Opinião sincera: O Rock morreu?
Por David Pirajá
Postado em 11 de fevereiro de 2018
Bem, nesse texto, eu dei a mim mesmo esse árdua missão de discorrer sobre esse terrível tema que assombra qualquer entusiasta musical.
Não é nenhum segredo que dá época de 60 até o fim dos anos 90, o rock foi talvez o maior pilar da cultura ocidental. E talvez exatamente por isso tenha sido uma época tão próspera culturalmente (enquanto o oriente começava a afundar nos conceitos islâmicos)
O rock sempre foi uma língua universal e atemporal. Qualquer pessoa que leve música a sério tem um apreço enorme por tudo que foi feito dentro desse gênero, pois foram acontecimentos únicos que dificilmente não se repetirão.
Então entra a pergunta principal que vale 1 milhão de dólares: o rock morreu?
Antes de eu mesmo responder, gostaria de te perguntar o que significa a "morte" de um gênero musical? Talvez a morte de seu maior representante, que faça o gênero sair do mainstream (como foi o Jazz com a morte do Frank Sinatra) ou até mesmo a falta de interesse da grande indústria no gênero (um exemplo a música instrumental ou "clássica")
Então, podemos perceber que a decadência do rock é desde do anos 90. Chuto que essa decadência começou com a morte de Kurt Cobain.
Então, vem outra pergunta: depois do Kurt, qual foi o outro grande gênio que deu um rumo ao mainstream? Essa pergunta serve para a música em si.
A morte do Kurt é um fator decisivo nessa história toda, um divisor de águas. Ele foi a última imagem, ele foi o último "santo" da música, depois disso não teve mais ninguém. O pop é sustentando por várias "divas" que são tão medíocres e sem personalidade que dividem um protagonismo mais murcho que a pipa do vovô. O único estilo hoje que tem "heróis" ou "ícones" é o rap (este que é outro fator importante, mas que merece um texto único que eu prometo que irei fazer.)
A comparação que estou fazendo é valida com Jesus Cristo: toda vez que um Mártir vem a terra, ele tem seus discípulos, que irão espalhar a palavra. Isso não aconteceu somente com o Kurt, ele é o exemplo aqui pois ele foi o último. Kurt desceu a terra e trouxe bandas como Green Day, Alice in Chains, Pear Jam e até mesmo Foo Fighters.
Depois disso, virou bagunça.
A pessoa que chegou mais perto de se tornar um líder foi a Amy Winehouse. Na minha opinião Back To Black é o melhor disco dos anos 2000, mas infelizmente ela se foi antes mesmo de se superar.
Resumindo tudo: não, o rock não morreu. A única coisa que falta é um líder, e olha que a seita já está pronta e esperando pelo seu mestre.
Esse líder não precisa ser um John Lennon, um Roger Waters, um Bono, esse líder precisa ser ele mesmo, pois nós já temos John Lennon, Rogers Waters e Bono o suficiente.
E porquê não imaginar que o próximo Kafka estaria no rock? Pra quem nao sabe, Kafka sempre foi um escritor sem sucesso em sua época. Antes de morrer, ele queimou toda sua obra, a única coisa que restou foi uma cópia de um livro na mão de seu amigo. Esse livro era nada mais que A Metamorfose, que é um dos maiores livros da literatura. Todo o sucesso de Kafka foi fora do seu tempo, fora de sua geração.
Acho que já existe algum jovem por aí revoltado com toda essa merda que a música virou. Acho que já é possível esse cobiçado líder estar aí, mas ela será a voz dos nossos filhos. Enquanto nossa geração será marcada por uma geração que só queria... Beber e fuder.
Felizmente, eu tenho nomes! Três para ser mais exato: Tyler Joseph, Alex Turner e Matt Berninger.
Provavelmente muitos vão rir deste último parágrafo, mas antes uma pergunta sincera: algum felizardo vivente no ano de 2000 poderia imaginar que o Foo Fighters algum dia iria lotar estádios pelo mundo? Pois é.
Outra coisa que reforça tudo que eu disse aqui é um fato interessante: Pegue a lista das turnês com maior público. Aposto que você vai ficar chocado em saber que 8 das 10 turnês são de rock.
Curiosidade: isso se aplica ao Brasil também. No top 5 das turnês mais rentáveis de 2017, não entra nenhuma funkeiro ou sertanejo, mas entra Roberto Carlos e Maria Bethânia. Na realidade, todo esse texto se aplica ao cenário brasileiro também.
Por sinal, toma ai três nomes brasileiros: Martim Bernardes, Gustavo Bertoni e Chuck Hipolitho
Então é isso, o rock não está morto. E para fechar com chave de ouro, deixo aqui uma mensagem a todos vocês:
Querido jovem. Seja corajoso. Seja forte. Desabafe sua raiva. Irrite as pessoas. Não seja normal. Não siga a moda. Seja barulhento. Xingue. Fale palavrão. Seja ofensivo. Diga a verdade. A SUA verdade. Foda-se a autoridade. Jogue tinta na parede e escreva sua música. Seja sujo. Quebre vidros. Faça algo. Não seja covarde. Não seja um seguidor. Enlouqueça. Nós precisamos de mais jovens rebeldes com guitarras barulhentas.
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