Paul McCartney: o maior espetáculo que Porto Alegre já viu
Resenha - Paul McCartney (Beira-Rio, Porto Alegre, 07/11/2010)
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 14 de novembro de 2010
Não há dúvidas de que a apresentação de PAUL MCCARTNEY em Porto Alegre foi o maior espetáculo que a cidade já viu. Os ingressos para o show do ex-BEATLES se esgotaram em poucas horas e com um mês de antecedência – o que proporcionou um estádio Beira-Rio completamente lotado para ver e ouvir uma retrospectiva de quase cinquenta anos de carreira do músico inglês em quase três horas de rock n’ roll.
A expectativa para o show era tão grande que o público formou imensas filas com muitas horas de antecedência – para a compra dos ingressos em outubro e para o espetáculo em novembro. Embora seja uma das maiores estrelas do rock n’ roll de todos os tempos, muita gente não imaginou a movimentação intensa que teria o show de PAUL MCCARTNEY na capital gaúcha. Com dois dias de antecedência, os mais de cinquenta mil fãs do ex-BEATLES começaram timidamente a tomar o pátio do Beira-Rio para a aguardada apresentação.
Paul McCartney - Mais Novidades
Entretanto, a movimentação no dia do show tomou proporções ainda maiores. As filas de todas as entradas do Beira-Rio davam voltas e mais voltas e confundiam-se entre si. A organização, nitidamente despreparada para lidar com esses contratempos do lado de fora do estádio, conseguiu – ainda bem – manter a ordem dentro da área do show. A abertura dos portões, marcada somente para as 17h30, e o calor intenso, deixaram muitos fãs impacientes para o início do espetáculo.
Com o estádio completamente tomado pelos fãs, precisamente às 21h06 os músicos Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra), Paul Wickens (teclado) e Abe Laboriel Jr. (bateria) – acompanhados por PAUL MCCARTNEY (vocal/baixo) – subiram no imenso palco montado dentro do Beira-Rio para iniciar o longo repertório da Up and Coming Tour South America 2010. A dobradinha "Venus and Mars/Rock Show" e "Jet" – do WINGS (banda que Paul montou com Linda McCartney após o fim dos BEATLES) – não levaram a plateia ao delírio – mas arrancaram lágrimas dos fãs mais fervorosos.
Não há como dizer o contrário: o público estava no Beira-Rio para assistir uma performance de um ex-BEATLES – e não de um artista solo. "All My Loving" e "Drive My Car" vieram na sequência e contaram com um suporte massivo e intenso da plateia. De qualquer modo, outras composições do WINGS rechearam a primeira parte do espetáculo e mostraram que os gaúchos estão em sintonia com a carreira de PAUL MCCARTNEY. "Let Me Roll It" e "My Love" (dedicada a Linda McCartney) estiveram presentes no set, assim como "Highway" – faixa do mais recente disco do músico – intitulado "Electric Arguments" (2008). No entanto, "The Long and Winding Road" (de "Let It Be", 1970) e "I’ve Just Seen a Face" (de "Help!", 1965) relembraram o poder da dupla Lennon/McCartney nos anos áureos dos BEATLES.
Embora tenha agradecido em inglês após a execução de cada música, PAUL MCCARTNEY usou – de modo surpreendente – o português para se comunicar com os fãs sem desconsiderar as principais referências e gírias da cultura gaúcha. Depois de "And I Love Her", "Blackbird" (do místico "White Album", 1969) mostrou de maneira extremamente sincera o impacto que os clássicos dos BEATLES ainda têm. Entretanto, a plateia se emocionou verdadeiramente em "Here Today" – composição retirada de "Tugar of War" (1982) e dedicada ao antigo parceiro John Lennon.
Com McCartney assumindo diversos instrumentos – como o piano e o banjo – o espetáculo prosseguiu com a recente "Dance Tonight" e outra faixa do WINGS: "Mrs. Vandebilt". O público não havia se recuperado da homenagem a Lennon quando Sir Paul dedicou "Something", do "Abbey Road" (1969), a George Harrison. Entretanto, a referência ao outro ex-BEATLES ganhou contornos ainda maiores quando imagens dos Fab Four apareceram no telão. Certamente, não houve uma única pessoa que não tenha aplaudido com o coração – ou chegado às lágrimas – após essa música.
O show, que começou com faixas mais suaves e poucas músicas de impacto, deixou claramente os momentos de maior intensidade para a sua segunda parte. Embora possua referências diferenciadas, "Eleanor Rigby" era uma das mais aguardadas da noite. Depois da interessante "Band of the Run", "Ob-La-Di Ob-La-Da" – outro clássico dos BEATLES – foi anunciada por PAUL MCCARTNEY. A música, que foi executada pela primeira vez no Brasil nessa ocasião, animou os presentes que ainda se divertiram ao som de "Back in the USSR" e "Paperback Writer".
