Voivod: Conexão lisérgica em primeira visita a SP

Resenha - Voivod e Necromancia (Hangar 110, São Paulo, 30/04/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Caro leitor, eu já havia perdido as esperanças em ver o Voivod. Sei lá, os canadenses enrolaram tanto para “descer” por esses lados que deixei o rio correr. Quando no Velho Continente, tentei ficar de olho na agenda do quarteto a fim de ‘catar’ a banda na estrada, mas foi em vão. Confesso que após o falecimento do guitarrista Dennis “Piggy” D’amour em 2005 havia ficado bastante frustrado, mas três remanescentes ainda continuavam lá e eu os adorava tanto quanto. Logicamente falo de Dennis “Snake” Belanger (vocal), Jean-Yves “Blacky” Thériault (baixo) e do exímio baterista Michel “Away” Langevin (com seus cabelos estilo Oswaldo Montenegro). Desde que retornaram em 2008 Dan Mongrain tem cuidado das seis cordas, o que faz com simpatia e muito talento. Finalmente o dia chegou e lá fomos nós, eu e o fotógrafo Diego Cabral da Camara, acarear o inolvidável momento ocorrido no Hangar 110. Agradecemos a atenção do pessoal responsável pela realização: Damar Productions, Fusa Records e a própria casa, além da equipe de assessoria de imprensa da The Ultimate Music.

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NECROMANCIA

Sempre é tempo de corrigir um equívoco. O da vez foi nunca ter visto o Necromancia ao vivo em quase três décadas desde seu surgimento no ABC Paulista. Praticamente uma entidade do metal feito neste país, a formação estava ali intacta, isto é, tendo os irmãos d’Castro, Marcelo (vocais/ guitarras) e Kiko (bateria), além do baixista Roberto Fornero. Ano passado ouvi algumas vezes o álbum “Back from the Dead” (Nota do redator: Inclusive recebi em casa até um ‘mouse pad’ personalizada o qual uso até hoje) e conferir aquele material ao vivo estava definitivamente nos meus planos. Tocaram diversos temas dele, a exemplos de “Playing God”, “Under the Gun” – que iniciou a hecatombe, “Necrosphere”, “Death Lust” e “Afraid of Being Alive”, responsável por encerrar o morticínio causado pelo trio. Logicamente houve tempo para, entre um gole de cerveja e outro, ouvir as provectas canções tais quais “Cold Wish”, “The Riddle”, a festejada “Check Mate”, dentre outras. Imaginava a satisfação dos caras em estar ali abrindo para uma de suas maiores referências musical. Curti bastante!

Line-up Necromancia
Marcelo “Índio” d'Castro - vocais/guitarra
Kiko d'Castro - bateria
Roberto Fornero – baixo

Set-list Necromancia
Under the Gun
Necrosphere
The Blooding
Playing God
Check Mate
Greed Up to Kill
The Riddle
Death Lust
Cold Wish
Afraid of Being Alive

Sites Relacionados
http://www.necromancia.net
https://www.facebook.com/necromanciabrazil

VOIVOD

O derradeiro disco de estúdio, “Target Earth” (2013), fez as honras com “Kluskap O'Kom”, uma ótima faixa dele. Como faz um tempo desde que a bolachinha chegou às prateleiras houve tempo de muitos ali terem a letra na ponta da língua, o que alegrou ainda mais o quarteto. Em seguida um hino logo assim, na manha: “Tribal Convictions”, assim como todo o conteúdo de “Dimension Hatröss” (1988), é não menos que essencial aos apreciadores do Voivod e do que originou-se dessa piração sonora. Poderiam ter tocado mais da metade dele e manteriam ainda assim a empolgação da galera. Houve mais duas além da supracitada, “Psychic Vacuum”, quando pude apreciar melhor a pegada de Dan pois as linhas de guitarra nela são fenomenais, além de “Chaosmöngers”, que começa meio soturna, vampiresca até, depois descamba naquela pegada mezzo punk mezzo acid rock que amamos neles. ‘Blacky’ deu um ‘pé na bunda amigo’ em um fã mais afoito que subira ao palco, mas ninguém reclamou, pois tratava-se de uma brincadeira. Tanto foi que pelo menos mais uns dois tentaram um ‘stage-diving’ na sequência.

