HIM: O show da vida de muitos fãs em São Paulo

Resenha - HIM (HSBC Brasil, São Paulo, 30/03/2014)

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Por John Wins
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Demorei mais de uma semana para tentar achar as palavras que descreveriam exatamente todas as emoções que a apresentação única do HIM no Brasil deixou em cada fã presente no HSBC Brasil naquele eterno dia 30.03.2014.

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Falar do show sem mencionar a fila e o sentimento de aflição horas antes das portas abrirem é difícil, mas mais difícil ainda foi para alguns agüentar os 6 minutos de atraso que os finlandeses levaram para iniciar o seu show.

Diante de um enorme folder com o novo símbolo da banda (uma cobra rodeando um Heartagram) repousava intacto sob uma penumbra alguns instrumentos, mas nossa atenção foi puxada repentinamente por um aviso sonoro: "_O show vai começar!_”

Quando a introdução (sempre divulgado como Lucifer's Chorale, mas que não é) começou a ecoar em um HSBC praticamente lotado, varias vozes começaram um coro gritando: HIM, HIM, HIM! Todos sabiam que era de verdade, que a espera finalmente chegou ao fim.

Quando Ville, Migé, Linde, Burton e Gas entraram no palco e meninas pareciam que iriam enfartar, as primeiras notas da noite soaram em bom som por toda a casa.

Diferente de várias bandas, e da própria história do HIM, a primeira canção não é uma música de trabalho do último CD, o bom Tears On Tape, e sim um clássico de 2003, a pulsante "Buried Alive By Love".

Um Ville muito sorridente tentava olhar para todos os lados e mostrava estar surpreso com o tamanho do público brasileiro, além da qualidade do HSBC com seus dois telões jogando imagens para os mais afastados do palco.

Cada nota cantada, gritada e chorara era levada até as últimas forças. Era notável a admiração da banda pela energia emanada em cada segundo. Ao fim da primeira canção Ville lançou um “Obrigado”, pegando alguns de surpresa.

"Rip Out The Wings of A Butterfly" continuo o set, sendo a única canção de Dark Light presente no repertório. Possui partes propícias para a platéia inteira cantar e foi isso que cada fã presente fez, criando um coro na introdução. O único problema de WOAB é a falta de uma segunda guitarra, algo que sempre me incomoda ao vivo, mas que em momento algum tira a energia da música que liderou as paradas norte-americanas em 2005 fazendo um boom finlandês na terra do Tio Sam.

Terceira canção da noite pertencente ao clássico Razorblade Romance “Right Here In My Arms” trouxe uma cena rara em shows do HIM: Uma fã entra correndo e aperta a mão de Ville antes que os roadies/técnicos a tirassem do palco, mas logo em seguida Ville faz um sinal de me "liga" para a menina. Hilário!

RHIMA começa a mostrar toda a versatilidade de Mikko Lindestrom ou simplesmente Linde, o gênio das seis cordas. Um oceano de mãos cobre o refrão da música acompanhando um Ville Valo realmente feliz.

Sem muito tempo para respirar "The Kiss of Dawn" nos traz o peso de Venus Doom. Migé mostra agressividade e passionalidade ao mesmo tempo em que tira um grave único de seu baixo. Ainda buscando deixar o som perfeito o teclado de Burton começa a ganhar mais destaque, rivalizando com a guitarra. Apenas questões técnicas.

Ville anuncia um "entretenimento" com Linde e Migé iniciando uma pequena Jam enquanto ele iria dar uma “escapada”. Gas e Burton logo começam com suas respectivas partes instrumentais dando um caldo mais grosso ao instrumental. Com uma mistura psicodélica Ville começa a cantarolar lembrando a versão completa de TKOD, presente no CD de estúdio. Belíssima interlude dentro da própria música.

Microfonia e silêncio anunciam o que para muitos seria algo inédito, a primeira canção (das três que compõe o show) do último CD, a pegajosa "All Lips Go Blue”, que por mais bonita e pesada que seja não se provou um sucesso ainda nos dias de hoje. Muitos cantavam juntos, mas grande parte parecia desconhecer Tears On Tape.

Cada banda possui hinos, no caso do HIM, "Join Me" é um deles. Bastou Burton dedilhar a introdução única para mais de quase 4.000 vozes comemorarem como se fosse um gol. Para quem duvidou que esse dia chegasse eis uma multidão colocando pulmões pra fora, entoando um Babe, Join me in Death com vitalidade, sarcástico não?!

A essa altura do show o som se mostrava mais cristalino com pouquíssimas imperfeições. Fãs cantavam com alma como se fosse o último show da sua vida.

Muitos realmente queriam ficar ali para sempre, mesmo que na morte.

Voltando aos primórdios da banda "Your Sweet Six, Six, Six" apresentou um clássico do HIM, poucas vezes fora do set list habitual da banda. Com direito a chuva de palmas e um coro de vozes empurrando o refrão. Era bastante nítido o teclado de Burton, agora páreo com a guitarra de Linde.

