HIM: uma seleção de "melhores hits" em São Paulo

Resenha - HIM (HSBC Brasil, São Paulo, 30/03/2014)

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Por Fernanda Tavares
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Os finlandeses da banda HIM subiram ao palco do HSBC Brasil por volta de 21h30 da noite de domingo. O horário previsto foi respeitado, para alívio dos fãs: já bastava a espera debaixo da chuva paulistana, ou melhor, a espera de longos 17 anos desde o lançamento do primeiro álbum de estúdio da banda, o Greatest Love Songs Vol. 666. A turnê do álbum Tears on Tape, lançado em 2013, finalmente contempla solos brasileiros e a expectativa é grande – será que eu passei 6 horas dentro de um ônibus para ver um show morno?

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Felizmente, a tensa sensação de que os artistas não gostam do país logo é dissipada nos primeiros sorrisos que acompanham a abertura da noite, Buried Alive By Love. Ville Valo, entre alguns "thank you" e "kiitos" arriscava um "obrigado", em meio a sorrisos surpresos pela paixão brasileira. Glórias! As mãos tremem e o coração acelera – engraçado me sentir tão clichê, como uma criança que realiza o sonho. E pelas lágrimas silenciosas e gritos histéricos das quase 4 mil pessoas que me acompanhavam, a emoção é a mesma. Wings of A Butterfly e Right Here In My Arms fecham a deliciosa e pesada trinca inicial, e acompanhamos com as letras na ponta da língua. Seguindo com The Kiss of Dawn, mais calma, o clima fica mais leve e a ficha cai – p*#%a, o HIM tá aqui mesmo! - e então temos All Lips Go Blue, onde os fãs 'ajudam' Ville nos backing vocals ("...blue, blue, blue!"). A música é recente e tem se provado ótima ao vivo.

Sem demora e sem muita conversa, a banda manda uma música atrás do outra, afirmando seu estilo único - o Love Metal. Letras que misturam Céu e Inferno, vida e morte, dualismos mergulhados no amor romântico, HIM traduz a paixão em seu sentido mais amplo, e mais humano. Join Me In Death, a música seguinte, é exemplo absoluto dessa paixão. A introdução nos teclados de Burton e o uníssono dos versos intensos são arrepiantes. "This life ain't worth living", cantamos junto com Ville. É essencial destacar a incrível dupla Linde e Migé, guitarra e baixo que se complementam e trazem o peso à banda. Em diversos momentos os dois ficam de frente um para o outro, partilhando os solos e os improvisos, às vezes se juntando ao ótimo baterista Gas Lipstick para nos proporcionar um show à parte. Em especial as três canções seguintes (Your Sweet Six Six Six, Passion’s Killing Floor e Soul On Fire) demonstram a qualidade instrumental de HIM.

Wicked Game, a seguinte, dispensa comentários – o cover de Chris Isaak foi tomado majestosamente pelos finlandeses. A canção Tears On Tape segue. É tranquila e bela em suas homenagens (“church bells toll, thunder roars around me. I've been warned to prepare myself for the fall” – os versos mencionam a introdução de Black Sabbath, dos pais do Heavy Metal), mas não parece realmente empolgar o público, sendo mais uma canção de transição ao hino que viria a seguir: Poison Girl. Do fatal amor romântico, Poison Girl é definitivamente um clássico e fez parte da adolescência da grande maioria dos que ali estavam. Cantada desde 1999 (pertence ao segundo álbum, Razorblade Romance), a sensação que tive é que a banda aprimora a canção a cada show, executando perfeitamente aqueles versos tão antigos. Digo isso porque fiquei (muito) surpresa com a energia transmitida – algumas bandas tocam seus clássicos quase que diariamente, mas nem sempre transmitem aquele “primeiro amor”. Poison Girl, como HIM nos apresentou no domingo, foi capaz de trazer aquela pureza da música por paixão.

Mas foi a canção seguinte que fez meu coração parar de bater por alguns segundos. Ainda atordoada com a “experiência” de Poison Girl, havia quase me esquecido que For You ainda seria executada. Anunciada como uma ‘velha’, a canção que fecha o primeiro álbum da banda é simplesmente uma das minhas favoritas – então quando as luzes do palco ficam vermelhas e Linde começa a castigar sua guitarra, confesso que eu fico perdida – filmo, canto, danço, ou sento no chão para morrer de chorar? Escolhi, meio anestesiada, filmar apenas uma estrofe, e até encontrar o botão correto da câmera as lágrimas já batiam no visor.

