Estereótipos da mídia: quem sabe um dia viveremos sem eles
Por Júlio Verdi
Fonte: Rock Opinion
Postado em 20 de dezembro de 2013
Há muitas décadas que a cobertura jornalística que a televisão dá a estilos musicais e seus seguidores é caracterizada por duas infelizes frentes: a superficialidade e o estereótipo. Recentemente o programa "A Liga", da TV Bandeirantes, exibiu uma matéria onde cobria quatro diferentes segmentos do universo musical brasileiro e focou a linha editorial em seus universos mais superficiais – as letras pornográficas do funk, a bebedeira e pegação do sertanejo (universitário – arrocha, etc), a simplicidade marginal do rap e a agressividade dos shows de rock (ali representado por uma banda metalcore).
Não entrando no mérito de funk, rap e sertanejo (segmentos aos quais não sou sequer simpático, por isso desconheço os detalhes de sua cultura), os atos apresentados para os consumidores de rock comprovaram infelizmente o que eu previa antes de assistir a tal programa: uma visão popularesca e por vezes enfatizando e pressupondo comportamentos bizarros. Vamos aos fatos dissecados. Sempre aquela mesma coisa de padronizar fãs de rock e metal como se TODOS usassem piercings, tatuagens e trajes de cor preta, como se isso fosse obrigação ou qualificação para uma pessoa ser mais ou menos culta no estilo. No festival onde a matéria foi feita, a banda em destaque era a Project 46. Na passagem do som o apresentador Thaíde apenas mostrou a faceta gutural do desempenho do vocalista. E no show apenas a "roda de agito" que os fãs fazem no meio do público. Sequer mostrou o nome de uma música, sequer questionou os membros sobre suas influências, ou mesmo como foi a experiência de ter se apresentado no festival "Monsters of Rock".
Chegará um dia em que eu verei uma cobertura jornalística acerca de rock, que enfatize sua complexa conjuntura de fatores para levar a cabo sua execução: muito estudo, bons equipamentos, conhecimentos de arranjos, efeitos, amplificação, ensaios feitos até a exaustão, e sua sobrevivência no mercado underground do showbizz, vivendo fora da mídia mercadológica (aqui não me refiro ao happy-rock de MTV de nomes como Fresno, CPM22, etc). Num campo agora confessamente comparativo, tem as dificuldades que outros estilos não têm e ao mesmo tempo carrega consigo um universo técnico muito mais elaborado e que exige muito mais educação musical e dedicação dos instrumentistas envolvidos que outros tipos de música.
Além do item superficialidade, a aplicação dos estereótipos baratos chega a ser irritante.
Quem disse que todo show de rock/metal é a mesma coisa? Quem disse que todo fã do estilo se comporta, se veste, enxerga e consome a música do mesmo jeito? Saindo da aura do rock, prefiro acreditar que existam também outros consumidores de funk ou sertanejo que também frequentem shows desse tipo que não estão ali apenas para beijar 30 pessoas, mostrar as suas partes íntimas em público ou cair de tanta bebida consumida. O que sugiro refletir neste artigo não é exatamente a preferência musical, mas a maneira com a mídia utiliza-se de intenções popularescas com o suposto intuito de mostrar o universo que envolve cada segmento. Mas talvez essa seja a ideia, afinal porque mostrar uma faceta cultural ao povo, quando se pode abusar de bizarrices e fatos degradantes, pois num país onde reality shows, novelas e programas de auditório são "mais interessantes" do que discutir e conhecer problemas sociais e políticos, programas popularescos serão sempre a estratégia comercial favorita da grande mídia.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os dois álbuns do Metallica que Andreas Kisser não curte: "Ouvi apenas uma vez na vida"
Jay Weinberg fala pela primeira vez à imprensa sobre demissão do Slipknot
O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
Quais são as 4 maiores bandas do heavy metal, segundo a Ultimate Classic Rock
Por que Leoni ficou de fora da reunião do Kid Abelha com Paula Toller? Lembre as brigas
A profunda letra do Metallica que Bruce Dickinson pediu para James Hetfield explicar
A melhor banda que Dave Grohl já viu: "Vontade de beber cem cervejas e quebrar janelas"
A música épica de 23 minutos que o Dream Theater tocará em seus próximos shows no Brasil
A história da versão de "Pavarotti" para "Roots Bloody Roots", segundo Andreas Kisser
A melhor faixa de "The Number of the Beast", do Iron Maiden, segundo o Loudwire
A banda de thrash com cantor negro que é o "mini-sepulturinha", segundo Andreas Kisser
O músico que Roger Waters não queria que subisse ao palco por não ser famoso
A camiseta que Richard Fortus criou pra zoar meme famoso do Guns N' Roses
Para Dave Mustaine, Megadeth começou a desandar após "Countdown to Extinction"
Mick Jagger e Keith Richards escolhem suas músicas favoritas dos Beatles
As 30 maiores bandas de Thrash Metal de todos os tempos, em lista da Spin Magazine
Herman Li expõe miséria que Guitar Hero repassou por usar música do DragonForce

Megadeth, "Risk", "Dystopia" e a dificuldade em aceitar a preferência pessoal alheia
Você está realmente emitindo sua opinião ou apenas repetindo discursos prontos?
Arch Enemy, o mistério em torno da nova vocalista e os "detetivões" do metal
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Angra: Alguns problemas não se resolvem com sonho de doce de leite