Gas começou uma introdução enquanto Linde e Migé davam o tom pesado do que viria. Nada mais do que um clássico: "Passion's Killing Floor", 3º single de Venus Doom. Não acreditei quando Linde ergueu sua SG e começou aquele soturno riff. Nossa senhora, realmente deixei de lado um pouco da visão crítica para curtir minha canção preferida. Épico!

Realmente me dei conta de que a noite prometia mais do que o usual ou como Ville frisa no final da canção “_Forever more!_”

Poucos segundos para respirar e "Soul On Fire" reinicia os trabalhos com adrenalina direta nas veias. Confesso que não gostei da maneira que iniciam a canção, mas o decorrer dela é de escorrer suor (lágrimas no caso de muitos ali presentes).

E o que falar quando um sutiã foi atirado no palco? Com um Heartagram estilizado, Ville o pegou colocando no pedestal e dando um leve beijinho/cheirada, levando a platéia ao delírio.

Pequena pausa, mas o bastante para todos perceberem o sucesso que viria. Ville cantarola um pedaço de "Wicked Game", o cover que ajudou a deslanchar a carreira da banda e considerado por muitas mídias especializadas como um dos 100 melhores covers de todos os tempos. Preciso falar que tocar WG é jogo ganho? Diferente da versão original de 97, Burton contribui bastante com lindos arranjos de teclados.

Alguém gosta de Jam? Alguém gosta de Linde solando? Enquanto Ville dá uma segunda escapada deixando Linde entreter a platéia, não sozinho é claro.

Sinceramente não sou um grande fã de partes instrumentais em shows, mas entendo que o vocalista precisa de fôlego e ver Migé tirar alguns bons sons de seu Fender foi bem apreciativo. Logo Ville volta com seu violão acompanhando a banda em um possível mashup com WLSTD. Para finalizar Ville mostra porque tem total facilidade com falsetes alternando para sua peculiar e única voz grave.

Possivelmente uma das poucas músicas que ficarão no repertório futuro da banda, '"Tears On Tape" apresenta toda a carreira da banda em poucos minutos. Peso, melodia e muitas lágrimas cantavam junto com a banda, já que a canção marca o retorno de um hiato não programado pela banda e muito menos avisado aos fãs.

Um excelente momento para agradecer aos finlandeses e cantarolar juntos.
Se há uma música que pega e gruda na cabeça é "Poison Girl", e Linde parece tocar com precisão exata aos anos 2000. É bastante curioso perceber como Migé toca baladas e músicas mais pesadas com a mesma pegada e vitalidade.

Se você é um fã das antigas e ficou feliz com algumas das surpresas do último Helldone, você foi prestigiado, ou parafraseando a canção é... "For You". Apesar de possuir um instrumental arrastado, característico do Black Sabbath, banda em que HIM sempre se inspirou e respeitou, é uma boa pedida para conferir o show sem tanta agitação, pois a próxima foi de machucar alguns pobres corações.

Antes de começar a próxima música, Ville fez de questão de agradecer os fãs brasileiros pela primeira vez da banda aqui no Brasil estar sendo tão única e especial. O som abafado do microfone não deixava muito audível algumas palavras, mas logo uma mini introdução não deixou o vocalista sem palavras, e sim a platéia. Era hora de "Funeral of Hearts".

A celebração, equivalente a um gol foi o exemplo perfeito para mostrar o quão amada a banda é em nossas terras tupiniquins. Globos de luzes apareceram no topo do palco, mas um conflito com as luzes não deixou o brilho alcançar a platéia, sendo um pouco diferente da linda apresentação do DVD de 2008.

O final de FOH foi algo digno de mini-infartos e histeria, pois Ville encerra com nada mais do que alguns graves sob um globo de luz. Nessa hora várias garotas tiveram que ser socorridas pela pressão da grade na pista VIP.

Um pequeno intervalo com luzes apagadas, mas logo volta Ville e Cia. para a primeira parte do Encore (ou bis, como queira) com a última faixa de divulgação de TOT, "Into The Night" e sua pegada punk anos 80, além da melodia peculiar do HIM. Uma pena muitos não conhecerem o último trabalho, decorrência da má divulgação da Razor & Tie na América.

Durante todo o show pessoas na parte superior do HSBC dançavam ao som dos falsetes de Ville, muito bem executados. A única parte estranha fica ao fato do violão que o vocalista usa, pois o som saia muito baixo, por vezes nem se ouvia.

Uma surpresa para mim foi a execução de "It's All Tears", música com vocal extremamente grave rivalizando com um timbre normal. Palmas para Ville, apesar de o som abafado interferir nas nuances da voz, ficando um pouco estranha quando ele concentra forças em um agudo e principalmente em alguns versos soturnos misturados com delay. E é durante IAT que Ville acende um cigarro, não sabendo das regras da casa. Nada muito grave, pois logo foi alertado sobre a restrição.

