HIM em São Paulo: O metal do amor quebra sua virgindade brazuca

Resenha - HIM (HSBC Brasil, São Paulo, 30/03/2014)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.





















Difícil de acreditar que o HIM nunca tenha vindo ao Brasil nesses 23 anos desde sua formação em Helsinque, capital finlandesa. Dada quantidade de seguidores de Ville Hermanni Valo & Cia. não há muita explicação que possa justificar tamanha ausência, mas sempre é tempo quando o sentimento coloca-se frente aos percalços e finalmente o grupo veio nos visitar em uma apresentação única – incluindo aí no sentido de excepcional – para um HSBC Brasil praticamente em sua lotação máxima. A iniciativa da Rádio Corsário merece aplausos, pois é famosa no meio a carestia/burocracia em contratar a banda. Infelizmente não credenciaram um fotógrafo exclusive do Whiplash.Net, mas pude contar com o talento de Taiz Dering, a qual gentilmente nos cedeu alguns de seus cliques. Acompanhe/relembre o resumo do que presenciamos.

Quando a vinheta “Lucifer's Chorale” do derradeiro - até o momento – álbum “Tears on Tape” (2013) tocou nos PAs a euforia gerada fez-me acreditar ter sido uma das maiores que pude presenciar. Agora imagine quando os membros entraram no palco e mandaram “Buried Alive By Love”, do celebrado “Love Metal” (2003)? A altura entoada durante a canção impediu que ouvíssemos a voz de seu intérprete. Percebendo isso lá de cima ele soltou o microfone e deixou a massa berrar “And it feels like I've been buried alive by love...” para colar o refrão, também acompanhado de seus fãs. O técnico de som, espertinho que só, tratou de colocar mais volume na coisa toda e oficialmente estávamos em um dos concertos mais intensos dos últimos anos. A deliciosa “Rip Out the Wings of a Butterfly” só melhorou tudo O riff memorável logo de início deu lugar a pulos, gritos e lágrimas. Muitos irão me criticar, mas eu nem me importaria se houvesse ali no set metade do “Dark Light” (2005), disco de onde retiraram aquela joia.

“Right Here in My Arms”, ótima escolha para a sequência, manteve a plateia na mão, como se eles precisassem se esforçar. Oriunda de seu segundo registro de estúdio, “Razorblade Romance” (1999), disco o qual catapultou o sucesso do HIM para todo o Globo e ainda os fizeram figurar na lista dos 500 Maiores Álbuns de Rock & Metal de Todos os Tempos da revista alemã Rock Hard. Uma das mais pesadas, “The Kiss of Dawn” traz Ville cantando partes em tons bem baixos dando aquela característica mais gótica dos primeiros dias, mesmo sendo de um álbum não tanto aclamado, no caso o “Venus Doom” (2007), pelo qual tenho singelo apreço, devo registrar. Há ali ainda um ótimo solo de Mikko "Linde" Lindström, bem como uma linha de baixo sensacional, graças ao "urso" Mikko "Migé" Paananen. O show estava com cara de greatest hits, então falar da massiva participação geral é redundante.

Empunhando uma guitarra acústica, Valo inicia a bacana “All Lips Go Blue”, já bastante querida pelo que notei durante sua execução, mas NADA que se compare a “Join Me in Death”, provavelmente a música mais obrigatória do HIM. Ouso dizer que jamais poderão tirá-la do repertório. Loucura total já nas primeiras notas. Um pouco da letra aqui faz bem: “This world is a cruel place/ And we're here only to lose/ So before live tears us apart let/ Death bless me with you…’ e daí ‘Would you die tonight for love?/ Baby join me in death...” Uma epígrafe* em forma de música das mais bem forjadas até onde vai o meu conhecimento no assunto. Quer saber? Deixo também o vídeo lá abaixo para melhorar este lutuoso parágrafo. A primeira realmente “das antigas” veio logo após com “Your Sweet Six Six Six”, do soberbo debut “Greatest Love Songs Vol. 666” (1997). Lembro-me como se fosse hoje ao ouvir aquele item pela primonata vez. Não havia absolutamente nenhuma banda executando algo tão tétrico e belo naqueles moldes em todo o cenário metálico europeu. Resultado: estrelato imediato! Voltando ao show, “covardia” colar dois hinos, mas o HIM estava a fim de impregnar-se! Ora, ora, canções fortes possui de sobra então eu nem deveria me espantar com tal arrojo.

Alguém jogou uma camisa 10 da Seleção brasileira com o nome de Ville estampado. Em seguida uma bandeira nacional personalizada com o símbolo da banda. Ele aceitava tudo de bom grado para gritaria dos seus súditos! “Passion's Killing Floor” fez uma emenda sensacional, pareciam até uma única obra, mesmo havendo uma década entre elas. Banda afinadíssima, pesadíssima, entrosadíssima, -íssima -íssima e íssima. Refrão delicioso para cantar junto! Destaco o baterista Mika "Gas Lipstick" Karppinen, impecável naquela noite. Lembra daquela parte já na segunda metade da canção, bem Sabbath, com os vocais meio guturais? Ficou melhor que em estúdio! “Soul on Fire” foi seguindo o ritmo do “pouco papo e mais música” adotado pelo quinteto. Gosto assim! Peso pavorosamente contagiante nesta, deu arrepios de quão bem equalizados estavam os instrumentos todos. E aquela belezura de refrão cantado em uma só voz? Kauniisti mahtava!**

