A música mais subestimada do Black Sabbath, segundo Geezer Butler
Por Bruce William
Postado em 23 de agosto de 2025
O Black Sabbath já tinha chacoalhado o mundo com a estreia em 1970, mas foi no segundo disco, "Paranoid", que o grupo mostrou que podia ir muito além de riffs pesados. Entre clássicos como "Iron Man" e "War Pigs", escondia-se uma faixa longa, densa e perturbadora: "Hand of Doom". Para Geezer Butler, baixista e principal letrista, essa é a canção mais subestimada da história da banda.
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A inspiração veio de uma experiência nada comum. O Sabbath tocou em bases do exército americano na Alemanha, onde soldados que voltavam do Vietnã faziam uma espécie de "parada técnica" antes de retornar aos Estados Unidos. Butler conversou com alguns desses militares e ficou chocado com os relatos. "Eles me contavam histórias horríveis, de emboscadas no meio do mato, de vilarejos incendiados, de como usavam heroína para aguentar. Isso não aparecia nos jornais. Então escrevi sobre isso", contou ao Songfacts.
Musicalmente, "Hand of Doom" impressiona. A faixa começa arrastada, quase sufocante, para depois acelerar em explosões de energia, refletindo as idas e vindas de alguém que mergulha no vício. Geezer destaca especialmente a performance do baterista Bill Ward: "O trabalho dele nessa música é totalmente diferente de qualquer um na época. Adoro aquela batida."
No meio da música há uma grande mudança de andamento, quando Ozzy Osbourne canta: "You're having a good time baby / But that won't last" ("Você está se divertindo, baby / Mas isso não vai durar"). É o momento em que o soldado retorna para casa e se agarra às drogas. E perto dos cinco minutos, a canção muda novamente: "Now you know the scene / Your skin starts turning green" ("Agora você conhece a cena / Sua pele começa a ficar verde"). Aqui, o vício já devastou completamente o personagem. E o desfecho não deixa espaço para esperança: "Price of life you cry / Now you're gonna die" ("O preço da vida você chora / Agora você vai morrer").
Mais do que um retrato do vício, era também um comentário social vindo de uma banda britânica, o que é um detalhe relevante, já que o Reino Unido não participou diretamente da guerra do Vietnã. Enquanto nos Estados Unidos artistas como Lou Reed e Mick Jagger falavam sobre drogas e alienação, o Sabbath oferecia sua própria visão, crua e sombria.
Apesar da força, "Hand of Doom" não ganhou o mesmo espaço ao vivo que outros clássicos. Tocada apenas 102 vezes em shows, ficou fora do repertório por quase quatro décadas, voltando apenas em 2016 na turnê de despedida "The End". Ainda assim, para muitos fãs e para o próprio Geezer, a canção merece estar lado a lado com "War Pigs" entre os grandes momentos do Sabbath.
No fim, "Hand of Doom" é o Sabbath em sua essência: pesado, incômodo e verdadeiro. Um retrato sombrio de uma geração ferida pela guerra e pelas drogas, transformado em música por quatro garotos de Birmingham que, sem saber, estavam inventando o heavy metal.
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