A lendária baixista de 90 anos que é ídolo de Paul McCartney e gravou 10 mil músicas
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de dezembro de 2025
A música pop tem figuras que moldaram décadas inteiras sem nunca aparecer na capa dos discos. Entre elas está uma baixista hoje com 90 anos, reverenciada pelos maiores nomes do século XX e responsável por uma quantidade quase inacreditável de gravações. Em vídeo publicado em seu canal, o jornalista Andre Barcinski contou a história de Carol Kayne, que, segundo ele, "fez a espinha dorsal do pop americano" e que "gravou com Deus e o mundo" entre os anos 50 e 70.
Nascida durante a Grande Depressão e criada em uma família pobre, ela encontrou no violão - comprado com sacrifício pela mãe - a porta de entrada para a música. Adolescente, já tocava jazz em clubes da Califórnia. Foi ali que chamou a atenção do produtor Bumps Blackwell, responsável pelos primeiros hits de Little Richard, que a convidou para trabalhar como música de estúdio. Era o começo de uma carreira que viraria referência técnica e artística.
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Com o tempo, passou a integrar o lendário grupo de instrumentistas conhecido como The Wrecking Crew. Barcinski lembra no vídeo que esse time era composto por "uns trinta craques que gravaram quase todo o pop americano", incluindo nomes como Frank Sinatra, Simon & Garfunkel, Carpenters, The Mamas & The Papas e Nat King Cole. No meio dessa legião masculina de músicos virtuosos, ela era a única mulher - e uma das melhores.
Carol Kayne: a baixista que Brian Wilson idolatrava - e que mudou a forma de Paul McCartney tocar
O ponto de virada veio no início dos anos 60, quando Carol chamou a atenção de Brian Wilson, líder criativo dos Beach Boys e também baixista. O músico ficou impressionado com sua técnica e a contratou para gravar praticamente todos os grandes clássicos da banda. Segundo Barcinski, ela tocou "Good Vibrations, o Pet Sounds inteiro, Sloop John B… tudo".
Quando Paul McCartney ouviu Pet Sounds pela primeira vez, ficou obcecado pelo baixo. Ele acreditava que era Brian Wilson quem havia gravado tudo, até descobrir que o nome nos créditos era outro - o dela. McCartney ficou tão impactado que disse ter mudado sua concepção de baixo após ouvir seu estilo com palheta. Barcinski resume o choque do Beatle: "O cara ficou louco com a música dela".

A lista de gravações em que Kayne deixou sua marca inclui a introdução de "These Boots Are Made for Walkin'" (Nancy Sinatra), La Bamba, Summertime (Sam Cooke), America the Beautiful (Ray Charles), The Way We Were (Barbra Streisand) e a espetacular linha de "Wichita Lineman", de Glen Campbell. "São milhares e milhares de músicas", destacou Barcinski. Estimativas chegam a mais de 10 mil gravações.
A rotina, porém, era exaustiva. Mãe solo por boa parte da vida, gravava praticamente sem parar. No final dos anos 60, cansada do ritmo insustentável, decidiu migrar para o trabalho de trilhas sonoras - e brilhou outra vez. Tocou para Burt Bacharach, Lalo Schifrin e Quincy Jones, que a considerava "uma das maiores baixistas do mundo".
Mesmo com 90 anos, Carol Kayne segue firme em suas convicções. Em 2025, foi anunciada sua homenagem no Rock & Roll Hall of Fame, mas ela recusou ir à cerimônia. Em entrevista ao New York Times, explicou: "Eu não me considero uma solista. Eu toco em conjunto. Não gosto de premiações individuais. Eu sei o que eu sou". Barcinski comentou no vídeo que ela simplesmente "deu uma banana para o Hall da Fama".
Hoje aposentada na Califórnia, escrevendo livros sobre técnica musical, essa baixista é prova viva de que a história do pop foi construída também por mãos discretas - e incrivelmente brilhantes.
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