AC/DC: veterano grupo, ainda firme e enérgico nos palcos

Resenha - AC/DC (ANZ Stadium, Sydney, 22/02/2010)

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Por Rodrigo Mansur Figliolini
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O AC/DC sempre foi um dos marcos da música australiana, recebendo inclusive uma rua com o nome da banda, a AC/DC Lane, situada em Melbourne. A banda já estava em seu sexto show em solo australiano após o longo hiato de nove anos, desde a turnê de “Stiff Upper Lip”. O Parque Olímpico de Sydney, aos poucos, recebia os milhares de fãs, de inúmeras idades, alguns trajados como Angus, vestindo o clássico uniforme escolar, outros, usando a tradicional camiseta preta. Os trens chegavam a cada cinco minutos, com uma nova leva de ansiosos fãs, na alta expectativa de ver de perto Angus, Brian, Malcolm, Cliff e Phil. Apenas uma parcela do público estava presente no estádio para ver Calling All Cars e Wolfmother, as duas bandas de abertura.

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Foto da chamada: Marcelo Rossi

Ao entrar no ANZ Stadium, já se percebia a grandeza do palco, com dois chapéus vermelhos, erguidos um de cada lado do palco, ambos com um par de chifres e um A pintado em azul. Pontualmente às 20h55, horário local de Sydney, o show se inicia, com uma animação nos telões mostrando um Angus de chifres e rabo de diabo, comandando um trem a toda velocidade, sendo subitamente seduzido e amarrado por duas mulheres, que pulam do trem e o deixam a bordo, preso. Ele consegue se soltar e retoma o comando do trem, que chega a uma cidade, provocando uma grande explosão assim que chega, e nota-se o 666 estampado na parte frontal do trem. Uma sequência pirotécnica segue a animação, enquanto a banda entra no palco e inicia a execução de “Rock N’ Roll Train”. Neste espaço de tempo, de cerca de dois minutos, o público foi levado a um alto nível de adrenalina, no qual se manteve durante todo o show, graças ao talendo do veterano grupo, ainda firme e enérgico no palco! Tal como o fazia nos anos 70 e 80.

Brian saúda o público, de cerca de 70 mil pessoas, dizendo “Boa Noite! Vamos tocar Rock N’ Roll para vocês, estão prontos?”. A banda inicia “Hell Ain’t a Bad Place to Be”, muito bem recebida pelo público, que gostou de ver o AC/DC tocando seus clássicos, numa quente noite de 32 graus em Sydney.

Um breve hiato, com luzes apagadas e nenhum som saindo pelas caixas, antecedeu a execução de “Back in Black”. O disco de 1980 é um dos mais vendidos no mundo, cerca de 49 milhões de copias, representa nada mais do que o dobro de toda a população da Austrália! Os fãs cantavam juntamente com Brian o refrão, e tinham a certeza de que uma grande noite estava por vir. E ela viria! Com certeza!

Logo em seguida, Brian anuncia a próxima música, “Big Jack”, apresentando mais uma vez o novo álbum, "Black Ice", seguida por “Dirty Deeds Done Dirty Cheap”, outro grande clássico, do álbum homônimo de 1976. “Dirty Deeds!!! Amo esta!! Foi uma das primeiras que eu ouvi, e me tornei fã a partir de então!” diz Kirstyn, uma fã neozelandesa, presente no ilustríssimo dia, ao ser perguntada sobre alguma música que ela tenha como preferida no show. A banda segue com “Shot Down in Flames”, “Thunderstruck” e “Black Ice”, mantendo a alta adrenalina no show. Alguns fãs precisavam recorrer a doses de água, gratuitas em todo local que sirva álcool, de acordo com a lei australiana. Mas a banda mantinha-se na “alta voltagem”, que sempre foi sua marca registrada.

Neste momento, ocorre um contraste no show, quando os primeiros acordes de "The Jack" tomam os ouvidos do público. Não é uma música rápida como as anteriores, mas igualmente intensa. Durante a execução, o público masculino foi agraciado pelo telão, quando a câmera filmava as fãs que tiravam a camiseta (algumas inclusive o sutiã!!). Enquanto algumas se recusavam a mostrar sua dotação mamária, outras não demonstravam nenhuma timidez ou introspecção. Isso poderia ser um problema para casais, mas até agora, nenhum pedido de divórcio saiu do estádio! Logo em seguida, acontece o strip de Angus, enquanto Malcolm, Cliff e Phil tocavam as notas de "The Jack" ao fundo.

Outro breve hiato, e Brian é iluminado na ponta da passarela que ligava o palco ao meio da pista. Ele sai correndo em direção ao palco, e atira-se a uma corda, que revela o grande sino com o logo da banda, e a primeira badalada de "Hells Bells" toma o ANZ Stadium. O encontro das mãos de Brian contra a corda foi cravado com o primeiro som, embalando ainda mais o show, que ainda teria outras surpresas a vir!

“Shoot to Thrill” e “War Machine” são as próximas. Podia se notar o bem montado esquema de iluminação para o show, acompanhando corretamente as canções executadas pelo grupo. “High Voltage” é anunciada por Brian, e a banda volta ao seu primeiro álbum, lançado na Austrália em 1973. No meio da música, imagens de Bon Scott eram exibidas no telão, calorosamente recebidas pelo público. Ao mesmo tempo, um momento saudosista, e uma homenagem a Scott. Neste ano, completa-se 30 anos de seu falecimento. Segundo Angus, foi o único momento em que ele realmente pensou em parar com a música, até que Brian Johnson recebeu o convite, e a banda gravou "Back in Black". Para Angus, era tudo ou nada. O público aplaudia as imagens de Bon Scott, gritando seu nome e mantendo viva a sua lembrança.

