Stick Men: um show mais que perfeito destas estrelas do progressivo

Resenha - Stick Men (Carioca Club, São Paulo, 24/08/2018)

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Por Diego Camara
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O que esperar quando tantas lendas do progressivo se unem no mesmo lugar? Nada além de um espetáculo de maestria e dor. É tão bom que chega a doer, dói pelo fato de que os caras não tem iguais, dói pois é um show para se ver talvez uma única vez na vida, e dói mais ainda no final ter que retornar a uma vida mundana e com pouco sentido. Stick Men não é só o melhor do King Crimson, é uma banda com incrível identidade, que dá liberdade a Tony Levin e seus companheiros de fazerem uma música que ultrapassa o rock progressivo, com um toque de art, um toque de metal e uma fusão pesada de jazz. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as fotos de Fernando Yokota.

O público era bem pequeno para o gabarito da banda. O povo demorou para chegar, e o show para as 22h fez com que os fãs realmente atrasassem ao máximo sua chegada até o Carioca Club, pelo que pareceu. Quando estava perto do início do show, porém, um público razoável se formou na casa. Não era digno do Stick Men, mas ficou similar a outros atos de progressivo anteriores, como o show de Adrian Belew que ocorreu no mesmo Carioca.

A apresentação começou leve, com uma introdução de ambience de Markus Reuter com a participação de David Cross. O som enigmático da primeira música, abriu o show com uma tranquilidade imensa, como a calma antes da tempestade. Quando Mastelotto e Levin subiram ao palco, a apresentação se tornou uma improvisação forte, que já deixou os fãs de boca aberta. "Hide the Trees", encaixada na abertura, já mostrou um progressivo agressivo, com a firmeza da bateria de Mastelotto e a qualidade técnica de Levin.

Ali no começo já estava o esporo do que seria o espetáculo: uma pancada atrás da outra. O Carioca mostrou sua melhor configuração neste show, com um som redondíssimo, perfeito, onde cada instrumento mostrava sua alma no palco. Raras vezes o Carioca Club esteve tão perfeito, mostrando que a casa tem condições e acústica se tiver os equipamentos e o trabalho correto para render o som.

A dupla "Talking Drum" e "Larks" foram as primeiras a estourar o público. Começando pelo som enigmático da primeira, com um belíssimo trabalho de "baixo" de Levin, onde o som inclusive soa até mais redondo que as gravações do King Crimson - o chapman stick aparece aqui melhor e mais forte que nas gravações, dando um ar mais selvagem para a música. A bateria de Mastelotto aqui também soa incrivelmente bem, dando o estilo roots da música uma aura incrível. "Larks" é difícil até de dizer, a música é uma obra de arte nas mãos deste quarteto: as guitarras de Reuter representam com genialidade e encanto nos solos dessa música.

A apresentação foi tão boa que é difícil, inclusive, citar destaques para a excelente performance do Stick Men. "Schattenhaft" deu uma aula de um prog duro, de força nas guitarras e velocidade, parecendo uma grande emergência do som. A introdução de "Sartori" também foi mágica, feita totalmente no chapman stick de Levin, mostrando toda a genialidade e superioridade do instrumento. A improvisação no final encanta e completa outra incrível apresentação.

"Red" foi outra que veio encantar o público. Aos gritos e suspiros, os fãs viram uma apresentação magistral deste grande sucesso do King Crimson. A rendição é ótima e incrível, com a cara do som original, em um uso farto das distorções e uma performance bombástica nos momentos rápidos da bateria de Mastelotto. "Starless" foi a grande surpresa do setlist. Essa não foi uma performance como no disco original, mas não deixou de encantar os presentes. Cross aqui é um arraso, dominando a música com um excelente e mágico solo de violino. Sem os vocais, a música parece perder e se arrastar aqui e ali, mas nada que retire a maestria da apresentação.

Fechando o show, vieram primeiramente "Level Five", com uma versão de trio dessa música - mas em um quarteto. A versão claro sente a falta de mais instrumentos da sua versão original, mas o detalhismo colocado na performance é impressionante, com todo o feeling da banda. A performance é fechada com "Open", uma excelente improvisação. O show vira um grande jam neste momento, onde todos os integrantes mostram incrível sintonia. A performance não se parece com as outras versões da música já tocadas por aí e gravadas no disco ao vivo, o que mostra que talvez seja uma nova parte, diferente das anteriores. A banda aqui abusa dos recursos eletrônicos e das distorções, fechando um show incrível em pouco mais de 2 horas.

Fica aqui um parabéns pelo show redondo apresentado pela equipe técnica, pela equipe da casa e pela Vega Concerts, que tornaram um espetáculo realidade. Sem dúvidas foi o melhor show, tecnicamente e sonoramente falando, deste ano.

Setlist:
Introductory Soundscapes
Hide the Trees
Cusp
The Talking Drum (cover do King Crimson)
Larks' Tongues in Aspic, Part Two (cover do King Crimson)
Crack in the Sky
Schattenhaft
Sartori in Tangier (cover do King Crimson)
Swimming in Tea
Red (cover do King Crimson)
Mantra
Prog Noir
Starless (cover do King Crimson)
Level Five (cover do King Crimson)
Open


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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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