Pinhal Rock Music: como foi a primeira edição do festival

Resenha - 1º Pinhal Rock Music (Clube Recreativo, Esp. Sto do Pinhal, 11/08/2012)

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Por José Antonio Alves
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A cidade interiorana de Espírito Santo do Pinhal, no estado de São Paulo, recebeu no último dia 11 de Agosto a primeira edição do Pinhal Rock Music Festival, primeiro festival do estilo em muitos anos na região e que teve apoio da Secretaria da Cultura local. Com um cast recheado de grandes bandas da cena atual do metal brasileiro, a Praça da Indepedência, no centro da cidade, localização do Clube Recreativo, ficou repleta do preto dos headbangers da cidade e também de vizinhos de Itapira, Mogi-Guaçu, Jaguariúna, entre diversas outras.

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Fotos por Rogério Seiji

Ao chegar no Clube Recreativo, por volta das 13hs (o festival estava marcado para ter início às 14 horas) havia apenas a movimentação de alguns integrantes da Banda Filarmônica da cidade, que se apresentaria no evento, e também já se via a banda santista Shadowside no local. A estrutura do local escolhido para o evento não é ruim, confesso que achava que o festival seria ao céu aberto, mas o que se viu foi um local que se não encheria por completo, pelo menos ficaria bem ocupado e que atenderia os anseios básicos do público.

Já passavam das 15h30 quando a Banda Filarmônica Cardeal Leme começou a executar versões para grandes canções do rock como "The Final Countdown", do EUROPE, "Jump", do VAN HALEN e "Sweet Child o'Mine", do GUNS 'N' ROSES. Uma experiência diferente para um evento de Rock, e um grande trabalho instrumental em todas as músicas. Por volta das 18 horas a banda HALLOWED, tributo ao IRON MAIDEN, subiu ao palco. Este atraso é assunto para o final da resenha. Executando clássicos já "clichês" da discografia do Iron, como "Be Quick Or Be Dead", "Revelations", "The Trooper", e "Run To The Hills", a banda contou com o agito e vibração do público. Os músicos aparentam ser bem jovens, e sofreram com algumas falhas instrumentais que atrapalharam a banda, nada que não possa ser melhorado com tempo e experiência.

Banda Filarmônica Cardeal Leme
Banda Filarmônica Cardeal Leme

Banda Hallowed
Banda Hallowed

Em pouco tempo, a banda WOLFPACK, oriunda da própria cidade do evento, começou seu set baseado em clássicos, com covers de DEEP PURPLE ("Highway Star"), SCORPIONS ("Rock You Like a Hurricane"), LED ZEPPELIN ("Black Dog") e BLACK SABBATH ("Children Of The Grave"), esta última empolgando muito os presentes. Destaque para o vocalista da banda que consegue encaixar ótimas linhas vocais, com tons que não soam forçados em quaisquer uma das canções apresentadas.

Wolfpack
Wolfpack

Direto de Mogi Mirim, a banda BARBARIA também agitou os presentes com seu visual "pirata" que lembra a banda escocesa ALESTORM e que vai do metal tradicional para algo que chega a ser dançante nas canções. Destaque para a ótima "Under The Black Flag" e para o cover bem feito de "Under Jolly Roger", do RUNNING WILD. A banda é uma das atrações que se apresentarão no festival de Pagan/Folk/Viking Metal Thorhammerfest, no fim do ano em São Paulo.

Barbaria
Barbaria

Direto de Itapira, era a hora do Thrash Metal furioso da banda SLASHER. Com um vigor inpressionante, a banda com certeza cravou uma das grandes apresentações da noite, e contava com a estréia do vocalista Skeeter, que não deixou a desejar com uma presença de palco notável. Impossível não ir para a roda com faixas como "Hate", "Time To Rise" ou "Enemy Of Reality". A destruição total estava por vir com o Death Metal muito bem executado da banda DESECRATED SPHERE. O caos se instalou logo de cara com a matadora "Inquisitio Haereticae Pravitatis Sanctum Officium" e continuou com "Gospel Is Dead" e "Hell Is Here", entre outras faixas. O destaque vai sem dúvidas para o vocalista Renato Sgarbi, que é um monstro no palco, vocais brutais e presença marcante, além do baixista José Mantovani, que realiza uma performance no baixo com muito técnica.

