Deep Purple, Cheap Trick e Tesla: uma grande festa para pouca gente

Resenha - Deep Purple, Cheap Trick e Tesla (Allianz Parque, São Paulo, 13/12/2017)

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Por Diego Camara
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Foi um movimento corajoso levar o DEEP PURPLE para um estádio em São Paulo. A banda, acostumada a tocar em casas fechadas como o Espaço das Américas ou o Citibank Hall, dessa vez foi para o Allianz Parque. Mesmo acompanhados de CHEAP TRICK e TESLA, o público ficou bem abaixo do esperado. Porém, não faltou animação aos fãs que acompanharam o show, uma grande amostra do rock dos anos 70 com dois grandes expoentes de Estados Unidos e Grã-Bretanha. Confira abaixo os principais momentos dos shows, com as imagens de Fernando Yokota.

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TESLA

Foi para um público bem pequeno - especialmente dada a dimensão do estádio - que o Tesla subiu ao palco. Em uma apresentação de em torno de 50 minutos, a banda esbanjou bom humor e ótimas músicas. O som perfeito do palco, inclusive, ajudou bastante a trazer a performance dos americanos para cima. O público foi bem morno, com poucos momentos de empolgação da plateia, deixando o show mesmo com cara de abertura, de mais um número para o festival.

Porém, a banda mostrou grande performance, e levantou o público em alguns momentos, como em "Modern Day Cowboy", onde os fãs inclusive se arriscaram a cantar juntos com Jeff Keith.

Setlist:
1. Edison's Medicine
2. The Way It Is
3. Hang Tough
4. Signs (cover do Five Man Electrical Band)
5. Love Song
6. Little Suzie
7. Modern Day Cowboy

CHEAP TRICK

Substitutos de última hora para o festival após o cancelamento do Lynyrd Skynyrd, e bastante desconhecidos do público brasileiro - injustamente, diga-se de passagem -, o Cheap Trick veio como o grande azarão para este festival. Mas se podemos falar algo sobre o show destes caras, é que eles fizeram valer as expectativas de um dos grandes precursores do hard rock dos Estados Unidos.

O público começou bastante morno, apesar da explosão que a banda já lançou desde o início com "Hello There" e "Come On, Come On". O som estava novamente perfeito, tudo em seu respectivo lugar, e as guitarras do insano Rick Nielsen brilharam desde o início. O show foi ganhando em status e tamanho, enquanto a banda soltou música após música de seu repertório, incessantes, rápidos e bastante efetivos.

A primeira a levar destaque foi "Big Eyes", que "ninguém da plateia ouviu falar" de acordo com a banda. A música é ótima, com um refrão pegajoso e focada na excelente performance de Nielsen. A banda saltava do hard rock ao Southern e country com leveza, seja do cover do Velvet Underground com os vocais de Petersson, a ótima balada "The Flame", puxada pelo violão de Zander, e "I Want You to Want Me", que levantou o público.

Na sua parte final o público já se encontrava rendido pela performance da banda, com a sequência final em destaque. "Dream Police" agarrou o público, fazendo a plateia gritar e cantar junto com os caras. "Surrender" convidou os fãs a dançarem no ritmo da música, que gruda na mente com uma letra extremamente pegajosa. Para finalizar, a banda sacou de "Goodnight Now", que não poderia ter nome mais sugestivo para finalizar a ótima apresentação da banda, em altíssimo nível.

Esta é uma banda que mereceria um belíssimo show solo no Brasil, somente deles, em uma estrutura menor. Ouvir o Cheap Trick ao vivo é como resgatar anos da história do rock dos EUA em uma única banda - as influências estão ali, é só ouvir e prestar atenção.

Setlist:
1. Hello There
2. Come On, Come On
3. Lookout
4. Big Eyes
5. She's Tight
6. Ain't That a Shame (cover do Fats Domino)
7. Clock Strikes Ten
8. When I Wake Up Tomorrow
9. Long Time Coming
10. Baby Loves to Rock
11. In the Street (cover do Big Star)
12. Stop This Game
13. I'm Waiting for the Man (cover do The Velvet Underground)
14. The Flame
15. I Want You To Want Me
16. Dream Police
17. Run Rudolph Run
18. Surrender
19. Goodnight Now
Outro: It's a Long Way to the Top (If You Wanna Rock 'n' Roll) (música do AC/DC)

DEEP PURPLE

Ao tocar da introdução, já era claro que iríamos ter um grande espetáculo destes dinossauros do rock. A banda entrou com tudo no palco e escolheu logo "Highway Star" para abrir o show, essa música empolgante e extremamente nostálgica. Já aqui as guitarras de Morse dominam a música, e ele mostra grande desenvoltura no palco. Aqui toda a técnica continua muito bem, e o som é limpo e forte em toda a pista do estádio.

A banda, apesar da idade, esta ainda em ótimo nível, e mostrou grande qualidade na apresentação. Quem pareceu sofrer mais com o tempo é Ian Gillan. Sua voz não tem mais a potência dos tempos antigos, e em diversos momentos some entre os instrumentos da música, sendo coberta pela melodia.

O público estava quente, e se animou bastante durante o show, com gritos, muita cantaria e dança. Aplaudiram a apresentação de "Uncommon Man", em homenagem ao falecido tecladista Jon Lord, em uma performance impressionante de Morse e o acompanhamento dos vocais da plateia. Em seguida, viram a também ótima performance de Don Airey, que abriu magnificamente "Lazy" com um lindíssimo solo de órgão. A música, que flerta com o blues, teve também uma das melhores performances de Gillan no show.

Airey, inclusive, foi um dos grandes destaques da noite. Atrás dos teclados, solou como nunca e mostrou grande capacidade técnica para levantar o público. Logo em seguida, a banda soltou uma trinca formada por "Perfect Strangers", "Space Truckin'" e "Smoke on the Water", no grande momento do show. Aqui você vê a excelente performance da cozinha de Ian Paice, que não precisa aparecer muito para mostrar toda sua técnica. Devagar e sempre, ele se mostra excelente, ditando o ritmo da banda.

A empolgação persistiu no bis, que foi aberto pelo tema de "Peter Gunn", outra música para o público mais saudosista da década de 70. Forte nas guitarras, a banda explode então com "Hush", onde a música é estendida para que o solo do teclado se encaixe a todas as performances e brincadeiras da banda no palco. A música é fechada com uma bela explosão de som, em grande estilo mais uma vez.

Fechando o show, veio a vez de Glover fazer um solo de baixo para introduzir "Black Night" ao público, e fechar com festa este excelente festival que, apesar do baixíssimo público - que sem dúvidas poderia fazer ele ser levado para uma casa bem menor - foi resultado de um excelente trabalho de todos os envolvidos na organização, em especial a produtora T4F.

Setlist:
Intro: Mars, the Bringer of War @Tape (música de Gustav Holst)
1. Highway Star
2. Pictures of Home
3. Bloodsucker
4. Strange Kind of Woman
5. Uncommon Man
6. Lazy
7. Birds of Prey
8. Knocking at Your Back Door
9. Keyboard Solo
10. Perfect Strangers
11. Space Truckin'
12. Smoke on the Water
Bis:
13. The Peter Gunn Theme (cover de Henry Mancini)
14. Hush (cover de Joe South)
15. Black Night
Outro: Deep Purple (música de Nino Tempo & April Stevens)

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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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