Ao fim da música as luzes são roxas e foco nos três globos espelhados – lá vem The Funeral Of Hearts! Dispensa comentários, mais uma vez, é uma belíssima música. É o fechamento da primeira parte da noite, com o anúncio de que eles precisam de uma pausa – e nós esperamos pacientemente. Ou não. Algumas pessoas tentam puxar o refrão de Lose You Tonight, que não entrou no setlist, mas que traduz o sentimento geral: "eu estava esperando por você, esperando minha vida inteira, e eu não vou perder você esta noite!". Pouco depois a banda volta ao palco, e logo iniciam Into the Night, música de 2013 que vem ganhando mais atenção nos shows, mas ainda sem grandes emoções. E então It’s All Tears incendeia a casa novamente, nas palavras quentes e nas cores amareladas das luzes do palco. É delicioso. As inflexões da voz de Ville Hermanni Valo são um show à parte, e o público acompanha as dualidades: “I’m waiting for you to drown in my love/so open your arms. I’m waiting for you to open your arms/and drown in this love!”. Para supostamente fechar a noite, a balada When Love and Death Embrace. A emoção da música de 1997, a simplicidade tão sensível das letras. O divertido “oh oh oh” da plateia acompanhando os instrumentos. O silêncio de alguns que só conseguiam enxugar as lágrimas. Cena inesquecível!

Novamente a banda sai e as luzes se apagam, mas sabemos que ainda há mais. O tecladista Burton sobe ao palco sozinho, e parece divagar absorto nas teclas. Arrepiante. Começa, então, uma das melodias mais emocionantes de toda a discografia da banda, e a histeria dos fãs saúda a volta do restante da banda para dar início a Sleepwalking Past Hope, canção de 10 minutos do álbum Venus Doom, de 2007. Por vontade divina, creio eu, a bateria da minha câmera se esgota antes do início da música - o momento pede quase que um silêncio espiritual, a atenção devida à obra prima que é executada no palco. Em especial a guitarra de Linde e os teclados de Burton parecem nos guiar por Céu e Inferno, na mais obscura noite, no coração que é virado ao avesso nas palavras cantadas: “everything’s unfair in our childish war, redemption beyond right and wrong”.

Foi um show de clássicos, como uma colega comentou - uma seleção de 'melhores hits', perfeita para tocar em uma rádio. Clássicos e, se Deus permitir, novos clássicos como All Lips Go Blue, uma das únicas selecionadas para promover o álbum mais recente. Que no futuro, não seja ignorada como as canções de Deep Shadows & Brilliant Highlights (2002) e Screamworks: Love in Theory and Practice (2010), os únicos discos que ficaram fora do show.

Para muitos, a banda HIM é romântica demais, melosa demais, muito exagerada. Talvez seja. Mas que então Deus perdoe a nós, fãs, que gostamos da maneira como nossos sentimentos são expressos nesse exagero poético, que nem sempre mostra nossa melhor face, mas nos traduz sinceramente. É impossível ignorar o testemunhos de fãs que tiveram suas vidas transformadas pela banda, a emoção daqueles que acompanharam a consagração do Love Metal finlandês em terras brasileiras. Que as invasões ao palco (foram três no total) não tenham sido assustadoras, que o sutiã bordado com o 'heartagram' tenha sido divertido (apesar de "não caber", como observou Ville). Que a camiseta número 10 e o bandeirão assinado pelos fãs tenham sido emocionantes. Bury the Flag Deep Inside HIM's Heart.

Setlist:
Buried Alive By Love
(Rip Out) Wings Of A Butterfly
Right Here In My Arms
The Kiss Of Dawn
All Lips Go Blue
Join Me In Death
Your Sweet Six Six Six
Passion’s Killing Floor
Soul On Fire
Wicked Game
Tears On Tape
Poison Girl
For You
The Funeral Of Hearts
----
Into The Night
It’s All Tears
When Love And Death Embrace
----
Sleepwalking Past Hope

Banda:
Ville Valo (vocal/violão)
Mikko "Linde" Lindström (guitarra)
Mikko "Migé" Paananen (baixo)
Mika "Gas Lipstick" Karppinen (bateria)
Janne "Burton" Puurtinen (teclados)

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