Slasher
Slasher

Desecrated Sphere
Desecrated Sphere

Desecrated Sphere
Desecrated Sphere

Estreando uma nova integrante na banda, a vocalista Thalita, a banda campineira HELLISH WAR trazia seu Heavy Metal tradicional para o festival, após contornar problemas técnicos que acabaram por adiar o início do show por mais de 40 minutos. Não era missão fácil, pois tratava-se de substituir o excelente vocalista Roger Hammer, voz nos petardos "Defender Of Metal", de 2001 e "Heroes Of Tommorow", de 2008. Thalita demonstrou boa presença de palco, lembrando movimentos no palco a la Doro Pesch, apesar de considerar a voz baixa em certos momentos, não sendo possível mensurar o potencial vocal no show. "We Are Living For Metal", "Defenders Of Metal" e "Hellish War" são verdadeiros hinos, e a partir de agora basta aguardarmos para observarmos o direcionamento que a banda tomará.

Hellish War
Hellish War

Hellish War
Hellish War

Promovendo seu mais recente trabalho, o ótimo "Inner Monster Out", de 2011, os santistas do SHADOWSIDE subiram ao palco para demonstrar o motivo de figurar entre as bandas mais notórias do cenário atual brasileiro. Abrindo com "I'm Your Mind", do mais recente trabalho, passando por "Highlight" do debut "Theatre Of Shadows", e também executando a já obrigatória "Hideaway", o foco do set seria nas composições mais recentes, incluindo-se ainda as faixas "My Disrupted Reality" e as pesadíssimas "Gag Order" e "Waste Of Life", que só mostraram o quão entrosado o quarteto santista está no palco. A banda acabou encerrando antes do previsto devido aos já comentados problemas que mais adiante serão citados.

Shadowside
Shadowside

Shadowside
Shadowside

A clássica banda paulistana SALÁRIO MÍNIMO traria um pouco dos anos 80 ao Pinhal Rock Music Festival tocando clássicos como "Beijo Fatal" e "Delírio Estelar", entre outros que agitaram nova e velha guarda na madrugada de Espírito Santo do Pinhal. Não era o fim, ainda faltariam atrações para encerrar a noite, e a próxima foi a banda LOTHLÖRYEN. Já tive a oportunidade de presenciá-los ao vivo em outras oportunidades, e a cada show conseguem trazer algo diferente para o público. A banda promove o ótimo "Raving Souls Society", lançado este ano, registro este que considero ser o álbum mais maduro da banda, destacando-se a ótima "Face Your Insanity".

Salário Mínimo
Salário Mínimo

Salário Mínimo
Salário Mínimo

Salário Mínimo
Salário Mínimo

Lothlöryen
Lothlöryen

Lothlöryen
Lothlöryen

Ainda no show da banda Lothlöryen, foi anunciado o cancelamento do show da banda "Love Gun", que fecharia a noite com os melhores sons do KISS, por motivo de falta de tempo, em conseqüência dos atrasos que ocorreram. Ficou a cargo da banda paulistana TORTURE SQUAD fechar o evento, quando já se passava das 4 da manhã. O impressionante era ver a disposição do público neste horário nas rodas, agitando e curtindo o show. Por mais que se comente que sem o vocalista Vitor Rodrigues a banda perdeu presença de palco, o fato é de que a afirmação vai se tornando errônea a cada apresentação.

Torture Squad
Torture Squad

Torture Squad
Torture Squad

O trio está em grande forma, Amilcar Christofaro continua comandando a cozinha da banda com maestria, e a pegada continua intensa e mais "Torture" do que nunca. Orgulho, paixão e verdade fizeram parte do emocionante discurso do baterista já no final do show que ganhou aplausos de todos. A banda também precisou reduzir seu set e encerrar o show e o evento com "Horror And Torture", que contou com a participação especial do vocalista da banda Desecrated Sphere, Renato Sgarbi.