Primeiro tivemos mais duas do “Target Earth”, sendo a própria que batiza o elemento, além de outra das minhas favoritas neles, a neo-cyber-punk “Corps Étranger”, cantada na língua mãe de seus criadores. O ‘corpo estranho’ (em tradução literal do francês) caiu como uma luva ali, ainda mais porque antes dela estava nada mais nada menos que outra esquizoide, “Nothingface”, uma das mais “tronchas” dos rapazes. As mudanças de andamento ocorrem praticamente a cada nota e ‘Snake’ ficava ali regendo seu público como um maestro insano. Se o som estivesse melhor equalizado teria apreciado além da conta, mas quem tem uma certa noção de Voivod nos palcos – eu por vídeo, no caso – sabe que eles não são exatamente o exemplo de banda com o melhor som ao vivo, mesmo transbordando energia e competência.

“Overreacting” embolou um pouco, mas também pudera sendo um punk elevado ao cubo em sua essência! Levada insana, fez com que ‘Snake’ provocasse as pessoas ameaçando cair de cima do seu retorno. A paradinha para as guitarras é das mais bem encaixadas. Nem mesmo a simplicidade cênica (Pô! Nem um banner trouxeram...) tirou o brilho dela. Aliás, trouxe os holofotes apenas para a obra em si. E tome gente cantando: “Create the force, we got no fear/ Lock the doors, we're engineers./ Welcome to the China Syndrome./ It's an over...Overreaction!”. Esta jóia pertence ao “Killing Technology” (1987), o primeiro a levar o Voivod pelo território progressivo. Amo este disco com todas as forças, especialmente pela mescla com o crossover, o que faz dele meu favorito ao lado do “Dimension Hatröss”. De volta ao espetáculo, o clima festivo não cessou com “Ripping Headaches”, até porque era uma algazarra só naquele lugar. “Du caralho!”, gritou ‘Snake’ em momento mais oportuno impossível.

A parte regular do set ainda reservara uma sequência mentecapta começando com outra recente, “Warchaic”, passando pela magistral “Forgotten in Space”. O som ainda carecia de melhoras, prova foi eu ter levado vergonhosos 15 segundos para reconhecê-la em meio à embolação vinda dos PA’s. Aquela fobia gerada pelas linhas vocais a concede o cargo de obrigatória nos concertos. Lembra? “Just half an hour, not too much oxygen… Just half an hour, not too much oxygen./ You're forgotten in space....In space!” Fez-me lembrar que ainda não assisti ao filme “Gravidade” (Nota do redator: Filme 3D vencedor de 7 Oscar e estrelado por Sandra Bullock e George Clooney). “The Unknown Knows” nos levou novamente aos anos 80 e provocou uma cantoria das mais bonitas da noite, assim como “Mechanical Mind” naquela parte “With entities who live in this bad dream, I want to forget. Ahhhh!/ It just won't get out of me, I just can't get out of me! Ahhhh...”

O encore sabiamente iniciou com o ‘salmo’ “Voivod”, única do debut “War and Pain” (1984) escolhida. O fato me fez sonhar com a inclusão de uma ainda mais antiga, “Condemned to the Gallows”, presente na lendária compilação “Metal Massacre V” (1984), da gravadora Metal Blade, edição que também apresentava Omen, Overkill, Fates Warning, Hellhammer, Mace, Jesters of Destiny, Final Warning, Lethyl Synn, Future Tense e Attacker. Ao término do hino ouvi um “vocês são foda” em português mesmo. Creio que tenha sido Dan. ‘Snake’ aproveitou o momento e relembrou o saudoso ‘Piggy’ puxando o coro em seu nome. Foi de chorar! Nada melhor do que coroar esta primeira visita a São Paulo com um dos covers mais fantásticos do Pink Floyd já feitos: era hora de “Astronomy Domine” fechar a conta e nos conectar lisergicamente à banda. Até hoje me arrepio ao ver o vídeo. Relembraremos logo abaixo.

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Set-list Voivod
Kluskap O'Kom
Tribal Convictions
Target Earth
Nothingface
Corps Étranger
Chaosmöngers
Overreaction
Psychic Vacuum
Ripping Headaches
Warchaic
Forgotten in Space
The Unknown Knows
Mechanical Mind
Encore:
Voivod
Astronomy Domine (Pink Floyd cover)

Sites Relacionados
http://www.voivod.com/‎
https://www.facebook.com/Voivod‎
https://myspace.com/voivod
https://twitter.com/voivoddotnet

Fotos: Diego Camara. Galeria completa em https://www.flickr.com/photos/diegocamara/sets/

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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