Pingando suor debaixo de seu chapéu, Ville não sabia, mas quando anunciou a balada "When Love and Death Embrace" lágrimas começaram a escorrer por todos os lados que eu olhava. Lágrimas de amor e felicidades se encontravam com a trilha sonora da vida de muitos que lotavam o HSBC. Isqueiros se confundiam diante de vários smartphones filmando cada segundo da banda. Creio que o pensamente era único: “Por favor, não acabe!”. Algo realmente belo de se ver/ouvir. Gostaria muito de abraçar vários amigos (a) que ali estavam e que entre seus choros sinceros celebravam comigo um show que até meses atrás duvidávamos da existência.

Mesmo com mais uma invasão ao palco (a 3ª da noite) durante o momento em que Ville deslumbrava sua camisa nº 10 da Seleção Brasileira jogada por uma fã, a banda pareceu não se importar, já os roadies não gostaram dos furos no bloqueio de segurança. O show continuava com uma última cartada na mão.

Realmente parecia o fim do espetáculo, o fim das canções... Mas eis que surge um finlandês no alto de seus 1,90m. Burton senta perto de seus inúmeros teclados e começa uma conhecida melodia. Em poucos segundos ele executa parte do Prelúdio de Bachianas Brasileiras Nº 4 (obrigado Adriana Freitas por ter me alertado). O grande heartagram rodeado por uma imensa cobra nos leva ao pequeno delírio que o tecladista está envolto. Não demora muito para a linda introdução de "Sleepwalking Past Hope" acertar cada presente no show.

Praticamente retirada dos anos 70 soando como um Led Zeppelin encontra Black Sabbath, SPH é um hino cantada entre sombras e risos pelos fãs.
Durante seus 11 minutos envolvidos pelo peso que Linde possui, deixando orgulhoso seu Sogro, um tal de Tony Iommi. Se não bastasse a canção brincar com sombras e luzes, Ville vocifera uma voz extremamente dark, dando a impressão que narra um grande filme de terror dos anos 30.
Sempre penso que três outras canções poderiam ser trocadas por SPH, mas o final do show com ela é extremamente enriquecedor e digno de nota.

O show vai chegando ao fim, e com a banda envolvida em uma psicodélica Jam Ville se despede agradecendo e deixando um até logo no ar. Aos poucos cada integrante vai dando adeus. Linde, Migé e Burton acenam de longe para uma platéia ensandecida, mas é Gas que rouba a cena. Com baquetas e toalhas atiradas ele ganha sorrisos, mas é quando ele pega a bandeira do Brasil estilizada com símbolos da banda e assinada por muitos fãs que o HSBC vai a loucura.

“Kiss The Void” fecha o que para muitos foi o show da vida. 10, 5 ou 1 ano de espera dependendo de cada presente na casa. Misturados entre todos os estilos musicais fãs se abraçam comemorando um show que realmente parecia nunca chegar. Recebo abraços do pessoal do HIM Brasil, o Street Team que faço parte. Consigo ver brilho nos olhos de cada um. Preciso deixar reconhecido o trabalho da Rádio & TV Corsário, liderado pelo simpático Julio Viseu que nos trouxe um espetáculo digno do tamanho da espera.

Várias coisas não me agradaram no show, como a falta de canções do CDs Deep Shadows e Screamworks, mas isso são detalhes e na prática o show foi uma incrível experiência.

Aguardo novamente a oportunidade de conferir Ville, Migé, Linde, Burton e Gas ao vivo. Enquanto isso suas músicas continuam rodando em cada coração que no dia 30 de Março de 2014 pulsou ao meu lado.

HIM é:
Ville Valo (voz, violão)
Linde Lindström (guitarra)
Migé Amour (baixo)
Emerson Burton (teclados)
Gas Lipstick (bateria)

SET LIST:
Intro
Buried Alive By Love
(Rip Out) Wings Of A Butterfly
Right Here In My Arms
The Kiss Of Dawn
All Lips Go Blue
Join Me In Death
Your Sweet Six Six Six
Passion’s Killing Floor
Soul On Fire
Wicked Game
Tears On Tape
Poison Girl
For You
The Funeral Of Hearts

Encore 1:
Into the Night
It’s All Tears
When Love And Death Embrace

Encore 2:
Sleepwalking Past Hope
Kiss The Void

Photos by: Ronaldo Chavenco

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Sobre John Wins

John Wins é aspirante a jornalista, além de ser designer e escritor. Trabalha como roteirista/apresentador no Heavy Talk e como administrador/editor no HIM Brasil. Grande pesquisador do metal nacional e principalmente do metal finlandês. Para mais informações, acesse: twitter.com/johnwins. Força Sempre!

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