Torture Squad com vocalista do Desecrated Sphere
Torture Squad com vocalista do Desecrated Sphere

O evento ficou marcado pelos atrasos e por algumas situações. Muito se falou, de várias as partes, mas aqui fica a impressão que tive dos fatos. As bandas que são contratadas para participar de um festival assinam contratos, e claro, fazem suas exigências básicas para o bom andamento do evento. Em Pinhal não foi diferente, e com tudo teoricamente "nos conformes", as bandas vieram para o festival.

Ao chegar no local do evento, percebi a movimentação da equipe da banda Shadowside que já se encontrava no local desde as 11 da manhã, para que fizesse sua passagem de som sem qualquer problema, conforme acordado com a produção. O que ocorreu foi um atraso por parte da empresa que era responsável pelo som, que por sinal era de responsabilidade do Departamento de Cultura do município.

A não-entrega deste equipamento influenciou uma gama de acontecimentos negativos no festival. (Contingência é uma palavra que julgo ser essencial em qualquer segmento da vida, e talvez por inexperiência da produção, coisas assim poderiam ter sido evitadas se uma alternativa estivesse em "standby", caso houvesse algum problema como houve). Uma banda ter direito a uma passagem de som decente é um dos princípios básicos para se ter um bom show, e o Shadowside usou com razão deste direito. Até a apresentação deles, as bandas montavam suas baterias em frente ao local em que estava a bateria dos santistas.

O que é extremamente desagradável é o jogo de indiretas que foi criado. Em um cenário onde músicos pregam a "união do metal nacional", este fato parece que para alguns é utópico. Bandas conseguem subir e alcançar uma posição melhor por méritos, insinuar para estas bandas coisas do tipo "banda de filho de papai" soa como argumento pobre e que parte de uma situação onde não se conhecem os dois lados da história. Aliás, esta é uma constante, muitos acabam falando sem apurar os fatos, o que é extremamente imaturo e injusto. Requerer o básico para um show não é questão de estrelismo, é questão de querer fazer o melhor para um público que merece ter o melhor desempenho possível do equipamento usado pelos músicos. Se ficarmos nesse "chove não molha" de achar que toda banda NACIONAL que requer isso é estrela, então não vamos para frente nunca mesmo.

Boa parte das bandas tiveram que cortar seus sets devido aos atrasos, mas o desagradável mesmo foram situações que beiram o amadorismo completo...Querer partir para "vias de fato", desligar som de banda que está tocando, e um microfone parar de funcionar justo na hora que um músico iria dirigir uma crítica a organização são coisas no mínimo estranhas, que vocês, leitores, não são tão ingênuos para não saberem o que significa.

E uma salva de palmas, vai, sem dúvidas, para o TORTURE SQUAD. A banda vinha de uma viagem de Quito, no Equador, onde se apresentou em um festival por lá e mesmo tendo seu set cortado em Pinhal, não ficou distribuindo indiretas, executou seu show com o vigor de sempre, dirigindo-se diretamente à organização no final do show sobre coisas básicas que devem existir em qualquer festival.

O fato é que Espírito Santo do Pinhal presenciou um grande evento pelas bandas e público que lá compareceu. Aliás, este está de parabéns, foi legal ver uma molecada bem jovem (jovem mesmo, 16 anos para baixo) curtindo e agitando como se estivessem jogando para fora o grito preso por vários anos da não-existência de eventos de Rock por lá. Cabe a organização rever todos os conceitos acerca de contratos, e condições para as bandas, pois com certeza ela pecou, mas o que se deve tirar disso são as lições de como se proceder para melhorar e perpetuar o evento na cidade, afinal de contas, é louvável a iniciativa de realizar um evento deste porte. E fica a dica: antes de quererem achar um bode expiatório (ou banda expiatório) para as coisas, ver os dois lados da moeda, afinal, nunca se sabe se a sua banda não pode passar por situação semelhante um dia...

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Sobre José Antonio Alves

Aventureiro, mochileiro, amante da cultura latina e claro, fã de um dos estilos mais fascinantes deste universo musical: o Heavy Metal!

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