Heavy Metal: Ser Underground também é Mainstream
Por Fabio Reis
Postado em 18 de novembro de 2015
Muito se fala em Underground e Mainstream quando o assunto abordado é o Heavy Metal, mas o que percebo frequentemente, é que poucos são os que entendem de forma correta o que os dois termos significam. A maior parte das pessoas que os usam, possuem conceitos errôneos ou deturpados sobre o que vem a ser fazer parte do Underground, fazer parte do Mainstream, ser uma banda Underground e ser uma banda Mainstream. Para esclarecer de uma vez por todas esta questão, vou abordar este tema e tentar desmistifica-lo.
O primeiro passo é entender o conceito da palavra. Segundo a enciclopédia livre, a Wikipédia, "Underground (subterrâneo, em inglês) é uma expressão usada para designar um ambiente cultural que foge dos padrões comerciais, dos modismos e que está fora da mídia. Também é conhecido como Cultura Underground ou Movimento Underground, toda produção cultural com estas características e Cena Underground é o termo usado para nomear a produção de cultura Underground em um determinado período e local."
Na música, mais precisamente em se tratando de Metal, chamamos de Underground, qualquer banda ou artista que está fora da grande mídia e que portanto, não é popular. Em outras palavras, são músicos que estão muito longe de poderem ser chamados de celebridades, são desconhecidos para a maior parte das pessoas comuns e possuem o reconhecimento apenas de um seleto grupo.
O Heavy Metal, assim como o Rock na década de 50, foi concebido como um gênero musical fadado e relegado ao Underground, era mais do que esperado que uma musicalidade tão agressiva e livre de dogmas, composta por músicos de certa forma, desajustados para os padrões sociais impostos em sua época, jamais alcançasse o estrelato e sucesso comercial. É fato que com o passar do tempo, muitas bandas romperam esta barreira, tanto no Rock mais clássico como também no Metal e chegaram ao patamar do sucesso estrondoso, mesmo com uma musicalidade mais extrema e totalmente "anticomercial".
Este é o ponto onde os erros de interpretação acontecem com frequência.
É bem comum a concepção de que para ser Underground, precisa-se praticar uma sonoridade que fuja dos padrões da mídia, mas acontece que em muitas ocasiões, a rebeldia, o extremismo, a radicalidade e o "não ser comercial", acaba vendendo muito e atraindo um público gigantesco. Um exemplo clássico seria o Pantera nos anos 90, que apesar de mandar um "foda-se" para a mídia, se utilizou dela nitidamente e levou a "anti-música" para o mundo pop.
O que precisa ficar claro, é que não importa o quão extrema ou radical seja a sonoridade ou proposta musical de uma banda, se ela se tornar um sucesso de vendas, emplacar hits e se tornar extremamente conhecida, ela ganhará a alcunha de Mainstream.
Vamos agora entender o conceito. Mainstream ("corrente principal", em inglês) - É o termo que designa o pensamento ou gosto corrente da maioria. O termo Mainstream inclui tudo que diz respeito a cultura popular (Pop) e é disseminado principalmente pelos meios de comunicação em massa. Muitas vezes é também usado como termo pejorativo para algo que "está na moda".
Muitos podem se assustar e se questionar, afinal grupos como Iron Maiden, Slayer, Metallica, Megadeth e tantos outros, são frequentemente rotulados como fazendo parte do Mainstream. Seria certo classificá-los como bandas pertencentes a cultura Pop? Para responder a esta questão, é só verificar alguns pontos primordiais. Estes nomes são conhecidos pela grande maioria das pessoas? Fazem sucesso? Lotam grandes arenas? Quando alguma destas bandas visitam países para realizar shows, os mesmos são divulgados nos grandes meios de comunicação, me refiro aos que não se limitam a noticiar apenas o Metal? Quando há alguma mudança no line-up ou polêmica que envolve algum integrante, idem? Se a sua resposta for sim para a maioria destas questões, pode-se dizer que estas bandas estão corretamente inseridas no mundo pop e o termo Mainstream é aplicado sem nenhum tipo de erro.
O que define se uma banda faz parte do Underground ou Mainstream é o seu alcance em termos de mídia. A Sonoridade não tem nada a ver com o fato de ser ou não comercial, grupos com musicalidade extrema podem ser um sucesso de vendas e outros com sonoridade amena podem nunca se tornar populares. Tocar músicas extremas e ter posturas radicais deixa de ser algo relegado ao Underground no momento em que o público pop se interessa e resolve consumir este tipo de material.
De uma maneira porca, pode-se afirmar que bandas pertencentes ao Mainstream vivem da música, possuem alguns milhares de dólares em suas contas e desfrutam de certa fama. Fama esta que em alguns casos foi alcançada de maneira natural (Slayer) e em outros de forma estratégica e pensada, inclusive abdicando da sua identidade musical para concretizar tal feito (Metallica). Quanto aos músicos que se encontram nos porões escuros do Underground, estes precisam matar um leão por dia e dependem e muito da boa recepção de seus álbuns, sendo que mesmo assim, a grande maioria jamais provará o doce sabor que é o reconhecimento massivo. Generalizando, uma banda nasce Underground e sonha com o Maisntream, há pouquíssimas exceções a essa regra e muitos contos de fadas sobre amar as suas origens e discursos sobre apoiar a cena local, mas quando os cifrões são colocados na mesa, geralmente são eles que dão as cartas. O choro é livre.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os dois estilos musicais que Lemmy detestava e considerava pobres musicalmente
Brian May (Queen) admite ter mudado de ideia em relação à IA
Baterista do Linkin Park toca música do Iron Maiden que nunca havia escutado
Falling in Reverse lança "Joseph" com Corey Taylor e Serj Tankian em colaboração inédita
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
O álbum clássico do rock que Ed Motta comprou escondido por ser coisa de playboy
Dave Mustaine mudou de vida depois que se converteu; "Deus me enviou para o AA"
Abbath cancela shows de 2026 e pede desculpas aos fãs e festivais
O amigo que Ozzy Osbourne sentia falta de ter por perto e chamava de cara definitivo do metal
O mito em torno de Raul Seixas que Regis Tadeu diz que precisa acabar
O e-mail de Andre Matos que deu aval para Bruno Sutter ser vocalista do Angra
Brasileiros superestimam o Sepultura? Canal disseca mudança do show de despedida
O tipo de música que Eddie Van Halen odiava tocar apesar de fazê-lo muito bem
O guitar hero do metal que trabalhou no Burguer King para comprar sua primeira Flying V
A banda que mudou a história da música para sempre, conforme Rick Rubin
A música do Genesis que virou hit, mas Phil Collins não cantava; "Não sei do que ela fala"

Cinco subgêneros do metal que despertam amor e ódio
Onde vende a régua para medir se uma música é boa ou ruim?
Não gostar do "Black Album" é uma coisa, negar sua importância é outra
O heavy metal continua proporcionando momentos inesquecíveis
A difícil arte de escolher os melhores discos de Heavy Metal
Janick Gers: descartável ou essencial ao Iron Maiden?