Ah sim! Ville catou um sutiã gentilmente atirado ao palco e os colocou no seu pedestal. Era hora de “Wicked Game”, canção tão deles quanto do Chris Isaak tamanha notoriedade na versão gélida dos rapazes. O que falar desta? Pegar um clássico pop já irretocável e conseguir melhorá-lo em alguns aspectos é algo para estudo. Quanto à reação na casa, imagine um furacão Catrina encontrando o Tsunami na estação de metrô da Sé às 18h! Nem sei se esta ridicularia verbal descreve o que foi aquilo, mas serve como um desornado balbucio. Ville aproveitou para apresentar a banda ‘rapidex’, incluindo o ainda não mencionado aqui tecladista Janne "Burton" Puurtinen, e se mandar para um cigarrinho na coxia. Enquanto isso, “Linde” e “Mige” roubavam o show para si com um duo entre guitarra e baixo de lascar o cano! Transformaram a coisa toda em um rito stoner! Saldo? Algumas garotas desmaiando e sendo levadas ao pronto-socorro do local.

“Tears on Tape” foi ideal para acalmar a turma e apenas relaxar, cantar junto e tomar aquela gelada. O set estava realmente bem montado. A prova veio a seguir, quando tocaram “Poison Girl”. Elementos assim já são praticamente de domínio público tamanha intimidade entre tema e audiência. Quando paro e penso sobre a derradeira vez que a escutei lembro-me o quão tempo me falta no dia-a-dia para aquilo que realmente aprecio, o que só reforçou ao ouvir assim, na lata, “For You”, outra importância sem precedentes no almanaque dos finlandeses. O ‘riffão’ entregou, lógico, assim que entoado. Se o título dela nos dá a dita (“para vocês, se traduzida), então peguemos e abusemos. Em tempo, canções assim denotam a influência de nomes como Paradise Lost no HIM. Forte! A "cama" de teclados ficou após a pegajosa “The Funeral of Hearts” ser magistralmente tocada por um Ville sorridente até as tampas. E mais meninas iam desmaiando enquanto Ville agradecia e falava sobre a quebra da ‘virgindade’ de estar no Brasil. Ele ainda brincou sobre o encore: “Depois desta a gente finge que vai embora, mas na verdade é o tempo de uma mijadinha e voltamos...”

O primeiro encore veio com o hit “Into the Night”, primeiro single retirado do mais recente álbum. Há um vídeo bem interessante dela e cabe a mim agrega-lo à resenha. Estará logo ali embaixo. Até nos USA esta danadinha estourou! Muitos fãs pareciam não acreditar às primeiras notas “It's All Tears (Drown in This Love)”, outra do primogênito disco. Uma garota o meu lado, aos prantos, dizia a suas amigas: “Ele (Ville) quer me matar tocando esta, não é?” De fato uma bela aquisição ao set, mas percebi que vinha sendo tocada nesta tour e não fiquei tão surpreso, apesar de nas duas outras oportunidades que pude ver a banda ao vivo não terem-na incluído, portanto aplaudi efusivamente, como mandava o figurino. “When Love and Death Embrace” acabou com a nossa raça e aí sim vi a mulherada esvaírem-se ao ponto da desidratação. “Já se passaram 20 anos e ainda não perdemos o fascínio por isso...”, disse Valo sobre versar o amor e a morte. Poeta finlandês dos nossos tempos, Ville sabe como encantar através de suas bem traçadas linhas. O reconhecimento dá empate entre homens e mulheres, mesmo que estas berrem um tanto quanto mais alto. Devido o descuido dos seguranças, um mais empolgado subiu ao palco e o abraçou, sendo retribuído.

O encore número dois iniciou com “Sleepwalking Past Hope”, bacana para um retorno em cena; cantada “na manha”; linha de baixo estupenda; pegada mais stoner e novamente a lembrança ao Paradise Lost. Um colega de imprensa até brincou gritando: “Ei, o show dos caras é semana que vem ainda...”. Aproveite o ensejo e concordo com este mesmo truta sobre o “Linde” tocar tanto de costas (ou de lado, sei lá), principalmente quando sola. “Porra, Mikko, deixa a gente aprender seus truques, bicho!”, zombávamos. Nossa frivolidade foi interrompida por “Kiss the Void”, outro que também põe fim ao álbum “Tears On Tape”. Rádio Corsário, que tal um repeteco disso tudo?

Line-up
Ville Hermanni Valo – vocais, guitarra acústica
Mikko "Linde" Lindström – guitarras
Mikko "Migé" Paananen – baixo
Mika "Gas Lipstick" Karppinen – bateria
Janne "Burton" Puurtinen – teclados

Set-list
Lucifer's Chorale/ Buried Alive By Love
Rip Out the Wings of a Butterfly
Right Here in My Arms
The Kiss of Dawn
All Lips Go Blue
Join Me in Death
Your Sweet Six Six Six
Passion's Killing Floor
Soul on Fire
Wicked Game
(Chris Isaak cover)
Tears on Tape
Poison Girl
For You
The Funeral of Hearts
Encore:
Into the Night
It's All Tears (Drown in This Love)
When Love and Death Embrace
Sleepwalking Past Hope

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* Epígrafe (do grego antigo [ἐπιγραφή], derivado de ἐπιγράφω, "escrever acima de") é originalmente uma inscrição em prosa ou em versos que se coloca, talhada em bronze ou mármore, sobre tumbas para lembrar a memória de um defunto, ou também em outros lugares em comemoração de pessoas e eventos importantes. (Fonte: Wikipedia)
** Lindamente majestoso, em tradução livre do finlandês.

Texto por Durr Campos
Fotos por Taiz Dering

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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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