“You Shook me All Night Long” é tocada na sequência. Era possível ouvir os fãs cantando cada parte da música, assim como seu enérgico refrão. Cada fã poderia dedicá-la a uma pessoa em especial. No meu caso, uma inglesa de 26 anos, de nome Hazel.

“T. N. T.”, “Whole Lotta Rosie” e “Let There be Rock” fecham a primeira parte do show. Todas da era Bon Scott, conhecidíssimas do público, orquestravam a onipotência do grupo australiano. Na primeira, a sequência de “Oi! Oi! Oi!” mostrava novamente o grande trabalho do pessoal da iluminação, completando o quadro do show, com as mãos erguidas dos fãs, e Angus no backing vocal. Como um maestro e seus 70 mil músicos. Incrível como, em horas como essa, sem ensaio nenhum, a não ser a própria música, os fãs batem ou erguem as maos em sincronia perfeita! Uma grande fotografia dos shows de Rock N’ Roll, presentes em muitos filmes e vídeo-clipes. Não é para menos!!

Na segunda, a igualmente tradicional Rosie surgia no fundo do palco, montada em cima do trem. Na terceira, um fenomenal solo de Angus, durando cerca de dez minutos! “Sir” Angus, mesmo com todo o suor, assim como todo o público, não demonstrava cansaço, chamava o público e fritava sua Gibson SG, companheira de Guerra, durante o solo. Seja no meio da passarela ou no palco, ele seguia chamando os fãs, que respondiam fielmente cada vez que ele punha as maos nos ouvidos. Os covers sempre fizeram isso nos seus tributos. Assim como o uso do uniforme escolar e o ‘duck walk’. O próprio Angus diz que ele tenta imitar Chuck Berry a cada vez. Young inclusive afirmou, em uma entrevista a uma televisão sueca, que Berry foi uma de suas principais influências.

O intervalo entre as duas partes foi bem mais curto do que se esperava. Nesta hora, fãs gritavam e aplaudiam a banda, e as luzes apagadas do palco revelavam os milhares de chifres acesos na pista e arquibancada. Outro grande quadro! Já suados, cansados e com a garganta estourada, todos, inclusive eu, tinham a absoluta certeza de que viram uma das maiores bandas do mundo, fazendo o que sabe fazer de melhor, tocando em sua terra natal, matando a saudade daqueles que os viram nas últimas vezes, e provando aos novatos o que é o AC/DC. Uma banda que jamais se rendeu a tendências, modinhas e momentos. Manteve-se fiel ao som que fazia nos anos 70, fiel aos fãs e a si própria. E os australianos agradecem pela Black Ice Tour.

A segunda parte, como diz a conhecida metáfora, fechou com chave de ouro o show em Sydney. “Highway to Hell” é executada, comprovando a iluminação muito bem montada, que cobriu o palco com luzes vermelhas e uma chama incandescente tomou os telões, juntamente com o logo da banda. Durante todo o show, a parte visual foi muito bem trabalhada pela produção, coisa que custa caro, mas muito gratificante. E, fechando o show, obrigatoriamente, e seguindo à risca a regra criada em 1981, “For Those About to Rock” ecoa pelo ANZ Stadium!!! Enquanto Angus toca o riff, canhões de um lado ao outro do palco se revelam, abrindo as portas para um grande tributo ao Rock N’ Roll. Fãs batiam continência durante o refrão, saudando a banda e todos que apreciam o gênero. Simultaneamente aos tiros dos canhões, o telão mostrava canhões atirando, completando o quadro, e abrindo para o ápice do show, se é que se pode colocar apenas um num show como este, encerrando a gloriosa noite com um agradecimento de toda a banda na voz de Johnson “We salute you, Australia!”.

E como se isso ja não fosse suficiente, fogos de artifício estourados no céu sobre o estádio, durante cerca de dois minutos, completavam a noite, para total delírio dos fãs, que comemoravam o fato de terem testemunhado um grande concerto, mostrando que o Rock ainda esta vivo!

Com certeza é uma árdua tarefa explicar em palavras o que aconteceu naquela noite, que, para mim, foi a realização de um sonho, que se alimentou por sete anos!!! Desde que comecei a ouvir "Back in Black", me interessei pela banda e passei a ouvir os demais álbuns, eu mantinha a esperança de que, um dia, iria a um show do AC/DC. Quando "Black Ice" foi lançado, e a turnê foi anunciada, a esperança cresceu, e se tornou uma grande expectativa quando as datas em Sydney foram confirmadas, e principalmente quando vi o ingresso na minha mão. Tranquei em meu armário, dentro de um envelope, e não deixei ninguém por as mãos nele! Guardei o ingresso como se a minha vida dependesse dele! Agora vou mandar enquadrar e pôr na parede, para sempre me lembrar da noite de 22 de Fevereiro de 2010. O dia em que ganhei um tão sonhado presente de Natal, em um ano que durou 84 meses. Pode-se imaginar a adrenalina ao relatar o show para colegas e professores! Marita, outra fã vinda da Nova Zelândia, diz que é uma chance apenas na vida, então a pessoa TEM que ir. Concordo com ela! E plenamente!!

Setlist:
Rock N’ Roll Train
Hell Ain’t a Bad Place to be
Back in Black
Big Jack
Dirty Deeds Done Dirty Cheap
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Black Ice
The Jack
Hells Bells
Shoot to Thrill
War Machine
High Voltage
You Shook Me All Night Long
T. N. T.
Whole Lotta Rosie
Let There be Rock
---------------
Highway to Hell
For Those About to Rock (We Salute You)

Data: 22/02/2010
Local ANZ Stadium, Sydney Olympic Park – Sydney, Austrália
Horario: 20:55hs - 23:00hs
Publico: 70 mil pessoas
Nota: 10

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