A banda que Robert Smith do The Cure disse ter perdido completamente o sentido do rock
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de janeiro de 2026
Em artigo publicado pela jornalista Rachael Pimblett, da Far Out, o vocalista do The Cure, Robert Smith, relembrou uma de suas críticas mais diretas a uma banda contemporânea, afirmando que ela havia "perdido completamente o ponto do rock and roll". A declaração surgiu em entrevista concedida ao jornal The Guardian, e voltou a circular após a recente aproximação de Smith com artistas de uma geração bem mais jovem.
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Segundo Rachael Pimblett, o contraste chama atenção porque, em 2025, Robert Smith protagonizou um dos momentos mais comentados do Glastonbury Festival ao dividir o palco com Olivia Rodrigo. Juntos, eles tocaram "Just Like Heaven", clássico do The Cure, em meio a um público majoritariamente jovem. "A imagem de Smith brindando nos bastidores com Rodrigo parecia simbolizar o lado mais festivo e acessível do rock mainstream", escreveu a jornalista.
No entanto, anos antes, Smith não demonstrava a mesma tolerância com bandas britânicas que surgiam sob forte influência do passado. Em entrevista ao The Guardian, o cantor foi particularmente duro ao falar do Suede, grupo formado no fim dos anos 1980 e associado ao britpop. "Eles estão apenas refazendo músicas antigas do Bowie", disparou Smith. Em seguida, completou: "Isso meio que perde o sentido do rock and roll. Mas talvez, se você tem 16 ou 17 anos, isso seja o sentido".
Para Rachael Pimblett, a fala revela mais sobre a visão de mundo de Smith do que sobre a banda em si. "Smith sempre pareceu desconfiar da nostalgia como motor criativo", observou. Segundo ela, o vocalista do The Cure via o rock como uma linguagem de ruptura, não de reciclagem estética. Por isso, sua crítica a Suede estava menos ligada à qualidade musical e mais à falta de risco artístico.
A jornalista também destaca uma possível contradição entre essa postura e o apoio público de Smith a Olivia Rodrigo. "A música de Rodrigo é direta, acessível e feita sob medida para um público jovem - exatamente o tipo de coisa que Smith parecia relativizar quando falou de Suede", escreveu. Ainda assim, Pimblett pondera que o tempo pode ter mudado a percepção do músico. "Doze anos separam aquelas declarações da parceria em Glastonbury, e talvez Smith hoje enxergue o valor do rock como ponto de entrada, não como manifesto".
Na mesma entrevista ao The Guardian, Smith refletiu de forma mais ampla sobre a ideia de inovação na música. "Depois de 34 anos, você começa a ver tudo sendo refeito. Antes dos anos 60, tudo estava sendo inventado", afirmou. Ele ainda comentou que encontra mais frescor criativo em gêneros eletrônicos. "Ouço muito house, techno, rave. Não danço, só escuto. É hipnótico."
Para Pimblett, essa visão soa quase resignada. "Há uma sensação de que Smith aceita a repetição como inevitável, ao mesmo tempo em que lamenta a perda da faísca original do rock", analisou. Ainda assim, ela conclui que o próprio Smith parece desafiar essa ideia ao continuar relevante e disposto a dialogar com novas gerações - mesmo depois de dizer que algumas bandas simplesmente "não entenderam o ponto".
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