depois de lembrar como dizer o costumeiro "obrigado" em português, o vocalista ainda reclamou do palco. "Esse palco é alto demais. Queria estar aí com vocês". E dava mesmo a impressão de que a qualquer momento poderia se jogar no meio do povo. Ou cair.

"Eu amo vocês", ele continua como aquele amigo que fica pegajoso quando bêbado, "me liguem depois". E se embanana todo ao tentar falar de suas canções. "Em 1978 9 fizemos essa música..." (qualquer que tenha sido o ano a que se referia, a banda só foi formada cerca de dez anos depois). E interrompe para falar diretamente com alguém da plateia. "Ei, cara, sorria. Você vai conseguir aquele emprego que tava querendo". Além do próprio Mike e de todo o barulho das cordas de Bower e Mader, o baterista merece destaque. Apesar da cara de recém saído do colégio, mas espanca o kit de forma brutal, raivosa, revoltada, cuidadosamente desordenada servindo de escada para a revolta de Mike que, adiante, joga água na cabeça e o resto do líquido no público (outra semelhança com o velho Ozzy). A tampinha ele joga no baixista.

Completamente bêbado (ou pior), Mike elogia o público outra vez em "Medicine Noose". "Vocês estão lindos. Todos vocês". É de se mencionar que, embora o palco do Fabrique não seja tão grande, eles ainda, propositadamente deixam ainda menor. O kit do baterista é montado bem próximo à beira do palco, dando pouco espaço para os outros três tocarem espremidos à sua frente. Tudo fica muito próximo, desprezando um espaço atrás e nas bordas.

Em transe o povo da roda agora se abraça, depois voltam a violência, porque toda roda é roda e toda canção do EYEHATEGOD é um convite pra roda, seja "Take As Needed For Pain", "30$ Bag" e "New Orleans is the New Vietnam".

No palco, espremidos como eu disse, o quarteto alterna do nada da velocidade quase grind pra lentidão doom. A imprensa o e que a qualquer momento um desastre pode acontecer. Bower até sai do palco, vai fumar um cigarro e deixa a guitarra ligada na distorção. A moça distorce como quer. Está viva. Enquanto isso, o baterista enlouquece espancando com violência a bateria. Mike se balança apoiado no pedestal. É um cenário de completa imprevisibilidade interrompido pelo bis e consequente volta (talvez a única coisa que se podia antever no show). Fecham o show com "Serving Time in the Middle of Nowhere", com o público gritando repetidamente o nome da banda e feliz por ter presenciado aquele espetáculo, com tudo que ele trouxe. Realmente, o EYEHATEGOD não entregou menos do que prometeu.

Setlist

1. Agitation! Propaganda!
2. Jack Ass in the Will of God
3. Parish Motel Sickness
4. Blank / Shoplift
5. Lack of Almost Everything
6. Blood Money
7. Sisterfucker (Part I)
8. Sisterfucker (Part II)
9. Medicine Noose
10. Revelation/Revolution
11. Take As Needed For Pain
12. 30$ Bag
13. New Orleans is the New Vietnam
14. Dixie Whisky / White Neighbor
15. Left to Starve
16. Serving Time in the Middle of Nowhere

Agradecimentos:
Abraxas e Erick Tedesco, pela atenção e credenciamento
Fernando Yokota, pelas imagens que ilustram esta matéria


Baladas de Sangue
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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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