No repertório, ainda havia espaço para "A Day in the Life" e para outra pequena homenagem a John Lennon: "Give Peace a Chance" – do seu projeto pós-BEATLES intitulado Plastic Ono Band. Entretanto, o espetáculo ainda guardava o seu ápice para a sequência. No piano, Sir Paul emocionou os presentes mais uma vez com "Let It Be", que foi cantada em uníssono por mais de cinquenta mil vozes. Porém, o momento único (e surpreendente) da apresentação veio com "Live and Let Die" – que trouxe uma série incontável de fogos de artifício e explosões. A melhor música da apresentação para muitos.
O encerramento do show não poderia ser mais óbvio: "Hey Jude". O clássico absoluto dos BEATLES uniu novamente as mais de cinquenta mil vozes do Beira-Rio para cantar com PAUL MCCARTNEY. De volta para o primeiro bis, Paul assumiu o baixo para executar outras três composições dos Fab Four: "Day Tripper", "Lady Madonna" e "Get Back". A banda acenou para os presentes e se despediu mais uma vez.
Com a bandeira do Brasil em mãos, PAUL MCCARTNEY voltou e encerrou a apresentação com uma ênfase ainda maior às músicas da sua ex-banda. Embora tenha levado diversos fãs às lágrimas com "Yesterday", as versões rockeiras para "Helter Skelter" e para "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band" incendiaram absolutamente o Beira-Rio. No entanto, o momento curioso esteve para além da música. Depois de ler incessantemente um cartaz, McCartney chamou para o palco as duas fãs que pediam uma assinatura do músico no braço para uma tatuagem. O cantor não apenas atendeu ao pedido como ainda brincou com a plateia que invejava a sorte das duas meninas.
Em quase três horas de apresentação, PAUL MCCARTNEY deixou o palco do Beira-Rio precisamente às 23h55 com "The End". Não há nenhuma maneira precisa para concluir o que representou para os fãs gaúchos a passagem do ex-BEATLES pela cidade. A certeza é que o maior show do ano – e por que não o maior espetáculo da história porto-alegrense – ficará na memória de quem compareceu ao estádio. Com quase setenta anos, PAUL MCCARTNEY é a lenda viva do rock n’ roll que muitos tiveram o privilégio de assistir um dia.
Set-list:
01. Venus and Mars/Rock Show
02. Jet
03. All My Loving
04. Letting Go
05. Drive My Car
06. Highway
07. Let Me Roll It
08. The Long and Winding Road
09. Nineteen Hundred and Eighty Five
10. Let ‘Em In
11. My Love
12. I’ve Just Seen a Face
13. And I Love Her
14. Blackbird
15. Here Today
16. Dance Tonight
17. Mrs. Vandebilt
18. Eleanor Rigby
19. Something
20. Sing the Changes
21. Band on the Run
22. Ob-La-Di Ob-La-Da
23. Back in the USSR
24. I’ve Got a Feeling
25. Paperback Writer
26. A Day in the Life/Give Peace a Chance
27. Let it Be
28. Live and Let Die
29. Hey Jude
30. Day Tripper
31. Lady Madonna
32. Get Back
33. Yesterday
34. Helter Skelter
35. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club
36. The End
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música dos Rolling Stones, segundo a Paste Magazine
"Gates of Twilight", a estreia certeira do Wings of Steel
Aos 78 anos, Tony Iommi (Black Sabbath) reconhece não ter mais condições de realizar turnês
Tony Iommi segue com planos de remixar "Born Again", do Black Sabbath
"From The Dark"; "apenas" um disco solo de Tony Iommi que evoca o Black Sabbath com Dio
Travis Barker revela sintoma que escondeu do médico para sair do hospital após 30 cirurgias
Slayer toca "Reign in Blood" na íntegra no México; confira setlist e vídeos
Novo álbum segue a linha dos dois primeiros do Queensryche, diz vocalista
A notícia traumática sobre o Metallica que Cliff Burton deu a Scott Ian do Anthrax
O cantor que deixou Robert Plant e John Bonham impressionados; "algum dia seremos assim?"
A música do Metallica que desencadeou a batalha contra o Napster
Festival Best of Blues and Rock anuncia shows de Simon Townshend
Tony Iommi ficou em choque ao ver Ozzy durante ensaios para último show do Black Sabbath
Como AC/DC e Angus Young ajudaram Dave Mustaine a criar solo de "Holy Wars"
Stewart Copeland revela que clima tenso não amenizou durante reunião do Police

A música que Paul McCartney escreveu para fazer pazes com John Lennon depois dos Beatles
A música dos Beatles que Paul McCartney suspeitava ter sido escrita também por Yoko Ono
Paul McCartney diz que John Lennon podia ser "um completo idiota" em algumas coisas
O dia em que Paul McCartney ensinou seu herói a tocar baixo
A música dos Beatles composta por Paul McCartney diante de um astro de Hollywood
Por que Paul McCartney se recusava a tocar Beatles nos primeiros shows do Wings
O cantor com quem Paul McCartney sempre quis trabalhar e finalmente conseguiu
O melhor compositor dos últimos 100 anos, segundo Ritchie Blackmore
Jane Asher - a mulher que não quis viver à sombra de Paul McCartney
A primeira noite do Rock in Rio com AC/DC e Scorpions em 1985
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente


